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Ana Sofia Antunes: a deficiência ainda é motivo para humilhação e insulto?

Ana Sofia Antunes: a deficiência ainda é motivo para humilhação e insulto?

Perguntar Não Ofende · Daniel Oliveira

February 25, 20251h 19m

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Show Notes

A deputada Diva Ribeiro, do Chega, reagiu a uma intervenção de Ana Sofia Antunes, dizendo que era curioso que a deputada do PS só conseguisse intervir em assuntos que envolve, infelizmente, a deficiência. Rita Matias voltou à quadra, tentando associar a deputada a uma política identitária, que faria os deputados negros falarem de racismo, os portadores de deficiência sobre deficiência e por adiante. Dá-se o pormenor de, em 15 intervenções que Ana Sofia Antunes fez nesta legislatura, aquela ter sido a primeira sobre deficiência, apesar de, tendo sido secretária de Estado da Inclusão, seria normal que assim não tivesse acontecido. Ana Sofia Antunes é advogada de profissão e foi secretária de Estado da inclusão nos vários governos de António Costa, o que fez que, apesar de ter sido eleita deputada em 2019, só tenha exercido o cargo a partir desta legislatura. Apesar da afirmação do Chega e do seu percurso na defesa dos direitos das pessoas com deficiência, as suas intervenções no parlamento não têm sido sobre este tema, mas sobre imigração e segurança, assuntos que até têm estado na ordem do dia e a que o Chega dá bastante atenção, não lhe tendo seguramente passado desapercebidas as intervenções da deputada.

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Ana Sofia Antunes: A deficiência ainda é motivo para humilhação e insulto? Na semana passadaa deputada Diva Ribeirodo Chegareagiu a uma intervenção de Ana Sofia Antunesdizendo que era curioso que a deputada do PS só conseguisse intervir em assuntos que envolveinfelizmentea deficiência. Rita Matias voltou à quadratentando associar a deputada a uma política identitáriaque faria os deputados negros falarem de racismoos portadores de deficiência sobre deficiência e por adiante. Dá-se o pormenor deem 15 intervenções que Ana Sofia Antunes fez nesta legislaturaaquela ter sido a primeira sobre deficiênciaapesar detendo sido secretária de Estado da Inclusãoseria normal que assim não tivesse acontecido. Depois distocomo se sabeo ambiente aqueceu. Aberraçãodrogadapareces uma mortaforam alguns dos insultos vindos da bancada do Chega. Não foram novos. Desde que este partido chegou ao parlamento que a incivilidade tomou conta do hemiciclo. A postura mais tolerante do novo presidente da Assembleia da República não parece ter acalmado a bancadaempoderada por forte crescimento eleitoral. Pelo contrário. A intimidação de oponentes nos debates parlamentarestelevisivos ou em redes sociais e a estratégia de degradação da imagem da Assembleia da República e de todas as instituições democráticas reforçaram-sesem que a segunda figura do Estado pareça disponível para usar os instrumentos que o regimento lhe oferece ou para debater regras mais apertadas. A disciplina que se exige nas salas de aulaso respeito pelas regras que se usa para atacar minorias e imigrantestudo isto parece poder ficar á porta do Parlamento. Se os eleitores não punem pelo votonão há limites para o eleito. Assim parece pensar Aguiar-Branco. Ana Sofia Antunes é advogada de profissão e foi secretária de Estado da inclusão nos vários governos de António Costao que fez queapesar de ter sido eleita deputada em 2019só tenha exercido o cargo a partir desta legislatura. Foi presidente da Associação dos Cegos e Amblíopes de PortugalACAPOentre 2013 e 2015. Apesar da afirmação do Chega e do seu percurso na defesa dos direitos das pessoas portadoras de deficiênciaas suas intervenções no parlamento não têm sido sobre este temamas sobre imigração e segurançaassuntos que até têm estado na ordem do dia e a que o Chega dá bastante atençãonão lhe tendo seguramente passado desapercebidas as intervenções da deputada. E é coordenadora da Comissão de Assuntos Europeus. Passaremos por tudo isto – imigraçãosegurança e Europa – na próxima hora. Mas começamos pelo episódio que deu centralidade à deputada Ana Sofia Antunesna semana passada. 1 - Em 15 intervenções que fez desde que assumiu o lugar de deputadauma foi sobre deficiência. Acha que a acusação do Chega de que o PS só a usa para falar de deficiência foi má-fé ou distração? 2 - Como explica esse comportamento? Atacar alguém pela sua deficiência não é propriamente uma coisa popular... - Aquele tipo de afirmação é comum na sociedade? 3 - Sabe se os insultos lhe eram dirigidos? Os deputados do Chega dizem que era para a deputada Isabel Moreira... - Diz que não foi o pior que já ouviu? 15’ - É falta de educação ou estratégia? O que acha que o Chega pretende com este tipo de comportamento? Ele distingue-se de momentos mais quentes e por vezes com insultos do passado? 4 - Acha que o presidente da Assembleia da República tem a melhor abordagem a este problema? - As regras deviam mudar? As sanções? - Porque é que o julgamento dos eleitores não chega? 5 - Não é invisual de nascença. Que dificuldades específicas num país pouco preparado para dar acesso a todos à informaçãoformação e trabalho enfrentou? 30’ - E na políticahouve barreiras? Mesmo a Assembleia da República está preparada? 6 - Percebi quando a convidei para esta entrevista que não tinha grande vontade de centrar a conversa no facto de ser invisual. Tem receio de parecer que dá razão à conversa do Chega? Acha que pode haver a ideia de que é deputada para preencher essa quota e não reparem nas suas capacidades políticasque a generalidade dos deputados sublinharamdepois deste incidentealiás... - Ainda assimsendo o parlamento um lugar de representação da sociedadeé importante haver portadores de deficiência sensíveis aos problemas específicos. Foi secretária de Estado da inclusãona realidade e presidente da ACAP. Ou sejase a afirmação de Rita Matias e Diva Ribeiro fosse verdadeira não seria justa na mesma... - Este ataque de que foi alvo não contribui para que se torne porta-voz política das pessoas portadoras de deficiência? - Acha que as pessoas ainda têm mais pena do que respeito pelos portadores de deficiência? 45’ 7 - Os temas que tem tratado no parlamento são a imigração e a segurança. Desde que começou a tratar o tema mudou o ambiente político e social em torno da imigração (e da segurança também). Acha que mudou por causa do Chega ou por causa do aumento exponencial do número de imigrantes? 8 - Concorda com a posição do líder do seu partido sobre a manifestação de interesses? - Precisamos de imigrantes eao mesmo tempoo aumento exponencial da imigração tem impacto social e político. Como se casam estas duas realidades? - Não há o risco de os imigrantes servirem de regulador dos salários? A esquerda não tem um discurso próprio sobre imigração que se distancie do olhar liberal? - Um discurso de esquerda não é seguramente a de dizer que eles têm de aceitar os nossos valorescomo disse o secretário-geral do PScomo se esses valores fossem únicos para além do que está na lei... 1.00’ 9 - A maioria dos portugueses concordou com a ação da polícia no Benformoso. A esquerda está divorciada dos portugueses em relação à perceção de insegurança e do que explicam deve fazer? - Acha que está a existir uma instrumentalização da polícia ou que hámesmo no comando da políciase sentimentos contrários ao Estado de Direito e a tolerância? 10 - É coordenadora da Comissão dos Assuntos Europeus. Para fazermos uma entrevista sobre o tema precisaríamos de mais uma hora. Mas não posso deixar de lhe fazer esta pergunta: perante a intervenção de J.D.Vance e o comportamento dos Estados Unidos com a Ucrâniaa Europa deve ter uma política de defesa autónomaà margem da NATO? - Não teme dar mais poderes a uma União cada vez mais dominada pela extrema-direita? 1.15’