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André Carrilho, António, Cristina Sampaio e Nuno Saraiva: o cartoon ofende?

André Carrilho, António, Cristina Sampaio e Nuno Saraiva: o cartoon ofende?

Perguntar Não Ofende · Daniel Oliveira

July 18, 20231h 37m

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Show Notes

31 anos desde que 28 mil portugueses assinaram uma petição contra um cartoon em que António enfiou o nariz de João Paulo II num preservativo, oito anos desde que milhões de europeus disseram “Je suis Charlie", poucas vezes se deve ter falado tanto de cartoons em Portugal como no último mês. É sobre ele, mas também sobre indignação, tentativas de censura e as redes sociais que conversamos com a sua autora Cristina Sampaio, André Carrilho, António e Nuno Saraiva. Quatro dos melhores cartunistas portugueses. Cristina Sampaio começou a ilustrar livros infantis e a fazer ilustração e cartoons na imprensa em meados dos anos 80, com presença regular no Independente, Expresso e Público e, a nível internacional, no Boston Globe, Washington Post, Wall Street Journal e New York Times. Com ilustrações e cartoons publicados no Diário de Notícias, o grosso do trabalho de André Carrilho tem sido editado internacionalmente, na The New Yorker, Vanity Fair, The New Statesman, The New Republic ou Harper's Magazine. Publicou livros de ilustração e infantis. Nuno Saraiva concebeu, com Júlio Pinto, a Filosofia de Ponta, publicada semanalmente no Independente e posteriormente editada em livro. É ilustrador regular em jornais como o Público e o Expresso e autor de várias capas ou ilustrações para livros. O nome de António confunde-se com o do Expresso, onde publica regularmente há 49 anos, e com a própria democracia portuguesa. Colaborou com o Diário de Notícias, A Capital e a Vida Mundial, sendo publicado de forma regular por algumas das mais destacadas publicações internacionais.

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André CarrilhoAntónioCristina Sampaio e Nuno Saraiva: o cartoon ofende? Já passaram 31 anos desde que 28 mil portugueses assinaram uma petição contra um cartoon em que António enfiou o nariz de João Paulo II num preservativocriticando as declarações do Papa numa visita a um continente africano arrasado pelo HIV. Mas só passaram oito desde que milhões de europeus disseram “Je suis Charlie"depois de um ataque terrorista islâmico que matou 12 pessoas em Paris em vingança contra os cartoons publicados no jornal satírico Charlie Hebdoconsiderados blasfemos. Talvez a solidariedade tenha resultado da brutalidade criminosa da reação ou porque o alvo eradesta vezoutra religião. A verdade é que o mesmo António foi acusadohá quatro anosde antissemitismo pelo liberal New York Times por ter representado o líder de extrema-direita Bejamin Netanyau como um cão de Trump e posto um kipá na cabeça do então presidente dos Estados Unidos. Mas poucos vezes se deve ter falado tanto de cartoons em Portugal como no último mês. Primeirofoi a indignação com um cartoon contra a António Costada autoria de um professor e exibido numa manifestaçãoconsiderado racista por muitos. Depoisfoi o cartoon de Cristina Sampaioque foi divulgado na RTPem que um políciatreinando numa carreira tiroera tão mais certeiro quando mais escruto era o seu alvo. Desta veza critica não era porque o cartoon era racistaera porque criticava o racismo das forças de segurança. Apesar do alvo da critica ser a polícia francesafoi a portuguesa que enfiou a carapuça. Depois do Chega e do PSD terem exigido a presença dos responsáveis no parlamentoo ministro da Administração Interna telefonou ao Presidente da RTPexigindo responsabilidades e pedindocitosentido de responsabilidade para que “a liberdade de expressão não coloque em causa a imagem e o prestígio das instituições”. Afirmação saída da boca de um democrata que deixaria no desemprego qualquer cartoonista decente. Pelo seu poder metafóricoos cartoons sempre foram uma arma capaz de criar ondas de indignação. Num tempo que a vontade de chocarpor vezes de forma vaziase generalizou através das redes sociais e em que a indignação passou a ser o estado natural das opiniões públicasnão é certo que todos saibam o espaço que esta forma poderosa de crítica socialcultural e política continua a ter. Num tempo em que algum excesso de correção na linguagem convive com a vulgarização do insulto e do preconceitoos cartoonistas podem ser apanhados em fogo cruzado. A partir do episódio envolvendo uma cartoonista nacional vamos passar a próxima hora a falar disto tudo. E tenho um painel de luxojuntando quatro dos melhores cartoonistas portugueses. Começo pela protagonista desta polémicaCristina Sampaio. Começou a ilustrar livros infantis e a fazer ilustração e cartoons na imprensa em meados dos anos 80com presença regular no IndependenteExpresso e Público ea nível internacionalno Boston GlobeWashington PostWall Street Journal e New York Times. Com ilustrações e cartoons publicados no Diário de Notíciaso grosso do trabalho de André Carrilho tem sido editado internacionalmentena The New YorkerVanity FairThe New StatesmanThe New Republic ou Harper's Magazine. Publicou dois livros de ilustração. Nuno Saraiva concebeucom Júlio Pintoa Filosofia de Pontapublicada semanalmente no Independente e posteriormente editada em livro. É ilustrador regular em jornais como o Público e o Expresso e autor de várias capas ou ilustrações para livros. O nome de António confunde-se com o desta casao Expressoonde publica regularmente há 49 anose com a própria democracia portuguesa. Colaborou com o Diário de NotíciasA Capital e a Vida Mundialsendo publicado de forma regular por algumas das mais destacadas publicações internacionais. Todos ganharam bastantes prémiosmas ele é o único comendador neste estúdio. 1 – CS – Cristinaestavas à espera desta reação? Achaste que não se perceberia que o cartoon era sobre França? - CS - E se fosse sobre Portugalfarias na mesma? – CS – Os cartoonistasem geralnão adoram explicar o conteúdo dos seus cartoons. Em princípio eles falam por si. Achas que há um racismo estrutural nas forças policiais? CS* - Compreendes que os polícias se sintam ofendidos? 20’ 3 – AC – Andréantes de tudoexplica-me o que é a Spamem que este cartoon se inclui. AC - A Direção Nacional da PSP disse que vos ia pôr um processo-crime. Olhando para as decisões do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos e tendo em conta que o alvo deste cartoon nem era a polícia portuguesanão estou a ver como podem vencer este processo. Porque achas que avançam na mesma? Para amedrontar? NS – Nunoa Direção Nacional da PSP já tinha anunciado com um processo contra o Inimigo Público por causa de um cartoon também sobre a PSP e também sobre racismo. Sendo o Inimigo Público uma pequena publicaçãoé por vos saberem frágeis que fazem estas ameaçasesperando que da próxima vez hesitem na critica? Resulta? 30’ 4 – A – Antóniofizeste críticas ao cartoon de um professor sobre António Costa. Antes de tudoo que distingue um cartoon como aqueles do que estamos a debater? Há uma diferença entre cartoon numa manifestação ou num jornal? É o próprio cartoon? A* - E o que distingue a indignação que muitas pessoas transmitiram com a tentativa de censura? Incomoda-te que um cartoon teu cause indignação? 40’ 5 – CS – O Chega e o PSD quiseram que os responsáveis fossem ao parlamento. O ministro da Cultura defendeu a liberdade de expressãomas o ministro da Administração Interna telefonou ao presidente do Conselho de Administração da RTP. Trabalhando o vosso coletivo com a RTPconsideras isto uma forma de pressão para a censura? AC* – O ministro disse que a liberdade expressão não podia pôr em causa a imagem das instituições? Nem preciso de pedir para reagires a esta frasede tal forma ela é o oposto da defesa da liberdade de expressão. Achas que este sentimento é comum em Portugal? 50’ 6 – AC* – Como disse na introduçãoo ataque ao Charlie Hebdo levou a uma enorme solidariedade e consenso em torno da liberdade de expressão. Não foi um pouco enganadoramais resultante do choque com o atentado do que de um verdadeiro consenso em defesa da critica à religião? 55’ 6 – A – Deves ter sido dos primeiros cartoonistas a ver-se envolvidoem Portugalnuma polémica de grandes dimensõescom o preservativo no nariz do Papa. Sentes que alguma coisa mudoudesde essa altura... A – Em 2019o teu cartoon em que Netanyau aparecia como um cão – a representação animal de políticos é comum e não foi um exclusivo do professor que causou polémica –com o símbolo de Israel que também é um símbolo de todos os judeus e Trump usava um kipá levou a uma reação violenta do New York Times. Há interditos diferenciados conforme os alvosaté religiosos? Faz sentido havertendo em conta a história dos judeus e do Holocausto? 100’ 7 – NS* – Com o crescimento da extrema-direitasentes que as coisas são hoje mais difíceis do que antes? NS* – O vosso trabalho pode ser muitas vezes chocar as pessoas. Mas com a violência das redes sociais não se tornou cada vez mais difícil chocar? Ou o oposto: o choque e a indignação tornaram-se cada vez mais banais e por isso menos interessante? CS* – Fala-se muito do politicamente correto e da censura. Também o sentem? 1.15’ 8 – A* - Saindo um pouco do nosso tema de hojecom a crise da imprensa o vosso trabalho também está em crise? É fácil fazer a transferência do papel para o digital? 9 – AC** – Uma última pergunta: a inteligência artificial pode tirar-vos parte do trabalho? 1.25’cristina sampaionuno saraivaportugalcartoonsofensapolémicaracismodebateilustraçãopolíticapoliticamentecorretopolíciasdaniel oliveiraexpressojornal