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Sandra Fernandes | Quando acaba a guerra?

Sandra Fernandes | Quando acaba a guerra?

Pergunta Simples · Jorge Correia

October 19, 202232m 45s

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Show Notes

O medo do nuclear, a derrota de Putin, a propaganda e o jogo dos espiões. Um olhar sobre a dinâmica e a comunicação da guerra na Ucrânia. A maneira como as forças em confronto usam a comunicação para influenciar o curso da guerra. Sandra Fernandes é professora de Relações Internacionais e estudiosa da Rússia e saberes na área da guerra híbrida que hoje vivemos. O mundo está incerto. O discurso público é cada vez mais um sinal dessa incerteza. Dessa dúvida. Desse não dito. Como se não dizer apagasse os factos. O mentir fosse uma nova forma de fingir verdades enganadoras. Nesta edição voltamos olhar a guerra. A tentar antever para além do fumo e da poeira. A poeira real e a percecionada. Vamos às perguntas? Quando acaba a guerra? Como acaba a guerra? Quando voltamos a ter paz? Como este é um ‘podcast’ de perguntas simples hoje dedico-me a fazer as mais diretas, fáceis e óbvias. As respostas podem ser mais complicadas. Ficou-me por estes dias uma frase do historiador Timothy Snyder citado por Teresa de Sousa no jornal Público. “No princípio, ninguém conseguia imaginar que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia poderia começar. E, no entanto, começou. E agora ninguém consegue imaginar como é que vai acabar. E, no entanto, acabará.”Timothy Snyder As guerras começam sempre por uma decisão política e terminam exatamente da mesma forma. Seja por acordo, seja por rendição. A história está repleta de exemplos desta dinâmica. Na edição de hoje falámos de comunicação, de propaganda, de verdade e de perceções. Tudo misturado. Os discursos políticos sobre a guerra vão variando conforme a situação no terreno. O que está a acontecer ou não está a acontecer é sempre objeto de uma cuidadosa e sistemática manipulação comunicacional. Seja pela divulgação ou pela ocultação de factos. Seja pela inclusão de fórmulas de retórica, ameaça ou diminuição do outro lado. Com tanta incerteza floresce a ciência certa da propaganda, das notícias falsas ou claramente tendenciosas. Proponho que percam uns minutos a ler a opinião dos jornais ou os comentadores de televisão. Escolham os mais aguerridos. Os mais próximos ou opostos de um determinado facto. E ouçam com atenção. Não com vontade de contrariar ou seguir a tese do comentador, ou líder. Ouçam com pensamento crítico. Verifiquem os factos lendo peças jornalísticas de jornais de referência. E muitos dos factos jurados como reais são afinal tigres de papel usadas para criar perceções nos mais distraídos. O discurso do uso potencial de uma arma nuclear, o corte do gás, as narrativas do tipo da guerra fria, com apelos a armar-nos até aos dentes, são bons exemplos do efeito da comunicação interessada e nada neutra na nossa vida. Para perceber a esta guerra, o está por de trás dela e como se encontra o caminho da paz, conversei com Sandra Fernandes, professora de Relações Internacionais e estudiosa da Rússia e saberes na área da guerra híbrida que hoje vivemos. Numa palavra, o conflito aberto hoje em curso na Europa trouxe uma surpresa diária. Como é fácil perceber Sandra Fernandes mantém contactos com colegas cientistas sociais na Rússia e por isso escolhe proteger a sua identidade e até o que muitos podem pensar, mas tem de calar. Talvez a coisa principal que se joga hoje na Ucrânia, tal como outrora noutros movimentos militares, é a liberdade. A liberdade de autodeterminação. De expressão e ter uma vida em paz. Sem liberdade toda a comunicação é mera caixa de ressonância. Ou de silencio forçado, ou cúmplice. E falar aberta e livremente é vital para o nosso modo de vida.