PLAY PODCASTS
Adélio Mendes: “A extração de lítio em Portugal é um engano, as reservas são pequenas e os custos de extração enormíssimos”

Adélio Mendes: “A extração de lítio em Portugal é um engano, as reservas são pequenas e os custos de extração enormíssimos”

O Futuro do Futuro · Pedro Miguel Coelho

February 27, 20241h 0m

Audio is streamed directly from the publisher (traffic.omny.fm) as published in their RSS feed. Play Podcasts does not host this file. Rights-holders can request removal through the copyright & takedown page.

Show Notes

Adélio Mendes considera que a extração de lítio que tem sido projetada para o norte de Portugal não é economicamente viável e considera que é chegada a hora de apostar na extração do lítio a partir do mar. Em entrevista ao Futuro do Futuro, o cientista - que é também um campeão das patentes - estende as críticas aos projetos relacionados com o hidrogénio em Sines e deixa reparos ao impacto ambiental dos carros elétricos. Para a história fica a venda de uma patente por cinco milhões de euros, que hoje é possivelmente o recorde das universidades portuguesas.

See omnystudio.com/listener for privacy information.

Topics

Adélio Mendes considera que a extração de lítio que tem sido projetada para o norte de Portugal não é economicamente viável e considera que é chegada a hora de apostar na extração do lítio a partir do mar. Em entrevista ao Futuro do Futuroo cientista - que é também um campeão das patentes - estende as críticas aos projetos relacionados com o hidrogénio em Sines e deixa reparos ao impacto ambiental dos carros elétricos. Para a história fica a venda de uma patente por cinco milhões de eurosque hoje é possivelmente o recorde das universidades portuguesas.Adélio Mendes: “A extração de lítio em Portugal é um enganoas reservas são pequenas e os custos de extração enormíssimos”Adélio Mendesprofessor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP)confessa-se entusiasta das energias renováveismas não abdica da capacidade crítica sobre alguns projetos que têm em vista colocar o País no mapa das baterias de nova geração. “A extração de lítio em Portugal é um engano. As reservas em Portugal são pequenasos custos da extração são enormíssimosé uma extração que precisa de ser subsidiada para ser viável economicamente. E nós olhamos para o mar e temos milhares de vezes mais de lítio dissolvido na água do mar à espera de ser recolhido”responde o cientista em entrevista ao Futuro do Futuro.Também no que toca o uso do hidrogénio como vetor que armazena e permite transportar energiaAdélio Mendes é especialmente críticodevido aos custos implicados. “É um mau vetor energético”reitera o cientista. Segundo as estimativas que realizouo projeto de produção e transporte de hidrogénio entre Sines e a Holanda terá sempre de debater-se com o custo da liquefação. “O processo de liquefação faz com que se gaste o correspondente a 36% da energia do próprio hidrogénio”refere Adélio Mendesapontando o metanol como alternativa menos onerosa.Numa entrevista que começa em cerveja e acaba num novo método de extração de dióxido de carbono para a produção de carvão e hidrogénioo cientista portuense que hoje tem o nome em 35 famílias de patentes explica quais os métodos a que recorre quando quer potenciar ideias luminosase dá a conhecer os projetos de desenvolvimento de painéis fotovoltaicos para espaços interiores e também a corrida a novos materiaiscomo a perovskitapara painéis fotovoltaicos que eventualmente poderão superar os 32% do limite atual da captação de energia solar. É também por questões ambientais e de eficiência energética que o investigador revela reticências quanto aos carros elétricosque prefere descrever como carros a pilhasdevido às baterias que transportam. O reparo é essencialmente dirigido aos carros com baterias de lítio que têm “uma potência absolutamente brutal que não é precisa”mas por outro lado não têm “o armazenamento de energia que gostaríamos que tivesse”. Para garantir uma maior autonomiaas baterias dos automóveis terão de assumir um peso superior ao peso das pessoas transportadas. “ E o impacto ambiental passa a ser muito grande”acrescenta Adélio Mendesindicando as baterias de sódio como potencial solução para este problema.Num dos projetos mais bem-sucedidos do currículoo cientista recorda como foi transacionada aquela que éprovavelmentea patente mais valiosa que alguma vez saiu de uma universidade portuguesa. Em causa estava um novo método de solda de painéis fotovoltaicos que tinha como atrativo o facto de não precisar de recorrer a temperaturas de 250 graus.“Os australianos chegaram à nossa beira e disseram assim: “Damos 5 milhões de euros se vocês soldarem a 120 graus””lembra o professor da FEUP que estará entre os mais prolíferos autores de patentes das universidades nacionais. Para os desafios que costumam ser colocados no podcast Futuro do FuturoAdélio Mendes trouxe um som que tem por base dados recolhidos pela Sonda Solar Parkere ainda uma imagem ilustrativa da epopeia portuguesa do Descobrimentosque só se tornou possível com “tecnologiapreparação de recursos humanos altamente qualificadosdesenvolvimento de métodos de navegação dez vezes mais precisos do que a concorrênciaaprovisionamento de matérias-primasconservação dos alimentos e financiamento das operações”.