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Diretas no PS com José Luís Carneiro

Diretas no PS com José Luís Carneiro

Perguntar Não Ofende · Daniel Oliveira

November 27, 20231h 42m

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A queda de um governo de maioria absoluta apanhou todos desprevenidos, a começar pelo Partido Socialista. Ainda antes da há muita anunciada candidatura de Pedro Nuno Santos, que o Perguntar Não Ofende também entrevistou, José Luís Carneiro deu o primeiro passo. O arranque da sua candidatura não teve a ajuda de António Costa, que decidiu fazer uma declaração ao país no mesmo dia, em direto nos telejornais. Foi, durante uma década, presidente da Câmara de Baião, duas vezes deputado e antes de chegar a ministro, no ano passado, foi secretário de Estado das Comunidades, desde o início da geringonça. Ou seja, a sua experiência política é sobretudo como autarca. Com pouca notoriedade, tem dois desafios enormes pela frente. Vencer aquele que muitos veem, dentro e fora do PS, como o sucessor inevitável de António Costa e, se isso acontecer, vencer as eleições num dos momentos mais complicados da história do Partido Socialista e da democracia constitucional portuguesa. Talvez a dificuldade explique porque outros não avançaram.

Ouça aqui a entrevista ao outro candidato, Pedro Nuno Santos.

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José Luís Carneiro: Para ganhar ou picar o ponto? A queda de um governo de maioria absoluta apanhou todos desprevenidosa começar pelo Partido Socialista. Ainda antes da há muita anunciada candidatura de Pedro Nuno Santosque o Perguntar Não Ofende também entrevistouJosé Luís Carneiro deu o primeiro passo. O arranque da sua candidatura não teve a ajuda de António Costaque decidiu fazer uma declaração ao país no mesmo diaem direto nos telejornais. Depois de muito se especular sobre quemda ala centristase candidataria contra o candidato da ala esquerda do PSMariana Vieira da SilvaFernando Medina e Ana Catarina Mendes não avançaram. José Luís Carneiro parece partir com desvantagemmas tem alguns apoios de pesocomo o do ministro das Finanças e o presidente da Assembleia da República. E a sua mensagempor oposição ao que parece ir à frenteé a da moderação contra o radicalismo. José Luís Carneiro foidurante uma décadapresidente da Câmara de Baiãoduas vezes deputado e antes de chegar a ministrono ano passadofoi secretário de Estado das Comunidadesdesde o início da geringonça. Ou sejaa sua experiência política é sobretudo como autarca. Com pouca notoriedadeJosé Luís Careiro tem dois desafios enormes pela frente. Vencer aquele que muitos veemdentro e fora do PScomo o sucessor inevitável de António Costa ese isso acontecervencer as eleições num dos momentos mais complicados da história do Partido Socialista e da democracia constitucional portuguesa. Talvez a dificuldade explique porque outros não avançaram. 1 - Pedro Nuno Santos tem apoio esmagador entre as direções das federaçõesautarcas e até mais apoiantes declarados dentro do governo de que José Luís Carneiro faz parte. Sente que parte com desvantagem nesta corrida? - Aqueles que sempre se falaram como candidatos – Fernando MedinaMariana Vieira da Silva ou Ana Catarina Mendes – decidiram não avançar. Não sente que é um recurso de quem não tem coragem para correr esse risco? - Está há pouco tempo no governocomo ministroe antes disso teve responsabilidades pouco visíveis. Acha que o PS pode ternumas eleições inesperadas daqui a quatro mesesum candidato a primeiro-ministro com baixa notoriedade? 2 – Pensa que este processo judicial que fez cair o governo terá impacto no resultado do Partido Socialista? E acha avisadas pressionar para que o Supremo Tribunal de Justiça chegue a uma conclusão antes das eleições? - Do que há de político neste processonão o incomoda que uma figura que o primeiro-ministro escolheu para negociar a renacionalização da TAP (e que depois escolheu para a administração) ou para lidar com os lesados do BES sirva de pivot nas relações de uma empresa com o governo? 15’ 3 - Dissenuma entrevistaque estava disponível para viabilizar um governo do PSD caso a direita tenha maioria e o PSD fique em primeiropara evitar a influência do Chega. Depois disse que não era assimmas que esclarecia mais tarde. Quer esclarecer agora? - Fazer um bloco central informal e entregar a liderança da oposição ao Chega não é garantir o crescimento do Chega ainda maior? Não é dizer às pessoas que a escolha é entre os partidos do sistema e contra o sistema? Não é dizer que eleitores de direita que podem usar o voto no Chega como protesto que o PS garantirá a governabilidade de um governo de direita. É sensato dizer isso neste momento? Não é facilitar a vida a Ventura? 4 – Mais claro do que em relação à direitaJosé Luís Carneiro tem dado sinais de muito pouca vontade de entendimentos à esquerda. José António Vieira da Silva veio dizer que a geringonça provou que a convergência à esquerda não pode ser estratégica? Ascenso Simõesque nem sequer foi entusiasta da soluçãorespondeu que é estranho um partido que só chegou do governo através do BE e do PCP – numas eleições em que ficou em segundo – vir dizer isto. Não correm o risco de passar a ideia de calculismo ou oportunismo? - Foram esses os argumentos usados por Cavaco Silvana altura. E nem sequer foi por qualquer deles que a geringonça acabou seis anos depoisno que foi das experiências governativas mais longas da história do PS. Até se sentiu mais estabilidade política durante a geringonça do que no governo de maioria absoluta... - Podia dizer-se que a geringonça correu malmas até foi o governo com maior aprovação desde 2002. Faz sentido fazer campanha contra o que é visto como um dos maiores feitos de Costa? 30’ - Com este discursonão correm o risco de voltar a ficar como estavam antesem que ou tinham maioria absoluta ou dependiam do PSD para governar? Na realidadeos entendimentos preferenciais à esquerda dão maior autonomia estratégica ao PSnão menos. - Que reformas impediu o BE e o PCP de fazer que o PS tivesse feito com a maioria absoluta? 5 - Tem o apoio de Fernando Medina em nome das contas certasa bandeira de Passos Coelho. Não é um desígnio pequeno para um partido de esquerda? Não estou a dizer que a esquerda não queira contas equilibradasmas os excedentes sucessivosretiram dinheiro à economiatêm um preçoao contrário do que diz Medina: níveis de investimento público historicamente baixossó recentemente compensados pelo PRRe a decadência dos serviços públicos. - O PSD governou em circunstâncias externas e internas muitíssimo negativas. E o que distingue a direita e a esquerda não é a aceitação de apoios sociaisque qualquer democratas-cristão defende. Não teme que o seu governo fique conhecido como o governo que acelerou a decadência do Estado Social e do SNS? - Deu um recado a Pedro Nuno Santosde que as contas são mesmo para pagar. Alguma vezficou com a sensação de que pensava o oposto? Ou está a colocar-se do lado do Passos Coelho quando o seu oponente interno lhe fazia oposição? Não há o risco de estar a passar aos mercados uma mensagem perigosaao insinuar que Pedro Nuno Santosse vier a ser primeiro-ministronão pagará as dívidas? Não está a dar munições à direita? 45’ 6 - Está disponível para desbloquear a situação dos professores? - Tem havido muitos apelos para os médicos voltarem a fazer as horas extraordinárias que não são obrigatórias por lei. Há um problema grave num sistema que bloqueia se os médicos cumprem os horários mínimos que a lei determina. Mesmo que os médicos parem está forma de lutao que provavelmente farãose o SNS não lhes ser mais condiçõesé fugir para o privado e para o estrangeiro... - Acha que a alternativa ao estado do SNS pode ser dar mais funções ao privadopagas pelo Estadointegrando-os mais no sistema que o Estado financia? 7 – Para se afastarem de Pedro Nuno Santosalguns dos seus apoiantes falam da matriz do PS. Pedro Nuno Santosque é militante da JS aos 14 anosestá fora da matriz do PS? Não é um socialista democrático ou social democrata tradicional? Ou já não é essa a matriz do PS? - Que avaliação faz o trabalho de Pedro Nuno Santos como ministro? Também farei esta pergunta a Pedro Nuno Santos sobre si. 1.00’ - Tenciona privatizar a maioria da TAP? Se simquando? 8 - Desde que é ministro rompeu-se uma regra não escritauma tradição que resulta da memória da ditadurada polícia não entrar nas universidades para reprimir protestos. Como se sente ao ser o ministro da Administração Interna em que essa tradição já foi quebrada repetidas vezesaté para interromper uma palestra num lóbi da faculdade de psicologia? - Há inúmeros relatórios europeus que avisam para o crescimento da extrema-direita e do racismo organizado dentro das polícias. Há pouco tempo houve uma reportagem na SIC que nos dava conta da dimensão do problema. O que fez contra isso? Viu os vários casos de violência racista na PSP como episódios ou como sinal de problema estrutural? - Que balanço faz do longuíssimo processo de extinção do SEF? Como se explica esta demora e os efeitos enormes que teve? 9 - Telefonou para a administração da RTP para protestar por causa de um cartoon. Num momento em que falamos tanto de interferência de ministros em empresas do Estadoesta é especialmente preocupante porque não é uma empresa que tutelasaltou por cima do ministro da Cultura e pôs em causa a independência editorial de um órgão de comunicação social públicoainda por cima respondendo a protestos ilegítimos contra a liberdade de expressão e de imprensa. Que garantias temos que este telefonema não será um padrãose for primeiro-ministro? 1.15’ 10 - Votou contra a legalização da eutanásia. Pretende alterar as posições do Partido Socialista nestes temaspara o tornar mais conservadormais próximo da sua linha?