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“De 2015 para 2024, o financiamento do SNS passou de 9 mil milhões para 15 mil milhões de euros, mas a situação não melhorou: o problema é de organização e gestão”

“De 2015 para 2024, o financiamento do SNS passou de 9 mil milhões para 15 mil milhões de euros, mas a situação não melhorou: o problema é de organização e gestão”

Luís Marques Mendes · SIC Notícias

August 11, 202432m 33s

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Show Notes

Luís Marques Mendes critica a gestão e organização do Serviço Nacional de Saúde (SNS), afirmando que o aumento de financiamento, de 9 mil milhões em 2015 para 15 mil milhões de euros em 2024, não resultou em melhorias significativas. Mesmo com mais recursos, há uma crise, "o que reforça o problema de má gestão". Além disso, Mendes aponta uma discrepância regional, com maiores problemas a Sul, sugerindo que a diferença está na gestão dos recursos, e não na competência dos profissionais. O comentador residente considera ainda que a presença conjunta do Presidente da República  e do primeiro-ministro numa cerimónia no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, durante uma crise na Saúde "faz todo o sentido". O advogado defende que é papel do Presidente "ajudar o país a resolver os seus problemas", especialmente em áreas essenciais como a Saúde. Marcelo Rebelo de Sousa "está a ser coerente" com a sua atuação passada, onde frequentemente apoiou os governos de António Costa, inclusive em situações críticas. "É natural que agora também coopere com o governo minoritário de Luís Montenegro, dada a sua fragilidade", considera. A opinião de Marques Mendes foi emitida a 11 de agosto, na SIC Notícias.

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Topics

Sem gestãoo plano de emergência para a saúde corre o risco de falhar No seu habitual espaço de opinião na SICLuís Marques Mendes fala da crise das urgênciasdos Jogos Olímpicosdas eleições nos EUAentre outros temas. ... JOGOS OLÍMPICOS E CARLOS LOPES Acabaram os Jogos Olímpicos de Paris. Em relação a Portugalduas palavras se impõem: saudação e congratulação. Saudação aos atletas que participaram. Com ou sem medalhastodos deram o seu melhor. E cumpriram o objetivo traçado: 4 medalhas para Portugal. Congratulação aos atletas medalhados: Patrícia SampaioIuri LeitãoRui Oliveira e Pedro Pichardo. Todos têm enorme talento. Mas a medalha de ouro foi especialmente emocionante. Um grande momento. Inesperado e histórico. A primeira medalha de ouro fora do atletismo. Iuri Leitão e Rui Oliveira foram verdadeiros heróis. E "mexeram" com os Portugueses. Iuri Leitão e Rui Oliveira tiveram o último ouro. O primeirohá 40 anosfoi ganho por Carlos Lopes. Por issoamanhã vai ser homenageado. Carlos Lopes é um grande campeão: como atleta e como cidadão. Um campeão como atleta. Ganhou tudo o que havia a ganhar. Em Portugalnos Europeusnos Mundiaisnos Jogos Olímpicos. Quando não havia os apoios que hoje há. Quando foi "apanhado" por várias lesões e nunca desistiu. Quando foi atropelado a três semanas dos Jogos Olímpicos de Los Angeles e não recuou. Não era só talento. Era caráter e ambição. Carlos Lopes tinha há 40 anos o que hoje tem Cristiano Ronaldo: caráter e ambição. Um campeão como cidadão. Granjeou como atleta uma fama enorme. Cá dentro e lá fora. Mas nunca o poder lhe subiu à cabeça. Nunca se deslumbrou. Foi sempre o mesmo: simpleshumildegeneroso e solidário. Um grande campeão. No atletismona vida e na cidadania. MARCELO E GOVERNO NO SANTA MARIA Algumas pessoas ficaram surpreendidas com o facto de Presidente da República (PR) e primeiro-ministro (PM) estarem juntos numa cerimónia no Hospital de Santa Mariaem plena semana de problemas sérios na Saúde. Este comportamento pode não ser habitualmas faz todo o sentido. Primeiroeste é o papel correto de um PR: ajudar o país a resolver os seus problemas. Estimular o Governo a ser ativo e dinâmico. Concentrar atenções nas questões que realmente importam às pessoas. Um Presidente existe para ser útil ao País. E a saúde é um bem de primeira necessidade. Segundoo PR está a ser coerente. Marcelodurante anos a fioajudou os governos de António Costa. Houve ocasiões em que levou o governo do PS literalmente "ao colo". É natural que agora também coopere com o Governo de Luís Montenegro. Ainda por cima porque é um governo minoritário. Logomais precário. Este tipo de atuaçãode restonão é exclusivo de Marcelo Rebelo de Sousa. Mário Soares fez o mesmoentre 1985 e 1987com o então governo minoritário de Cavaco Silva. Jorge Sampaio fez o mesmoentre 1995 e 1999com o então governo minoritário de António Guterres. Há em todos estes casos um padrão presidencial: é importante ter um PR que seja um aliado efetivo dos portugueseso que obrigamuitas vezesa estar ao lado do governo para ajudar a servir o país. Sem deixar de ser o árbitro da política nacional. A CRISE DAS URGÊNCIAS Um problema antigo com as urgências de obstetrícia é uma realidade. Mas porquê? É falta de financiamento? É falta de médicos obstetras no País? Ou é falta de organização e gestão no SNS? Os números da OCDE e os factos obrigam a essa reflexão. Vejamos: O financiamento: de 2015 para 2024o financiamento do SNS passou de 9 mil milhões para 15 mil milhões de euros. Um aumento de 67%. Mas a situação não melhorou. O que prova que a questão não é de falta de dinheiro. O problema é de organização e gestão. Médicos obstetras: no rácio por 100 mil habitantesPortugal está na média da UE. Melhor até que países ricoscomo a França e os Países Baixos. O problema volta a ser de gestãoorganização e atratividade do SNS para reter os seus profissionais. O número de médicos obstetras aumentou. Em 2000 eram 1336. Em 2022eram 1966. Apesar deno mesmo períodohaver menos nascimentos. Baixaram de 120 mil para 84 mil. Mais obstetrasmenos nascimentos e mesmo assim crise no setorvolta a provar que há um problema de organização e gestão de recursos. O rácio obstetras/nascimentos. Em 2000havia 11 obstetras por cada 1.000 bebés nascidos. Em 202124 obstetras por cada mil bebés nascidos. Mais uma prova que o sistema não está a saber gerir e organizar bem os recursos que tem. Finalmentehá uma discrepância regional. Os maiores problemas no SNS estão sobretudo a Sul e não tanto no Norte do País. Oraa diferença não está nos profissionais de saúde. Eles são competentes em todo o País. A diferença volta a estar na organização e gestão dos recursos. O tema merece ser estudado. Mudar as regras de organização e gestão do SNS exige tempoestabilidade e vontade reformista. O que devia levar a um acordo de regime entre o PS e o PSD. Soluções fáceis ou rápidas não há. É tempo de falar verdade e não criar falsas ilusões ou expectativas exageradas. LISTAS DE ESPERA RECUPERAM Num tempo de crise no SNScom o problema das urgências obstétricaspassaram relativamente desvalorizadas duas ações importantes em matéria de recuperação de listas de espera. Primeiroa recuperação das listas de espera oncológicas. O número de doentes para cirurgias oncológicas era à partida de 9.374. E o Programa de Emergência da Saúde apontava como limite temporal para as realizar o fim de agosto. Pois bem. Os resultados atuais são francamente positivos: até 31 de julho há mais de 7.400 cirurgias oncológicas realizadas (79%). Dentro de um mêso objetivo pode estar finalmente atingido. Segundoa recuperação das demais cirurgias urgentes por ter sido ultrapassado o prazo clinicamente aceitável: 74.673. O prazo previsto para cumprir esta parte do Plano é o final do ano. Entretantoaté 31 de julhojá foram efetuadas mais de 21 mil cirurgias (28%). É possível também cumprir o desafio prometido dentro do prazo previsto. Posto istohá que dizer: o plano de emergência para a Saúde gerou enormes expectativas. Mais uma razão para ter à sua frente alguém que seja simultaneamente um gestor e um comunicador. Sem gestãoo plano corre o risco de falhar. Sem comunicaçãoo país não chegará sequer a conhecê-lo e a conhecer os seus resultados. O DESEMPREGO JOVEM A Ministra do Trabalho e Segurança Social apresentou um pacote de medidas e incentivos com uma preocupação central: o desemprego jovem. Esta preocupação faz todo o sentido: O desemprego jovem éem Portugal36 vezes superior ao desemprego geral: uma taxa de 22% no desemprego jovem contra 61% de taxa de desemprego geral. Somos o 5º pior país em matéria de desemprego jovem dentro da UE. E a nossa taxa de desemprego jovem está bem acima da média europeia (7pp). Assim sendoa preocupação da ministra faz todo o sentido. Hátodavianeste ministério como em vários outrosuma questão de fundo: uma coisa são as medidas que o Governo anuncia; outra coisa é as medidas chegarem às pessoas e às empresas. A verdade é que muitas vezes os anúncios não saem do papel. Efeito da burocracia que contamina tudo. As queixas são mais do que muitas. Na Segurança Socialas queixas são diárias. Não digo que a culpa é dos funcionários. Mas a Ministra devia dar atenção. No domínio do ambienteda energia ou do fisco repetem-se as queixas. Quero aqui deixar uma sugestão concreta: o PM devia fazer um Conselho de Ministros extraordinário só para avaliarcaso a casose as medidas anunciadas estão mesmo a chegar às pessoas e às empresas. Seria certamente um exercício útil e proveitoso. ELEIÇÕES NOS EUA Primeiro apontamento: a escolha de Tim Walz como candidato a vice-presidente. Foi uma escolha segura. A opção pelo Governador da Pensilvâniaera a mais esperada e provavelmente aquela que garantiria a vitória naquele Estado crucial. Massendo judeuhavia o risco de Kamala perder a base mais ativista dos Democratas que está muito mobilizada pela causa palestiniana. Tim Walzsendo menos conhecidonão tem anticorpos e é bem visto nos swing states do Midwest. Segundo apontamento: depois da saída de Bidenos Republicanos continuam sem estratégia. Muito à deriva. Vê-se que Trump anda desorientado. Ter-se metido na questão racial foi um erro. Pode ter-lhe custado muitos votos afro-americanos. Mas convém não o subestimar. Terceiro apontamento: as sondagens. Kamala começa a estar à frente no voto universalmas ainda está atrás no colégio eleitoral. Assim: A média de sondagens que diariamente o NYT publica dá Kamala (48%) à frente de Trump (47%). E uma das últimas sondagens divulgadas (IPSOS/Reuters) mostra bem a dinâmica a favor dos Democratas: em 30 de julhoa diferença era mínima a favor de Kamala (43% contra 42%); já na de 8 de agosto a diferença aumentou bastante (42% contra 37%). Apesar desta evolução no voto universalTrump continua à frente no colégio eleitoral (287delegados contra 251 de Kamala). Mesmo assima recuperação de Kamala em relação a Biden é notória. Está tudo em aberto. A Convenção Democrata deste mês e os debates televisivos serão os próximos momentos capitais.Luís Marques Mendes critica a gestão e organização do Serviço Nacional de Saúde (SNS)afirmando que o aumento de financiamentode 9 mil milhões em 2015 para 15 mil milhões de euros em 2024não resultou em melhorias significativas. Mesmo com mais recursoshá uma crise"o que reforça o problema de má gestão". Além dissoMendes aponta uma discrepância regionalcom maiores problemas a Sulsugerindo que a diferença está na gestão dos recursose não na competência dos profissionais. O comentador residente considera ainda que a presença conjunta do Presidente da República  e do primeiro-ministro numa cerimónia no Hospital de Santa Mariaem Lisboadurante uma crise na Saúde "faz todo o sentido". O advogado defende que é papel do Presidente "ajudar o país a resolver os seus problemas"especialmente em áreas essenciais como a Saúde. Marcelo Rebelo de Sousa "está a ser coerente" com a sua atuação passadaonde frequentemente apoiou os governos de António Costainclusive em situações críticas. "É natural que agora também coopere com o governo minoritário de Luís Montenegrodada a sua fragilidade"considera. A opinião de Marques Mendes foi emitida a 11 de agostona SIC Notícias.