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Catarina Martins: o Bloco é ambíguo sobre a Europa?

Catarina Martins: o Bloco é ambíguo sobre a Europa?

Perguntar Não Ofende · Daniel Oliveira

May 8, 20241h 5m

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Show Notes

Saída da liderança e da Assembleia da República, Catarina Martins é a nova cabeça de lista do Bloco de Esquerda ao Parlamento Europeu. Foi atriz, deputada do partido desde 2009 (como independente, já que só um ano depois passaria a ser militante). A ascenção foi meteórica, chegando à liderança dois anos depois, primeiro a lado de João Semedo, depois sozinha. É com ela que o Bloco chega ao seu melhor resultado de sempre, em 2015. Mas também é com ela que cai para os atuais 4,4%, em 2022. No meio, houve uma geringonça. O Bloco, ao contrário do PS ou do Livre, não se integra no que poderíamos chamar de esquerda europeísta. Mas, ao contrário do PCP, não é abertamente eurocético. Não é que o debate sobre a Europa se esgote nesta fratura simplista, que mais vezes esconde do que revela. Mas parece evidente a ambiguidade do partido sempre que se chega a Bruxelas.

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Catarina Martins: O Bloco é ambíguo sobre a Europa? As primeiras eleições a que o Bloco de Esquerda concorreuem 1999foram as europeias. O cabeça de lista foi Miguel Portas e não foi eleito – viria a ser em 2004. Mas aquele foi o primeiro teste para as legislativas desse mesmo anopara um partido acabado de nascer. Portas foi eurodeputado até 2012ano da sua mortetendo o Bloco chegado a eleger três deputadosem 2009 – o terceiro eleito foi Rui Tavaresque depois saiu do grupo parlamentarmantendo-se no lugar. Depois da morte de Miguel PortasMarisa Matiasque chegou a Bruxelas em 2009passou a ser cabeça de lista até às últimas eleições europeias. Ou sejaem duas décadasBloco só teve dois cabeças de lista. Chegou mais uma vez a mudança e a candidata também é de peso: Catarina Martins foi atrizdeputado do partido desde 2009 (como independentejá que só um ano depois passaria a ser militante). A ascenção foi meteóricachagando á liderança dois anos depoisprimeiro a lado de João Semedodepois sozinha. É com ela que o Bloco chega ao seu melhor resultado de sempreem 2015. Mas também é com ela que cai para os atuais 44%em 2022. No meiohouve uma geringonça. Saída da liderança e da Assembleia da Repúblicaé a nova cabeça de lista do Bloco de Esquerda ao Parlamento Europeu. O Blocoao contrário do PS ou do Livrenão se integra no que poderíamos chamar de esquerda europeísta. Masao contrário do PCPnão é abertamente eurocético. Não é que o debate sobre a Europa se esgote nesta fratura simplistaque mais vezes esconde do que revela. Mas parece evidente a ambiguidade do partido sempre que se chega a Bruxelas. 1 – O Bloco acusou PS e PSDque recusaram modelo de 28 frente a frente televisivos para eleições europeusde se esconderem. Não é estranho passar o mês que falta para as eleições fechado em estúdio e com nenhum tempo ou atenção para as iniciativas de campanha? Não estaríamos a fazer uma democracia de estúdioonde os temas e agenda não são decididos pelos candidatos mas pelos moderadores? 2 - A Catarina teve o melhor resultado do Blocoe único acima dos 10% em legislativasmas também um dos pioresem 2022do qual o partido não recuperou dois anos depois. Hojeo Bloco parece valer menos do que em 2019quando elegeu dois eurodeputados. Quais são as metas para as eleições de junho? - Não temem o efeito do Livredepois d bom resultado daquele partido? 3 - Catarina Martins era líder do Bloco até há um ano. Candidata-se agora às europeiasum dos lugares mais cobiçados no sistema político. É uma espécie de reforma douradadeixando de contar para as contas políticas nacionais? - Substitui Marisa Matiaseurodeputada durante doze anos e que também foi candidata presidencial em 2017 e 2021. Não há aqui um problema de renovação no Bloco? 15’ 4 - O Bloco de Esquerda defendeunuma reunião da Mesa Nacional de 2017que “é urgente preparar o país para o cenário de saída do euro ou mesmo de fim do euro”. De lá para cá a posição foi sendo cada vez mais ambígua e parece ter desaparecido do discurso do Bloco. É por acharem que as condições que levaram a essa análise estão ultrapassadasou por notarem que é um discurso impopular? - A reestruturação da dívida parece ter seguido o mesmo caminho. À medida que a dívida pública foi descendo radicalmentecomeçando logo nos governo da geringonça apoiado pelo Blocoo partido foi deixando essa exigência sair do centro do seu discurso. Centeno e Medina tinham razão? Era possível descer a dívida sem reestruturação? 5 – Ao que tudo indicaa extrema-direita será uma das forças vitoriosas destas europeias. O que é que a esquerda pode fazer para canalizar o descontentamento popular para um projeto de solidariedade e não de exclusão? Onde é que a esquerda tem falhado? - O crescimento da extrema-direitano Parlamento Europeu e a nível nacional poderá significar uma alteração de compromissos da Uniãocomo o Pacto Ecológico Europeua questão das migrações ou o apoio à Ucrânia. Nos dois primeirosde restojá está em contraciclo. A esquerda está condenada a ser derrotada pela agenda das forças conservadorassem conseguir impor a sua? - Um argumento central da extrema-direita é o ataque aos imigrantes. Mas isso não nos deve impedir de fazer um debate sério sobre a imigração. Não lhe vou perguntar se quer portas fechadas ou escancaradasmas separa alem da defesa dos direitos dos imigrantesencontra uma solução para a provável intensificação dos fluxos migratórios por causa das alterações climáticas. É comportável não gerir estes fluxos? A Europa aguentaaté politicamenteuma pressão tão repentina? Imagino que me diga que a solução não é o pacto das migraçõesagora aprovado. Mas é qualentão? 30’ 6 - No Manifesto das Europeias de 2019 o Bloco tem um capítulo sobre a necessidade de descarbonizar economia. No entantoo Bloco opõe-se à extração de lítio em Montalegreà sua reconversão em energia em Sinesé contra uma unidade eólica em Mirandela porque há gravuras a alguns quilómetros e até as centrais solares têm merecido a oposição do Bloco. Como é que vamos fazerentãoa reconversão energéticasem a qual não há descarbonização? - No passadoo Bloco também se bateu contra “as rendas na energia”os mesmos contratos quehojecom aumento exponencial do gáspermitem a Portugal ter a energia elétrica mais barata da Europajuntamente com Espanha e países escandinavos. Não há aqui um padrão? - Depois das manifestações de agricultoresa Comissão Europeia recuou e deixou cair a proposta para reduzir o uso de pesticidas. Uma vitória dos partidos conservadores e de extrema-direitaque secundam protestos que visam aligeirar as exigências ambientais europeias. Masainda assimo Bloco tem apoiado estas manifestações. Esta ambiguidade não prejudica a esquerda e alimenta forças com uma agenda regressiva? 7- O Bloco defende uma Europa centrada em política de cooperação europeia em matérias sociais ou até de grandes investimentos na área transportes. Foi isso que aconteceu com aquisição em bloco das vacinas covidpossibilitando a pequenos paísescomo Portugaluma prioridade no acesso que nunca teriam isoladamente. No entantoreferiu-se a esse momento como uma “cedência às farmacêuticas”. Fica a ideia de que a integração que defendem é sempre outramesmo quando parece respeitar o que o Bloco defende. 8 – O Bloco propôsnas legislativasa “defesa do desarmamento negociado e multilateral”. Poucos dias depois da invasão da Ucrânia pela Rússiaa Catarina defendeu que “à Ucrânia possa ter um estatuto de facto congénere ao da Finlândia”. A Finlândiaentretantoaderiu à NATO. Se não querem depender dos Estados Unidosa ameaça do expansionismo russo não implica uma organização de defesa europeia? Faz sentido falar de desarmamento quando essa ameaça nunca foi tão real? 45’ 9 - Voltemos a Portugal. O Governoque nas palavras de Sebastião Bugalho teve uma “vitória convincente e maioria clara”continua sem conseguir aprovar ou rejeitar o que quer seja no Parlamento. Foi assim no IRS e foi assim nas portagens das Scuts. Estamos numa situação de ingovernabilidade? E ela não é perigosa para a democracia? - A direita tem uma ampla maioria parlamentar em matérias fiscaisserviços públicos e em políticas chave como a habitação. O Blocoque com esta maioria perdeu relevânciaconvocou os restantes partidos de esquerda para uma série de encontros que configuram uma espécie de discussão previa para futuros acordos. Mas quais e comotendo a esquerda uma posição minoritária? Deve+ ter tradução eleitoral em autárquicas e presidenciais?