
O Assunto
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Ep 1382O pior incêndio da história de Los Angeles
Mais um evento climático extremo devasta a paisagem natural e desaloja milhares de pessoas. Há dias, a cidade famosa no mundo inteiro por sediar os mais importantes estúdios de cinema arde em chamas – algumas delas com altura superior a 12 metros. Mais de 150 mil pessoas tiveram que deixar suas casas por causa do fogo e cinco morreram. É comum que essa região da Califórnia enfrente incêndios florestais. O problema é que eles têm ficado cada vez mais frequentes, incontroláveis e avassaladores por causa das mudanças climáticas. De acordo com um estudo publicado na revista Science, desde 2020, as queimadas passaram a se espalhar quase quatro vezes mais depressa do que há 20 anos Neste episódio, Natuza Nery conversa com a cineasta brasileira Luiza de Moraes, que mora no bairro que é o epicentro do incêndio em Los Angeles – ela gravou sua entrevista do alto do telhado de uma casa que não fora atingida pelo fogo. Luiza, que vive desde os 7 anos na cidade, relata que teve que deixar sua própria casa depois que as chamas chegaram à vizinhança e tomaram alguns imóveis. Participa também do episódio a jornalista Ligia Modena, que viu de cima o rastro de destruição do fogo: ela voltou a Los Angeles, onde mora há 5 anos, de avião durante o momento mais crítico do desastre.

Ep 1379A retórica do medo de Trump
Desde que foi eleito novamente presidente dos Estados Unidos, Donald Trump sobe o tom gradativamente nas provocações. A mais recente delas foi na própria rede social do republicano, onde publicou a imagem de mapas que dão a entender que o Canadá fora incorporado ao território dos EUA – isso depois de sugerir que o país vizinho deveria se tornar o “51º estado” americano. Não é a única bravata de Trump nesse sentido. Ele diz que os EUA devem recuperar o controle do Canal do Panamá (ponto estratégico que liga os oceanos Atlântico e Pacífico) e insiste na proposta de comprar a Groelândia junto à Dinamarca (trata-se da maior ilha do mundo, rica em recursos naturais). Para viabilizar tudo isso, o presidente eleito colocou as cartas na mesa durante uma entrevista coletiva na terça-feira (7): ameaça usar força econômica, com sanções e tarifas, e não descarta o uso da força militar. Neste episódio, Natuza Nery entrevista Lucas de Souza Martins, professor de História dos Estados Unidos na Universidade Temple, na Filadélfia. Ele traduz quais são os verdadeiros objetivos de Trump na sua estratégia expansionista e analisa como isso move o tabuleiro da geopolítica global.

Ep 1380O cavalo de pau de Zuckerberg em direção ao trumpismo
De supetão, o CEO da Meta apareceu em suas redes sociais com um anúncio de peso histórico: a empresa que controla Facebook, Instagram e WhatsApp vai se livrar dos checadores de fatos e vai colocar a moderação nas mãos dos usuários, em um modelo parecido como faz o X, a rede social de Elon Musk. No vídeo, Mark Zuckerberg disse que se trata de "um momento de voltar às nossas origens em torno da liberdade de expressão" e falou em pressionar governos que, segundo ele, perseguem empresas americanas para implementar mais censura – num esforço conjunto com Donald Trump, que assume a presidência dos Estados Unidos no próximo dia 20. O empresário criticou nominalmente a legislação para redes sociais da União Europeia, que, segundo ele, “institucionaliza a censura”, e os supostos “tribunais secretos” de países latino-americanos, que estariam ordenando “retirar coisas silenciosamente” das plataformas. Para explicar a maior mudança nas políticas de moderação na história das redes sociais, Natuza Nery conversa com Pablo Ortellado, professor de gestão de políticas públicas da USP e colunista do jornal O Globo. Na entrevista, Ortellado também analisa a aproximação de Zuckerberg a Trump e como as novas medidas respingam no Brasil.

Ep 1379Tarifas de ônibus: preço sobe; qualidade, não
Pelo menos sete capitais do Brasil iniciam o ano com reajustes nas passagens de ônibus. Entre elas, São Paulo, onde a tarifa estava congelada desde 2020, mas que, agora, saltou de R$ 4,40 para R$ 5. As outras seis capitais são: Belo Horizonte (MG), Florianópolis (SC), Natal (RN), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ) e Salvador (BA). É de praxe que o aumento das passagens ocorra logo no início do mandato de prefeitos eleitos e reeleitos. E sempre que isso ocorre, as Prefeituras argumentam que é preciso compensar a redução do número de passageiros pagantes, acompanhar a alta no preço do diesel e investir na melhoria dos transportes. Na outra ponta, a dos usuários que dependem diariamente do transporte público, as novas tarifas geram críticas: elas têm impacto alto no orçamento familiar, e o que se vê é que a qualidade do serviço não acompanha a alta dos preços. Para explicar como funciona o orçamento do sistema de transporte e o custo do serviço para a parcela mais pobre da população, Natuza Nery conversa com Léo Arcoverde, repórter da GloboNews. Depois, ela entrevista também o urbanista Roberto Andrés, professor da UFMG e autor do livro "A razão dos centavos: crise urbana, vida democrática e as revoltas de 2013", que avalia os modelos de gestão da rede de ônibus no Brasil, traz exemplos internacionais de cidades bem-sucedidas e aponta o que se pode aprender com os municípios que aplicam a tarifa zero.

Ep 1378O risco à democracia na segunda Era Trump
Em 6 de janeiro de 2021, o mundo assistia incrédulo a cenas de vandalismo e selvageria. O cenário era o Capitólio, em Washington, sede do poder administrativo dos Estados Unidos. Centenas de trumpistas invadiram o local para impedir que o Congresso certificasse a vitória eleitoral de Joe Biden. O epicentro da maior crise na democracia americana foi o próprio Donald Trump, que nunca aceitou o resultado das urnas e convocou seus apoiadores para o ato. Houve depredação, confronto com policiais e troca de tiros. Cinco pessoas morreram. Exatamente quatro anos depois, nesta segunda-feira (6), o Congresso se reúne para oficializar a vitória do republicano, que toma posse em 20 de janeiro. Trump volta à Casa Branca com ainda mais poder: depois de radicalizar na campanha eleitoral e ameaçar as instituições, ele derrotou a candidata democrata, Kamala Harris, no voto popular e ainda conquistou maioria na Câmara e no Senado. Para apresentar as perspectivas do segundo mandato Trump, que está montando um gabinete com seus aliados mais leais e já conhece a burocracia do Estado americano, Natuza Nery conversa com Guilherme Casarões, cientista político, professor da FGV-SP e pesquisador do Observatório da Extrema Direita. Ele avalia também o atual status da democracia nos Estados Unidos.

Ep 1377O ano mais quente da história – até agora
Em 2015, na França, lideranças de quase 200 países assinaram um tratado histórico por um planeta mais sustentável e com menos fumaça. O Acordo de Paris é o documento que até hoje baliza decisões e parâmetros ambientais para atingir a meta estabelecida há quase uma década: limitar o aquecimento global em até 2°C, mas com esforços para que não ultrapassasse 1,5°C. Em 2024, contudo, ultrapassou. De acordo com o serviço de mudança climática do observatório europeu Copernicus, o ano passado foi o primeiro na história a registrar um planeta 1,5°C mais quente do que na média pré-industrial, de 1850-1900, quando as nações industrializadas começaram a explorar combustíveis fósseis. É sob esse pano de fundo que o republicano Donald Trump volta à Casa Branca, com um discurso ainda mais refratário à pauta ambiental do que em seu mandato anterior – quando chegou a tirar os Estados Unidos do Acordo de Paris. Um cenário desafiador que irá exigir ainda mais do Brasil, especialmente porque é o ano em que o país sediará a COP30, em Belém, no Pará. Para explicar o que significa a superação da marca do 1,5°C no termômetro da Terra e analisar como a conjuntura política e econômica interfere nas pautas ambientais, Natuza Nery entrevista Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP e integrante do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU. Neste episódio, ele também alerta sobre quais cidades brasileiras podem chegar a quase 50°C e conta o que disse a Lula e aos chefes dos outros Poderes em 2024.

Ep 1376Congresso em 2025: troca de comando e crise das emendas
Marcadas para 3 de fevereiro, as eleições para o comando da Câmara e do Senado são mera formalidade. Entre os 513 deputados federais, o atual mandatário, Arthur Lira (AL-PP), construiu uma aliança que vai do PT ao PL e soma mais de 480 votos para o seu indicado: o jovem Hugo Motta (Republicanos-PB). No Senado, o nome de Davi Alcolumbre (União-AP) também reúne um arco de apoio entre governo e oposição para substituir seu aliado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) na presidência da Casa – cargo que já ocupou entre 2019 e 2021. Motta e Alcolumbre terão vida fácil para se elegerem, mas enfrentarão o desafio de comandar um Congresso desorientado, depois que o ministro do Supremo Flávio Dino fechou a torneira do orçamento. No fim de dezembro, ele suspendeu R$ 4,2 bilhões em emendas de comissão e mandou a Polícia Federal investigar o destino dos recursos. Para 2025, os repasses só poderão ocorrer caso sigam regras de transparência e rastreamento. “Esse modelo de orçamento secreto extremo está acabando”, avalia o cientista político Fernando Abrucio, que é também professor da FGV-SP, comentarista da GloboNews e colunista do jornal Valor Econômico. Neste episódio, Natuza Nery e Fernando Abrucio analisam a passagem de poder na Câmara e no Senado e projetam como será a relação do Congresso com o Executivo e com o Judiciário sob a nova ordem de liberação das emendas.

Ep 1375Brain rot: a exaustão que marcou 2024
Em dezembro, a tradicional divulgação da palavra do ano pelo Dicionário Oxford definiu “brain rot” como a que mais representa 2024. Trata-se de uma expressão que pode ser traduzida como "podridão cerebral" decorrente do uso excessivo de redes sociais e do consumo de conteúdos considerados pouco desafiadores Oxford justifica a escolha com o boom de procura pelo termo na internet: cresceu 230% entre 2023 e 2024, possivelmente por causa da "preocupação com o impacto trazido por tantos conteúdos de baixa qualidade online". Aqui no Brasil, a palavra eleita como a que melhor define 2024 também tem relação com saúde mental: ansiedade recebeu 22% dos votos de uma pesquisa que ouviu mais de 1.500 brasileiros. Para explicar o que significa "brain rot" e como o uso descontrolado redes sociais pode nos levar à exaustão, Natuza Nery entrevista a psicóloga Anna Lucia Spear King, doutora em saúde mental, professora da pós-graduação do Instituto de Psiquiatria da UFRJ e fundadora do Instituto Delete. Natuza conversa também com Suzana Herculano-Houzel, neurocientista na Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos. Ela explica como o cérebro humano lida com a sensação de recompensa ao rolar o feed e dá dicas do que fazer para tornar a relação com a tecnologia mais saudável.

Ep 1374REPRISE - 30 anos sem Senna, com Galvão Bueno
Nesta sexta-feira (26), O Assunto reprisa um dos episódios marcantes do ano. Na conversa com Galvão Bueno, Natuza Nery faz uma homenagem ao maior piloto brasileiro de todos os tempos. Publicado originalmente em 1° de maio de 2024, no dia em que a morte de Senna completou 30 anos, a conversa com Galvão relembra a batida do piloto, a mais de 200 km/h na curva Tamburello, no Grande Prêmio de San Marino, em Ímola, na Itália. Ícone nacional, o brasileiro ultrapassou as barreiras do esporte e virou referência e inspiração de gerações pelo seu comprometimento com o trabalho, para além de suas inúmeras vitórias. Foi uma sequência de dias marcados por acidentes, como conta Galvão Bueno. No dia anterior da morte de Senna, o austríaco Roland Ratzenberger morreu, o que deveria ter cancelado o GP; dois dias antes, foi Rubens Barrichello quem precisou ser socorrido. O locutor, que virou amigo pessoal de Senna, relembra a manhã do domingo em que o Brasil parou, silenciou e chorou. Era ele quem comanda a transmissão no dia da morte de Senna. Galvão também conta a trajetória de Senna e o legado que ele deixou para o automobilismo mundial.

Ep 1373REPRISE - Silvio Santos, o maior apresentador da TV brasileira
Nesta quinta-feira (26), O Assunto reprisa um dos episódios marcantes de 2024. É uma homenagem a Silvio Santos, apresentador que morreu em 17 de agosto, aos 93 anos. Referência do entretenimento brasileiro, Silvio Santos inspirou comunicadores do país e foi o responsável por reunir famílias para assistir TV nas tardes de incontáveis domingos. Deixou um legado de alegria para os brasileiros. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Serginho Groisman, que trabalhou com o apresentador por oito anos no SBT. Serginho relembra a relação com Silvio Santos, a primeira conversa que tiveram e como o apresentador refutava bajulações. Depois, o convidado é André Barcinski, roteirista da série "O Rei da TV", sobre a vida de Silvio Santos. O jornalista fala da maneira como Silvio tomava decisões, explica como ele conquistou uma conexão única com o público e relembra a trajetória do camelô que virou dono de um império televisivo, com negócios diversificados.

Ep 1372REPRISE - A operação dos EUA contra o golpe no Brasil
Nesta segunda-feira (23), O Assunto reprisa um dos episódios marcantes de 2024. Em conversa com Natuza Nery, Oliver Stuenkel explica como altos oficiais do governo americano agiram ao serem alertados sobre o risco de ruptura democrática no Brasil. Professor de Relações Internacionais da FGV e pesquisador da Universidade Harvard e da organização Carnegie Endowment, Oliver conta como, em agosto de 2021, um alerta soou nos EUA sobre a possibilidade de um golpe por aqui. Na ocasião, o assessor de segurança nacional dos EUA voltava para Washington após uma visita a Brasília que lhe causara preocupação. A atuação dos oficiais dos EUA foi um dos freios que brecaram o que, segundo a PF, foi uma tentativa de golpe de Estado arquitetada por Jair Bolsonaro e aliados. Em novembro deste ano, a PF concluiu o inquérito sobre a trama golpista e indiciar o ex-presidente e mais 36 pessoas.

Ep 1371O governo na encruzilhada do dólar
Alta após alta, o dólar escalou nas últimas semanas. Um movimento que acelerou a partir de 27 de novembro, quando o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi à TV aberta para apresentar o pacote fiscal do governo para fazer o Orçamento caber na meta - o texto enviado ao Congresso previa uma economia de R$ 70 bilhões nos próximos dois anos O anúncio do pacote foi eclipsado pela proposta de isenção de salários de até R$ 5 mil no Imposto de Renda - para os agentes do mercado financeiro, sinalizou falta de compromisso com as contas públicas. "Foi o maior erro do governo até aqui”, afirma Thomas Traumann, jornalista de consultor de risco político. Thomas e Daniel Sousa são os convidados de Natuza Nery neste Assunto a 3. Juntos, eles analisam as turbulências enfrentadas pelo governo na economia e na relação com o Congresso. Daniel, que é comentarista da GloboNews, criador do podcast Petit Journal e professor de Economia do Ibmec, explica os fatores que levaram à deterioração do cenário econômico e como as reações dos agentes financeiros refletem a piora das perspectivas futuras. Thomas descreve as responsabilidades do Congresso e do Judiciário nesta crise e avalia como esta tempestade pode refletir na governabilidade e na popularidade do presidente Lula.

Ep 1370Direto da Antártica: uma expedição inédita
Liderado pelo Brasil, grupo de pesquisadores de todo o mundo todo partiu em viagem para estudar os impactos das mudanças climáticas e como o aumento da temperatura do planeta afeta as geleiras. Uma expedição internacional ao redor da Antártica está atrás de respostas sobre o futuro do planeta. Desde o fim de novembro, cientistas de diversos países embarcaram em um navio que consegue avançar sobre o gelo. Por dois meses, o grupo vai colher materiais e dados para entender os impactos das mudanças climáticas no oceano Austral, que banha o continente gelado, e como o aumento da temperatura do planeta está afetando as geleiras. Quem lidera essa empreitada é o Brasil. E é direto da Antártica, de dentro do navio quebra-gelo Akademik Tryoshnikov, que Jefferson Cardia Simões, professor de glaciologia e geografia polar da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, conversa com Natuza Nery. O coordenador da expedição, que já esteve 28 vezes na Antártica, conta como tem sido a viagem, as impressões após pararem em estações de pesquisa e as mudanças que ele já observou em quase três décadas viajando ao local.

Ep 1369A crise das democracias liberais
O Parlamento da Alemanha aprovou a dissolução do governo do primeiro-ministro Olaf Scholz, após a aliança partidária que o apoiava se desfazer por divergências sobre como revitalizar a economia. Abriu-se caminho, então, para uma nova eleição, que deve acontecer em fevereiro de 2025. Era uma questão de tempo desde que o partido liberal democrata deixou a coalização do governo e Scholz ficou sem maioria parlamentar, no início de novembro. Enquanto isso, na vizinha França, o primeiro-ministro, Michel Barnier, pediu demissão horas depois de uma votação na Assembleia Nacional o afastar do cargo — ele tinha apenas três meses na função. Barnier foi alvo de uma moção de censura — quando deputados podem retirar um primeiro-ministro do cargo. Por trás do mecanismo, algo inédito: uma improvável aliança de esquerda e direita, ambas insatisfeitas. Do outro lado do continente Europeu, é o Canadá, igualmente um país desenvolvido, que dá sinais de crise com seu primeiro-ministro, Justin Trudeau. Parlamentares pediram a sua renúncia, pouco após a vice-premiê e ministra das Finanças, Chrystia Freeland, pedir demissão, mergulhando o Canadá em uma crise política, na qual a situação econômica também pesou. Quem explica como esses cenários se convergem é Thomás Zicman de Barros, pesquisador do Instituto de Estudos Políticos de Paris, Sciences Po. Na conversa com Natuza Nery, ele também fala sobre o peso da economia por trás das quedas e da impopularidade desses líderes e como essas mudanças podem refletir ao redor do mundo.

Ep 1368As vítimas desaparecidas da ditadura
Citando o filme "Ainda Estou Aqui", o ministro do STF Flávio Dino considerou que o Supremo deve discutir se é possível ou não aplicar a Lei de Anistia a crimes que tiveram início na ditadura, mas cujos efeitos ainda se consumam no presente — os chamados "crimes permanentes". "Quem oculta e mantém oculto algo, prolonga a ação até que o fato se torne conhecido", diz o ministro em decisão publicada no domingo. Este é o caso de desaparecidos na ditadura e cujo paradeiro ainda é desconhecido – quase quatro décadas depois do fim do período de repressão. O engenheiro e deputado Rubens Paiva foi torturado e morto pela ditadura em 1971. Seus restos mortais nunca foram encontrados. Eunice Paiva, viúva de Rubens Paiva, esperou 25 anos até conseguir a certidão de óbito do marido. O documento só foi emitido em 1996, um ano depois de o então presidente Fernando Henrique Cardoso assinar a lei 9.140, garantindo a emissão do atestado de óbito de desaparecidos durante o regime militar. Agora, três décadas depois, o Conselho Nacional de Justiça aprovou, por unanimidade, uma resolução determinando que os cartórios do país reconheçam as mortes ocorridas durante a ditadura militar – e retificando as certidões para apontar que a causa real das mortes não foi natural, e sim, o Estado brasileiro. Para falar sobre como essas discussões ganharam espaço enquanto o filme 'Ainda Estou Aqui’ leva milhões de pessoas aos cinemas, Natuza Nery conversa com Eugênia Gonzaga, Procuradora Regional da República e presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Também participa do episódio Rogério Sottili diretor do Instituto Vladmir Herzog.

Ep 1367EXTRA: General Braga Netto preso
Antes das 7h do sábado (14), a Polícia Federal cumpriu o mandado de prisão preventiva contra o general Walter Souza Braga Netto, alvo do inquérito que apura uma tentativa de golpe de Estado. A notícia foi divulgada primeiro pela jornalista Andréia Sadi, convidada de Natuza Nery neste episódio extra gravado horas depois de Braga Netto ser preso pela PF. Segundo a PF, o general tentou obter dados sigilosos do acordo de colaboração de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. E chegou até a enviar dinheiro aos "kids pretos" — grupo de militares de "forças especiais" — em uma sacola de vinho para financiar a execução do plano de golpe. Depois da prisão, a defesa de Braga Netto afirmou que comprovará que o general não atuou para obstruir as investigações do inquérito. Nesta conversa com Natuza Nery, Andréia Sadi narra por que a prisão - decretada ainda no início da semana – foi cumprida na manhã de sábado. Analisa como as investigações apontam Braga Netto como figura importante da trama do golpe fracassado. E avalia os significados do silêncio e “sumiços” de ex-aliados do general.

Ep 1366O choque de juros e a economia em 2025
Na última reunião do Copom com Roberto Campos Neto na presidência do Banco Central – ele será substituído por Gabriel Galípolo, indicado por Lula –, o Conselho decidiu elevar a taxa básica de juros para 12,25% ao ano. A alta de 1 ponto percentual já foi acima do que o mercado esperava, mas a orientação futura foi ainda mais dura: dois novos aumentos, também de 1 p.p. cada, em janeiro e em março de 2025. Diante de um cenário de pleno emprego, consumo em alta e inflação acima do teto da meta, a decisão do Copom busca conter a alta dos preços. Mas, também, reflete o clima generalizado de incertezas com a instabilidade do cenário externo e com a capacidade do governo em cumprir a meta fiscal e controlar a dívida pública. Para entender o que levou o Banco Central a adotar uma postura mais agressiva, Natuza Nery conversa com a economista Zeina Latif, sócia da Gibraltar Consulting e colunista do jornal O Globo. Zeina analisa a escolha do Copom pelo “tratamento de choque” aos juros e a resposta do mercado a isso. Ela também avalia se a alta da Selic será suficiente no esforço de devolver a inflação para dentro da meta e as perspectivas do ciclo monetário para economia real em 2025.

Ep 1365O abacaxi das emendas parlamentares
Na noite da terça-feira (10), o governo publicou uma portaria para viabilizar o pagamento de emendas parlamentares até o fim do ano. O texto visa atender às exigências do Supremo em relação às emendas, sem desagradar parlamentares. A execução das emendas está no centro da queda de braço entre os Três Poderes – e agora o governo federal se vê diante de um Congresso que espera a liberação do dinheiro das emendas para aprovar o pacote de corte de gastos. Para entender o que querem Executivo e Legislativo, e como o Judiciário entra na história, Natuza Nery conversa com Maria Cristina Fernandes. Colunista do jornal Valor Econômico e comentarista da GloboNews e da CBN, Maria Cristina detalha os impasses em torno das emendas e como o governo corre contra o tempo para aprovar projetos e o Orçamento do ano que vem antes do recesso parlamentar.

Ep 1364A saúde do presidente Lula
Durante uma segunda-feira (9) de agenda atribulada, na qual teve até reunião com os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para negociar a votação das pautas prioritárias do governo para este fim de ano, o presidente Lula sentiu um mal-estar. O desconforto cresceu e, devido às dores de cabeça, o presidente foi levado para fazer exames no Hospital Sírio Libanês de Brasília. Foi identificada uma hemorragia intracraniana, reflexo do acidente que Lula sofreu em outubro deste ano, quando caiu e bateu a nuca dentro banheiro do Palácio da Alvorada – a queda foi tão forte que obrigou o presidente a cancelar sua viagem para a Cúpula dos Brics, na Rússia. Levado às pressas para o Sírio Libanês de São Paulo, Lula foi submetido a um procedimento chamado trepanação ainda durante a madrugada. Segundo a equipe médica, a cirurgia correu bem e Lula se recupera da forma esperada: conversando normalmente, se alimentando e com todas as funções neurológicas preservadas. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Daniela Lima, apresentadora e comentarista da GloboNews e colunista do g1. Juntas, elas explicam a relação entre o acidente doméstico de dois meses atrás e a operação de emergência. E analisam a agenda política e as articulações do governo enquanto Lula se recupera.

Ep 1363Síria: os horrores da ditadura e o futuro incerto
Menos de duas semanas após uma ofensiva relâmpago de um grupo rebelde tomar a cidade de Aleppo, o ditador Bashar al-Assad deixou a Síria às pressas e escondido. Desde 27 de novembro, rebeldes do Hayat Tahrir al-Sham (HTS) avançaram pelo território sírio até chegar, sem resistência, à capital Damasco. Assad está asilado em Moscou, país que apoiou seu regime até o último momento. De lá, ele teria ordenado que haja uma "transição pacífica de poder". Em Damasco, Abu Mohammed al-Golani, líder do grupo rebelde HTS, foi aclamado ao fazer o discurso da vitória, na Mesquita de Omíadas – um dos lugares mais sagrados do islamismo. Ele prometeu moderação, mas não deixou claro qual será a composição do novo governo. Neste episódio, Natuza Nery ouve o relato de Germando Assad, jornalista brasileiro especializado em Oriente Médio. Germano, que morou no país entre 2010 e 2011, relembra como era a vida na capital, a dura política de repressão de Bashar al-Assad e os dias em que ficou preso pelo regime. Participa também Guga Chacra comentarista da Globo, da GloboNews e da rádio CBN, e colunista do jornal O Globo, que explica a velocidade da ofensiva dos rebeldes na Síria e faz o perfil do líder al-Golani.

Ep 1362Quando as criptomoedas são usadas pelo crime
Pela primeira vez em seus 16 anos de vida, o Bitcoin superou a cotação de US$ 100 mil (cerca de R$ 604 mil). O Bitcoin é a principal moeda digital de um mercado legalizado que movimentou R$ 363 bilhões apenas entre janeiro e setembro de 2024 no Brasil. Mas algumas características destes “dinheiros eletrônicos” despertam o interesse do crime organizado. Com um mercado complexo e cujas operações não precisam passar por instituições financeiras tradicionais, as criptos representam uma facilidade para quem quer usar um sistema lícito para lavar dinheiro sujo. Para entender por que as criptos têm atraído interesse de quadrilhas especializadas e como outros países lidam com esse problema, Natuza Nery conversa com Renato de Mello Jorge Silveira, presidente do Instituto dos Advogados de São Paulo e professor titular da Faculdade de Direito da USP. Neste episódio participa também Isabela Leite, repórter da GloboNews que acompanha de perto operações de PF que miram criminosos que fazem uso de criptomoedas em esquemas bilionários de lavagem de dinheiro.

Ep 1361Síria: a guerra que ressurgiu
Depois de dominar Aleppo, segundo maior cidade síria, rebeldes do grupo Hayat Tahrir al-Sham avançaram contra Hama nesta quinta-feira (5). Tropas do exército se retiraram da cidade, que desde o início da guerra civil (2011) permanecia sob o poder do governo de Bashar al-Assad. A ofensiva do grupo rebelde conhecido como HTS fez ressurgir uma guerra que permanecia adormecida e que matou mais de 500 mil sírios, além de ter provocado o deslocamento de milhões de pessoas. Para entender como Assad se mantém no poder 13 anos depois do início da guerra civil e relembrar o início do conflito, Natuza Nery conversa com Guga Chacra, comentarista da Globo, da GloboNews, da CBN e colunista do jornal O Globo. O jornalista explica quem é Assad e por que mantê-lo no poder interessa aos governos de EUA, Rússia, Israel e Irã, e como a eclosão de novos combates abala ainda mais o Oriente Médio.

Ep 1360A violência policial em São Paulo
As imagens de um jovem sendo jogado por um PM de uma ponte em São Paulo expõem mais um caso de abuso praticado por alguns agentes de segurança. Um dia antes, outro vídeo mostrou um policial de folga matando, com 11 tiros pelas costas, um homem que havia furtado um mercado. Depois de as imagens virem a público, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse que não há espaço para policiais que cometem abusos. Tarcísio prometeu punição aos envolvidos, e, nesta quarta-feira (4), disse que vai manter Guilherme Derrite à frente da Secretaria de Segurança Pública. Para relembrar casos recentes em que policiais praticaram abusos e qual a resposta dada pelo governo de São Paulo e pela cúpula das polícias do Estado, Natuza Nery conversa com Cíntia Acayaba, coordenadora do g1 São Paulo. Cíntia relembra casos como o do menino Rian, de 4 anos, vítima de um tiro em Santos, e do estudante de medicina morto em uma abordagem policial no fim de novembro. Ela expõe o que os números revelam sobre o status da segurança pública em São Paulo. Natuza fala também com Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, para analisar a política de segurança no Estado.

Ep 1359Coreia do Sul: o autogolpe fracassado
Num pronunciamento surpresa, o presidente sul-coreano Yook Suk Yeol anunciou a implementação de uma lei marcial de emergência no país – uma lei que restringe o acesso a direitos civis, censura a imprensa, proíbe manifestações políticas e substituí a legislação civil vigente pela militar. Yeol justificou a medida dizendo que buscava acabar com as forças pró Coreia do Norte e reestabelecer a ordem constitucional, mas não convenceu nem rivais e nem aliados: juntos na Assembleia Nacional, os deputados votaram para derrubar o decreto do presidente. Em paralelo a tudo isso, as forças militares colocavam tanques nas ruas e fechavam o prédio parlamentar. Enquanto as atenções do mundo se voltavam para a ameaça de autogolpe na Coreia do Sul, Yook Suk Yeol refugou e mandou as tropas recuarem – e a oposição já se adiantou para dizer que é preciso tirá-lo do poder. Para explicar como a crescente tensão entre as duas Coreias e como desgaste interno de um governo altamente impopular culminaram na crise da democracia sul-coreana, Natuza Nery recebe neste episódio Filipe Figueiredo, historiador pela USP, colunista do jornal O Estado de São Paulo e autor do podcast Xadrez Verbal.

Ep 1358Câmeras em policiais: o limbo das imagens
Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), toda ação policial no Estado do Rio de Janeiro deve ser gravada por câmeras corporais – uma determinação que entrou em vigor em maio de 2022. A medida tem objetivos claros: proteger os policiais que agem corretamente e constranger aqueles que cometem irregularidades. E foram episódios como esses, de agentes expostos a riscos e de outros cometendo crimes, que os jornalistas da GloboNews Marcelo Bruzzi e Guilherme Ramalho encontraram em quase 800 processos criminais sobre os quais se debruçaram. Para produzir a série de reportagens “Lente de aumento”, sobre o uso de câmeras corporais pela PM do Rio, eles investigaram por seis meses os registros desses processos – e contam o que de mais importante encontraram nesta conversa com Natuza Nery. Ela entrevista também Daniel Edler, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da USP e da Universidade de Glasgow, que amplia o debate para o âmbito nacional.

Ep 1357A produtividade do Brasil e do brasileiro
Desde a década de 1980, a capacidade da economia brasileira de crescer anda de lado – com momentos de pujança, outros de retração. Um problema que cresce à medida que a população envelhece: no Brasil, o envelhecimento avança num ritmo mais rápido que de outros países, e o total de brasileiros deve começar a encolher já a partir dos anos 2040. Com o fim do bônus demográfico (que é quando a população economicamente ativa é maior que outras camadas da sociedade), para continuar crescendo o país precisa de um novo bônus: o da produtividade. Neste episódio, Natuza Nery entrevista o economista Naercio Menezes Filho, colunista do jornal Valor Econômico, professor titular da Cátedra Ruth Cardoso no Insper e professor associado da Faculdade de Economia e Administração da USP. Ele explica por que a produtividade geral por hora trabalhada no Brasil cresceu menos de 1% ao ano desde 2010 – um problema que passa, sobretudo, pelo nível da educação no país. Naercio aponta também outras economias que superaram o gargalo do fim do bônus demográfico com aumento da produtividade.

Ep 1356Corte de gastos: as reações e o que vem depois
Foram meses de expectativa para que o governo federal apresentasse seu programa para fazer caber no arcabouço fiscal o Orçamento dos próximos anos. Nesta quinta-feira (28), o pacote veio a público, e parte das reações demonstra que as medidas não convenceram o mercado de que a dívida pública brasileira ficará sob controle: a bolsa despencou, os juros futuros dispararam e o dólar chegou a R$ 6 pela primeira vez na história. O aspecto mais crítico do anúncio feito pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi a proposta para isentar salários de até R$ 5 mil do Imposto de Renda sem fonte de receita compensatória crível. Do lado da contenção dos gastos públicos, Haddad prometeu cortes importantes: a meta é entregar uma economia de R$ 70 bilhões entre 2025 e 2026 e de R$ 327 bilhões até 2030. De acordo com a equipe econômica, o esforço fiscal tem como principais fontes uma nova regra para o reajuste do salário-mínimo e do abono salarial, critérios mais rígidos para benefícios sociais, limitações para o crescimento das emendas parlamentares e cortes na previdência dos militares. Todas essas propostas serão submetidas ao Congresso. Para explicar o mau humor do mercado com o pacote fiscal e analisar ponto a ponto o que tem de positivo e negativo nas medidas apresentadas, Natuza Nery entrevista Bráulio Borges, economista sênior da LCA Consultores e pesquisador da FGV-IBRE.

Ep 1354Militares no golpe: o eco autoritário
Mais da metade dos 37 nomes indiciados pela Polícia Federal no inquérito do golpe é de militares. Durante a investigação sobre a trama golpista envolvendo Jair Bolsonaro e o alto escalão das Forças Armadas, a PF obteve áudios que expõem em detalhes o plano para manter o ex-presidente no poder e romper com o Estado Democrático após a eleição de 2022. Conversas que deixam claro como, mais de 30 anos depois do fim do regime militar, o espírito autoritário ainda está presente em parte dos integrantes das Forças Armadas. Para esmiuçar os motivos pelos quais as ideias de ruptura e autoritarismo ainda sobrevivem na caserna, Natuza Nery entrevista Carlos Fico, professor de história do Brasil da UFRJ. E para contextualizar o quanto os áudios obtidos pela PF remetem ao golpe de 1964, Natuza conversa com o advogado José Carlos Dias, fundador da Comissão Arns e ministro da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso. Ele, que durante a ditadura militar foi defensor de presos políticos e atuou diretamente na Justiça Militar, reforça o quanto é preciso ficar vigilante na defesa do Estado Democrático.

Ep 1354Golpe: os detalhes do plano bolsonarista
A Polícia Federal apontou detalhes da trama golpista que envolveu Jair Bolsonaro, militares e aliados do ex-presidente. A investigação coloca o ex-presidente no centro do plano para abolir a democracia, diz que Bolsonaro tinha “plena consciência” e “domínio dos atos”, e explicita o papel de cada um dos 37 indiciados. Nesta terça-feira (26), o ministro do STF Alexandre de Moraes retirou o sigilo do documento de quase 900 páginas, e que agora está nas mãos da Procuradoria-Geral da República. Os detalhes da investigação revelam a existência da “Operação 142”, um plano que terminava com a frase “Lula não sobe a rampa”. Para explicar os novos detalhes descobertos a partir do fim do sigilo do inquérito, Natuza Nery conversa com César Tralli. Apresentador da TV Globo e da GloboNews, Tralli esmiuça o conteúdo do relatório da PF e explica as provas que revelam como o plano golpista nasceu em 2019, ainda no primeiro ano do governo Bolsonaro. Ele analisa ainda como a situação do ex-presidente se complica a partir das novas revelações.

Ep 1353Carrefour x frigoríficos: o imbróglio da carne
Assim que a conclusão do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia voltou à pauta, produtores rurais tomaram ruas e estradas na França – chegaram até a jogar estrume na fachada de prédios oficiais. Eles protestam contra a entrada de mais produtos agrícolas sul-americanos nos mercados europeus. Quem fez coro à reclamação foi o CEO global da rede francesa Carrefour: em nota, o executivo disse que a carne do Mercosul não atende às exigências e normas francesas e afirmou que o Carrefour não irá mais comercializar as carnes provenientes desses países. A reação veio forte: seis entidades do setor assinaram uma nota de repúdio contra o grupo francês; o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, e o presidente da Câmara, Arthur Lira, também criticaram o Carrefour; e a embaixada brasileira na França emitiu nota pedindo retratação. Para explicar o estresse entre frigoríficos brasileiros e a rede francesa, Natuza Nery entrevista Paula Salati, repórter do g1 Agro. E para contextualizar esta crise diante da busca pelo acordo entre Mercosul e UE, quem fala é Leonardo Munhoz, pesquisador do FGV Agro e do Centro de Bioeconomia da FGV.

Ep 1352O Brasil que lê menos
Pela primeira vez, o número de brasileiros que não leu nenhum trecho de um livro, dentro do espaço de três meses, supera o número de leitores no país. Quase 7 milhões de brasileiros deixaram de lado a prática nos últimos 4 anos, de acordo com dados da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, feita pelo Instituto Pró-Livro. O levantamento – que considera tanto livros impressos quanto digitais – revela outro dado preocupante: a escola deixou de ser vista como local de referência para a leitura. Para entender os fatores que levaram o Brasil a ter menos leitores e os efeitos desse resultado, Natuza Nery conversa com a socióloga Zoara Failla, coordenadora da pesquisa, e com Caetano Galindo, professor, escritor e tradutor. Zoara explica os fatores que levaram o país a perder leitores: a pandemia e o aumento do uso de redes sociais nos tempos livres. Ela fala também sobre como, ao adotar versões impressas, as pessoas leem mais. Escritor de ‘Lia’ e ‘Latim em Pó’ e tradutor do romance ‘Ulysses’, de James Joyce, Galindo relembra como construiu sua relação com os livros e com o hábito de ler. Ele avalia ainda as consequências para a cultura em um país que lê menos: “Se perde muito, tudo. A leitura permite ir mais longe e possibilita discussões mais aprofundadas, alongadas e complexas”.

Ep 1351Tentativa de golpe: Bolsonaro e militares indiciados
A Polícia Federal concluiu e mandou para o STF o inquérito da tentativa de golpe de Estado. No documento, 37 pessoas foram indiciadas pelos crimes de golpe de Estado, de abolição violenta do Estado democrático de direito e de organização criminosa – com penas que, somadas, podem chegar a quase 30 anos de prisão. É uma lista que tem mais de 20 militares e cujos nomes mais proeminentes são do ex-presidente Jair Bolsonaro, de Walter Braga Netto (ex-ministro da Casa Civil e da Defesa e candidato a vice em 2022), Augusto Heleno (ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional), Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa e ex-comandante do Exército), Mauro Cid (ex-ajudante de ordens de Bolsonaro), Alexandre Ramagem (ex-diretor da Abin), e Valdemar Costa Neto (presidente do PL, partido do ex-presidente). Para destrinchar o inquérito da PF e apontar os próximos passos, Natuza Nery conversa com César Tralli, apresentador da TV Globo e da GloboNews. Também neste episódio, Natuza fala com Malu Gaspar, colunista do jornal O Globo e da rádio CBN, sobre o novo depoimento de Mauro Cid. Nesta quinta-feira (22), Cid teve que apresentar novas provas ao Supremo para manter de pé seu acordo de delação premiada.

Ep 1350A saúde mental da população negra
“Você tem medo de ser desqualificado e agredido. Você está sempre apreensivo. Está sempre em um lugar perigoso”, diz Cida Bento, doutora em psicologia pela USP e uma das maiores autoridades do Brasil na atuação contra desigualdades raciais. Para ela, uma sociedade que toma a cor de pele como atributo negativo sustenta os números relativos à saúde mental de pessoas negras: o risco de suicídio é 45% maior entre jovens pretos e pardos, na comparação com brancos. Em conversa com Natuza Nery, a autora do livro “Pacto da Branquitude” analisa os fatores raciais e sociais que afetam a saúde mental da população negra. Natuza conversa também com o historiador Thiago André, criador do podcast História Preta. Ele relembra quem é Juliano Moreira, médico negro fundador da disciplina psiquiátrica no Brasil, e como ele influenciou Lima Barreto, um de nossos maiores escritores e autor de ‘Diário do hospício’.

Ep 1349O plano para matar Lula, Alckmin e Moraes
A Polícia Federal prendeu 4 militares do Exército e 1 policial federal investigados por envolvimento em um plano para assassinar o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes, ministro do STF, então presidente do Tribunal Superior Eleitoral – crimes previstos para serem executados no fim de 2022, depois da eleição e antes do presidente eleito tomar posse. De acordo com a PF, os suspeitos tinham posse de armamento pesado, cogitaram envenenar Lula e chegaram a iniciar uma missão contra Alexandre de Moraes, que foi abortada de última hora. Para entender o que diz a investigação da Polícia Federal, quem são os militares presos e os detalhes da arquitetura do plano, Natuza Nery conversa com Reynaldo Turollo Jr., repórter do g1 em Brasília. Ele explica também como o general Braga Netto – que foi ministro da Defesa e candidato a vice-presidente na chapa derrotada de Jair Bolsonaro – está no centro dessa investigação e como uma reunião misteriosa na casa dele está inserida na trama golpista.

Ep 1348G20: o consenso em meio a discordâncias
Um dia antes do encerramento da reunião de cúpula no Rio de Janeiro, o G20 publicou o texto aprovado pelos líderes do grupo. A declaração conjunta, aprovada sem ressalvas, cria uma aliança global contra a fome, propõe taxar ultrarricos e cita guerras. Um raro consenso em reuniões multilaterais marcadas por divergências em temas sensíveis. E uma vitória da diplomacia brasileira, como explica o jornalista Marcelo Lins em conversa com Natuza Nery. Comentarista e apresentador da GloboNews, Lins analisa a declaração final: “chegar a um consenso, hoje em dia, é das coisas mais difíceis do mundo”. O jornalista avalia como o presidente da Argentina, Javier Milei, recuou e cedeu após tentar travar o debate em torno de temas discutidos pelo grupo. Participa também Vinícius Rodrigues Vieira, professor de Relações Internacionais da FGV e da FAAP. Ele avalia a declaração final do G20 à luz da liderança brasileira. “O fato de o Brasil ter construído um consenso sem ressalvas é uma vitória”, conclui.

Ep 1347O mundo com fronteiras fechadas
Donald Trump deixou claro qual será uma de suas primeiras medidas ao voltar à Casa Branca: deportação em massa de imigrantes ilegais. Endurecer as fronteiras não é uma exclusividade do presidente eleito dos EUA. Na semana passada, a Holanda anunciou o fechamento da fronteira de pessoas que entram no país vindo da União Europeia, numa tentativa de controlar o fluxo de imigrantes. Enquanto isso, o número de deslocamentos provocados por guerras, fome e mudanças climáticas bate recordes. Segundo a agência para refugiados da ONU, 120 milhões de pessoas foram forçadas a fugir de onde moram por causa de conflitos. Para entender por que o discurso que coloca estrangeiros como inimigos tem ganhado força ao redor do mundo e quais as consequências do cerco aos imigrantes, Natuza Nery conversa com João Paulo Charleaux. Autor do livro “Ser Estrangeiro - migração, asilo e refúgio ao longo da História”, o jornalista e analista político, Charleaux explica como a ideia de barrar estrangeiros está inclusa em um cenário antiglobalização e as consequências sociais e econômicas de medidas restritivas a pessoas vindas de outros países.

Ep 1346O atentado no STF e o futuro da anistia
Duas explosões na Praça dos Três Poderes na noite da quarta-feira (13) fizeram Brasília reviver horas de tensão. Um homem parou em frente ao prédio do Supremo Tribunal Federal, arremessou um artefato e, em seguida, explodiu um segundo objeto próximo de seu corpo – Francisco Wanderley Luiz morreu na hora. Ele era filiado ao PL, partido pelo qual se candidatou a vereador em Rio do Sul (SC) em 2020, e alimentava suas redes sociais com discurso de ódio e ameaças a figuras públicas – como o ministro Alexandre de Moraes. O atentado colocou um novo ingrediente na disputa política e jurídica em torno da proposta de anistia aos envolvidos na tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023. Para explicar o que pensam o STF e o Congresso sobre a pauta da anistia e analisar o que muda para o futuro jurídico de Jair Bolsonaro (PL) e demais agentes da ameaça golpista, Natuza Nery entrevista Rafael Mafei, advogado e professor da Faculdade de Direito da USP e da ESPM.

Ep 1345Delator do PCC: o quebra-cabeças da execução
Em plena luz do dia, no maior aeroporto do país, dois homens encapuzados desceram do carro fortemente armados e dispararam contra Antônio Vinícius Gritzbach, que morreu na hora. Ele estava na mira do PCC: réu pelos crimes de lavagem de dinheiro para o tráfico e de duplo homicídio, Vinícius havia fechado acordo de delação com a Justiça e já tinha relatado esquemas da facção e de policiais criminosos. Agora, as investigações tentam ligar os pontos para refazer a trilha de crimes na qual o delator estava envolvido para esclarecer o assassinato. É isso que o repórter da TV Globo Bruno Tavares explica neste episódio. Além dele, Julia Duailibi conversa também com o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) de Presidente Prudente, do MP-SP. Gakiya fala ao Assunto sobre as repercussões da delação de Gritzbach e revela o que disse à vítima ao oferecer a ele o serviço de proteção à testemunha. Integrante do Ministério Público há mais de 30 anos e um dos nomes no topo da lista de inimigos do PCC, ele conta como é a vida de alguém que está marcado para morrer.

Ep 1344Elon Musk dentro do governo Trump
Durante a corrida eleitoral, o bilionário foi um dos mais dedicados entusiastas do republicano. Além de subir no palco de vários comícios de Trump, Musk entrou com muito dinheiro na eleição: doou cerca de US$ 200 milhões para a campanha republicana. Após a vitória nas urnas, Trump lembrou de citar o aliado logo em seu primeiro discurso como presidente eleito. E uma semana depois, entregou ao empresário a chefia de uma comissão que será criada para promover corte de gastos em agências federais – como é o caso da Nasa, que tem contrato bilionário com a SpaceX, empresa do próprio Musk. Para explicar o que o bilionário ganha agora que Trump volta a Casa Branca, Julia Duailibi entrevista Carlos Affonso Souza, professor da UERJ e diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS).

Ep 13436x1: a discussão sobre jornada de trabalho
A ideia ganhou corpo nas redes sociais. Surgida do desabafo de um balconista de farmácia, o movimento pela mudança na escala de trabalho conseguiu o apoio na internet. A pauta virou texto de uma PEC, que foi apresentada pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) ao Congresso e conseguiu a assinatura de 108 parlamentares – precisa de 171 para ir adiante. A proposta quer reduzir a carga de trabalho semanal de 44 horas para 36 horas e limitar a escala de 6 dias de expediente por 1 dia de descanso para 4 por 3 dias. Para analisar a viabilidade do texto e as perspectivas positivas e negativas da proposta na economia, Natuza Nery conversa com Pedro Fernando Nery, consultor de economia no Congresso e autor do livro “Extremos: um mapa para entender as desigualdades no Brasil”.

Ep 1342A emergência climática na nova Era Trump
No primeiro ano em que o planeta ficou 1,5 °C mais quente do que na média pré-industrial, de 1850 a 1900 – um recorde de temperatura já registrado –, o presidente que tirou os Estados Unidos do Acordo de Paris foi eleito novamente. No acordo assinado em 2015, 195 países se comprometeram com esforços coletivos para reduzir o ritmo do aquecimento global. Não foi o suficiente. Agora, que os EUA devem novamente se retirar, a meta fica ainda mais distante. A vitória do republicano coloca mais dúvidas para a pauta ambiental global, tema central da COP-29, que se inicia nesta segunda-feira (11) no Azerbaijão – evento já esvaziado pela ausência dos líderes americano, chinês, brasileiro e da União Europeia. Para analisar o impacto da eleição de Trump na agenda climática, Natuza Nery entrevista André Guimarães, diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e membro da Coalização Brasil Clima, Florestas e Agricultura. E para alertar sobre os riscos que o afrouxamento na regulamentação ambiental pode impor sobre a Amazônia, participa também Marcos Colón, professor da Universidade Estadual do Arizona (EUA) e autor do livro “A Amazônia em tempos de guerra”.

Ep 1341Trump de volta: o impacto político no Brasil
Durante a apuração dos votos, o QG da campanha do republicano, em Mar-a-Lago, na Flórida, abrigava familiares e aliados mais próximos do agora presidente-eleito dos EUA. Entre os convidados, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que comemorou o resultado e tentou capitalizar para seu pai a vitória inconteste de Trump. No tabuleiro da política nacional, apoiadores do ex-presidente brasileiro buscam aproveitar a eleição americana para pressionar o Supremo na saga pela anistia dos presos pela tentativa de golpe de 8 de janeiro e pela reversão da inelegibilidade de Bolsonaro. Para o governo Lula, a preocupação maior se dá na economia: o pacote de medidas prometido por Trump pode mexer com o câmbio e com a inflação em todo o planeta – e o impacto aqui pode ser grande. Para analisar as consequências da vitória de Trump para o Brasil e explicar o que isso representa para a direita na geopolítica global, Natuza Nery entrevista Maria Cristina Fernandes, colunista do jornal Valor Econômico e comentarista da GloboNews e da rádio CBN, e Guilherme Casarões, cientista político, professor da FGV e pesquisador do Observatório da Extrema Direita.

Ep 1340ESPECIAL: A vitória de lavada de Donald Trump
Um dia depois de Donald Trump conquistar seu retorno à Casa Branca, Natuza Nery recebe dois convidados para analisar todos os sinais que o mapa eleitoral americano apresenta e projetar o que será o segundo mandato do republicano à frente do país mais influente na economia e na geopolítica global. São eles: Guga Chacra, comentarista da TV Globo, GloboNews e rádio CBN e colunista do jornal O Globo, e Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da FGV e pesquisador da Universidade Harvard e da organização Carnegie Endowment. Juntos, os três debatem os erros do partido Democrata e os temas que mais mobilizaram os eleitores – e como o ex-presidente foi muito mais eficaz em abordar essas pautas e convertê-las em voto, inclusive em setores tradicionalmente democratas, como os eleitorados feminino, negro e latino. Guga e Oliver também avaliam o discurso da vitória de Trump, que apresenta uma versão mais light de seu slogan (Make America Great Again) e indica seus primeiros movimentos para a transição de governo e para as relações internacionais, que passam pelas guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. Por fim, eles explicam qual deve ser o tom da relação entre Brasil e EUA a partir de 2025.

Ep 1339Trump, de novo, rumo à Casa Branca
Assim que as urnas foram fechadas, todas as atenções se voltaram para sete estados americanos. Em cada um dos chamados estados-pêndulo (Carolina do Norte, Geórgia, Pensilvânia, Michigan, Wisconsin, Arizona e Nevada), tanto Kamala, quanto Trump poderiam vencer e somar delegados para completar o “número mágico” de 270 no Colégio Eleitoral. Mas o que se viu foi uma lavada do candidato republicano. Em algumas horas de apuração dos votos, o ex-presidente cravou vitória na Carolina do Norte, na Geórgia e na Pensilvânia; nos demais estados, ele lidera de forma praticamente definitiva. E mais que isso: a vantagem de Trump é tanta que, pela primeira vez, ele avança para vencer no voto popular – com 51% da preferência, ele tem cerca de 5 milhões de votos à frente de Kamala. No Senado, os republicanos fizeram 51 cadeiras e garantiram maioria; na Câmara, o cenário segue indefinido, mas os democratas podem sonhar com o comando da Casa. Para analisar o resultado que deixa Donald Trump a um passo da Casa Branca e todo o mapa eleitoral dos EUA na noite da eleição, Natuza Nery recebe Maurício Moura, doutor em economia e gestão política e professor na Universidade George Washington, que fala diretamente de Nova York.

Ep 1338Eleição nos EUA: o dia D para Kamala e Trump
Nesta terça-feira (5), os 50 estados americanos fecham suas urnas para definir quem será o próximo presidente a ocupar a Casa Branca. Numa eleição que bate recorde de votos antecipados, o clima é de total indefinição: nos sete estados-pêndulo, a média das pesquisas aponta menos de 2 pontos percentuais de diferença entre os dois candidatos. Para o cientista político Christopher Garman, diretor executivo da consultoria Eurasia, há uma leve vantagem para Trump, mas os resultados mais recentes dessas pesquisas demonstram que Kamala está crescendo entre grupos importantes de eleitores. Ele, que é o convidado de Natuza Nery neste episódio, explica no detalhe o que esperar do mapa eleitoral americano e aponta as vantagens e desvantagens dos candidatos democrata e republicano diante do eleitorado – e desenha os cenários possíveis a partir da vitória de cada um deles.

Ep 1337O que muda no sonho da casa própria
Desde 1º de novembro, a Caixa Econômica Federal tem novas regras para o financiamento imobiliário. Com a decisão do banco estatal, que concede 7 em cada 10 financiamentos habitacionais no país, os compradores precisam dar mais dinheiro no ato da entrada e os critérios de aprovação ficaram mais duros. Uma dificuldade a mais em um contexto de juros altos – combo que afeta, sobretudo, a classe média. Para dissecar todos os detalhes das novas regras da Caixa, Natuza Nery entrevista Isabela Bolzani, repórter de economia do g1. Também neste episódio, Danilo Igliori, professor do Departamento de Economia da USP, recupera a história do sonho da casa própria no Brasil desde a década de 1960 e explica a atual fase do desenvolvimento imobiliário do país, onde 20% da população vive de aluguel.

Ep 1336Sonho Americano: o que querem os eleitores dos EUA
“É a economia, idiota”. A frase do estrategista da campanha eleitoral vencedora de Bill Clinton na eleição presidencial de 1992 entrou para a história ao resumir o que motiva o voto dos americanos. Na disputa de agora, entre Donald Trump e Kamala Harris, a máxima ainda vale e pode servir aos dois lados. Para os democratas, os bons resultados macroeconômicos justificam o voto em Kamala. Para os republicanos, Trump é o cara que pode resolver os desafios da inflação e da perda de empregos industriais. E o que está em jogo para muitos eleitores é que a vida ficou mais difícil e a realização do “sonho americano”, onde todos têm direito a bons trabalhos, casa própria e boa capacidade de consumo, beira o impossível. É isso o que viu in loco Felipe Santana, correspondente da TV Globo nos Estados Unidos. Ele compõe uma equipe de jornalistas que está cruzando os estados de Minnesota, Wisconsin, Illinois, Michigan, Ohio, Pensilvânia e a capital Washington, para investigar o que pensa e o que quer o eleitor americano. Diretamente de um motorhome, em Chicago, ele conta a Natuza Nery o que descobriu sobre as queixas da população que vive nessa região, conhecida como Cinturão da Ferrugem, sobre a economia, os direitos reprodutivos e a imigração.

Ep 1335O cabo de guerra no corte de gastos
A realidade dos números é implacável: de janeiro a agosto desse ano, o setor público brasileiro registrou déficit de R$ 86 bilhões e a relação dívida-PIB passou de 78,5% – proporção mais alta que a média dos países em desenvolvimento, da qual o Brasil faz parte. O bom desempenho do PIB – acima do consenso do mercado – e a avaliação positiva da agência de risco de crédito Moody’s sinalizam virtudes da política econômica, mas a curva ascendente nas taxas de juros e o risco de estourar o teto na meta de inflação são alertas que exigem uma resposta do governo. A expectativa era que logo no pós-eleição, a equipe econômica anunciasse um grande corte de gastos que demonstrasse que o arcabouço fiscal – que prevê zerar o déficit público em 2025 – segue de pé. Por enquanto, o pacote não saiu e nem a sinalização do governo Lula de como e onde serão aplicados os cortes. Para analisar a trajetória fiscal das contas públicas brasileiras e comentar as propostas que estão na mesa do presidente, Natuza Nery conversa com Bruno Carazza, colunista do jornal Valor Econômico, comentarista de economia do Jornal da Globo e professor associado da Fundação Dom Cabral.

Ep 1334Os assassinos de Marielle no banco dos réus
No dia 14 de março de 2018, por volta das 21h30, dezenas de tiros foram disparados de uma submetralhadora, de dentro de um carro na rua Joaquim Palhares, Rio de Janeiro. As rajadas tinham um alvo: a vereadora Marielle Franco (PSOL). Ela e seu motorista Anderson Gomes morreram na hora, mas o crime demoraria mais de 6 anos e 7 meses para chegar aos tribunais. Nesta quarta-feira (30), finalmente, os executores Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz vão a júri popular. Nesse espaço de tempo, cinco delegados passaram pela investigação, que só encontrou um caminho com as delações dos assassinos – que reportaram às autoridades os nomes dos mandantes do crime: os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão e o delegado da Polícia Civil Rivaldo Barbosa. Neste episódio, a convidada de Natuza Nery é a irmã de Marielle, Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial. Anielle recorda detalhes do dia da execução, conta como sua família vive o luto de Marielle e o que sente em relação aos assassinos e à morosidade da Justiça. Participa também Marco Antônio Martins, repórter do g1 que é também um dos produtores de “Marielle, o documentário”, disponível no Globoplay. Ele explica tudo sobre o julgamento de Ronnie e Élcio.

Ep 1333Emendas PIX: o grande cabo eleitoral
O índice de reeleição de prefeitos ficou em cerca de 80% nesta eleição. E o cabo eleitoral mais determinante foram as emendas parlamentares. Dentro do universo dos 178 municípios que receberam o maior volume de recursos de emendas PIX desde 2020 – um grupo que está sendo analisado com lupa pela Controladoria Geral da União – 93% dos prefeitos que tentaram se reeleger venceram nas urnas. Um dos casos mais emblemáticos é o de Macapá (AP), que somou R$ 129 milhões em recursos e viu Dr. Furlan (MDB) ser reeleito com 85% dos votos, o maior índice entre capitais do país. Para explicar como essa distribuição de verbas do orçamento federal impactou o pleito municipal, Natuza Nery conversa com Dimitrius Dantas, repórter do jornal O Globo que se debruçou sobre esses dados. Participa deste episódio também a cientista política Beatriz Rey, pesquisadora da Universidade de Lisboa e da Fundação Popvox, que analisa ainda o novo texto apresentado no Congresso para tentar regulamentar o festival de emendas.