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“António Costa não deve desvalorizar matérias de corrupção. Foi assim, desvalorizando todos os sinais, que deixaram construir o monstro Sócrates. Estavam lá todos”

“António Costa não deve desvalorizar matérias de corrupção. Foi assim, desvalorizando todos os sinais, que deixaram construir o monstro Sócrates. Estavam lá todos”

Luís Marques Mendes · SIC Notícias

July 9, 202331m 45s

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No seu espaço de opinião habitual na SIC, Luís Marques Mendes fala sobre o relatório preliminar da CPI à TAP e sobre a demissão do secretário de Estado da Defesa, Marco Capitão Ferreira. Uma saída do Governo, a 13ª em ano e meio, que não surpreende o ex-presidente do PSD. Ainda assim, critica a "displicência com que o primeiro-ministro fala de questões de corrupção", argumentando que é "um pouco assustador" António Costa não perceber que o fenómeno ocupa a mente e preocupa os portugueses. Nesta emissão de 09 de julho, Marques Mendes perspetiva ainda uma potencial disputa entre Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos, "o líder do PS no parlamento", nas próximas legislativas.

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No seu espaço de opinião habitual na SICLuís Marques Mendes fala sobre o relatório preliminar da CPI à TAP e sobre a demissão do secretário de Estado da DefesaMarco Capitão Ferreira. Uma saída do Governoa 13ª em ano e meioque não surpreende o ex-presidente do PSD. Ainda assimcritica a "displicência com que o primeiro-ministro fala de questões de corrupção"argumentando que é "um pouco assustador" António Costa não perceber que o fenómeno ocupa a mente e preocupa os portugueses. Nesta emissão de 09 de julhoMarques Mendes perspetiva ainda uma potencial disputa entre Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos"o líder do PS no parlamento"nas próximas legislativas.3 ... A EVOLUÇÃO DO CUSTO DE VIDA A subida dos preços dos alimentos começou por ser o grande problema das famílias após o início da guerra da Ucrânia. E ainda continua a ser uma "dor de cabeça". Os sinaistodaviasão de ligeira melhoria: Segundo a Deco Protesteo cabaz alimentar habitual (63 produtos) tem em relação a fevereiro de 2022 um aumento de 166%. É um aumento significativo. Mas já foi bem maiorpróximo dos 25%. E a análise do cabaz alimentar do IVA 0 (41 produtos) prova que houve uma redução de preços de 79% no que respeita aos produtos abrangidos pela medida. Ao contrárioa questão dos empréstimos à habitação começou por ser um pequeno problema e transformou-se hoje em verdadeiro pesadelo. AfinalPortugal é o país com os sextos juros mais altos da UE (415%). Em consequênciahá muitas pessoas a renegociar empréstimos. Em maio de 2022 houve apenas 7% de renegociação de créditos. No mês de maio deste anohouve 38% de renegociações. O problema ainda maior tem a ver com aqueles que não têm condições para renegociar ou amortizar antecipadamente os seus empréstimos. Aí o caminho é "perder" a casa. Um drama familiar que já está a suceder. Finalmenteos depósitos. Nos juros dos depósitos a particularesPortugal está a melhorarmas pouco. Já não somos o pior país da Zona Euro. Mas ainda estamos no fim da tabela (o quarto pior). A novidade é que os juros pagos aos depósitos das empresas são bem superiores aos pagos a particulares. A maior literacia financeira das empresas e o maior volume de depósitos que as empresas têm explica seguramente esta diferença. A CPI DA TAP Sejamos honestos: sempre que há uma comissão parlamentar de inquérito (CPI)os deputados da maioria tudo fazem para não responsabilizar o Governo. Já aconteceu assim com maiorias do PSD. O problema é quedesta vezultrapassaram-se todos os limites da decência e da falta de isenção. A deputada socialista Ana Paula Bernardo não quis apenas ajudar o Governo. Quis branquear o Governo. Alguns exemplos: Os incidentes no Ministério das Infraestruturas foram deploráveisdisse o PM. Houve audições. O país todo assistiu. No finalsobre o temao relatório diz NADA. Dois governantes demitiram-se: Pedro Nuno Santos e Hugo Mendes. Reconheceram que falharam. Assumiram as culpas. O relatórioiliba-os. Para a relatoraparece que são uns heróis e que merecem um louvor e homenagem. Alexandra Reis sai da TAP com uma choruda indemnização. Vai para a NAV sem devolver parte da indemnização. O governo sabia de tudo e autorizou tudo. Para a relatorao governo não tem culpa de nada. Vê-se que esta deputada tentou reescrever a história desta Comissão. Com um objetivo claro: agradar a António Costa e a Pedro Nuno Santos. Ao líder atual e ao líder futuro. Assimtem o seu lugar de deputada garantido. No presente e no futuro. No entretantodá um pontapé na credibilidade da maioria absoluta. Para muita gente maioria absoluta é isto: poder absolutosectarismofalta de isenção. É quase sempre assim. Os deputados preocupam-se quase sempre em agradar aos chefes partidários. É deles que dependem e não do povo. Não é tudo "farinha do mesmo saco". Há dois outros deputados socialistas que merecem um elogio: Seguro Sanches e Lacerda Sales. Foram Presidentes desta CPI. Ambos agiram com isenção. Em especial Lacerda Salesque lidou com as audições mais sensíveis. Deve ter tido pressões do seu partido. Mas manteve sempre uma conduta impecável de equilíbrio e independência. MAIS UMA DEMISSÃO NO GOVERNO Esta demissão do Secretário de Estado da Defesa não surpreende. Sobre si recaem suspeitas gravesincluindo de corrupção. O que pode surpreender é por que não sucedeu mais cedo. As suspeitas são públicas há várias semanas. Politicamenteesta demissão tem muito que se lhe diga: Primeiroem ano e meio de governoé já a 13.ª demissão. São muitas demissões em tão pouco tempo. Isto não abona muito a favor de quem tem a responsabilidade de escolher ministros e secretários de Estado. Neste casoo primeiro-ministro e a ministra da Defesa Nacional. Era exigível da parte dos dois mais cuidado nas escolhas. Segundoa ineficácia do questionário governamental. O Governo criou recentemente um questionário para avaliar o passado dos governantes. Na alturao Presidente da República alertou que talvez se devesse aplicar retroativamente: não só aos futuros governantesmas também aos que já estavam no Governo. Às tantas o PR tinha razão. O seu conselho era prudente. Finalmentea questão de fundo: a forma displicente como o PM desvaloriza as questões da corrupção. Segundo dizas pessoas estão mais interessadas noutras questões. É um pouco assustador. Um PM não deve desvalorizar estas matérias. Foi assimdesvalorizando todos os sinaisque deixaram construir o monstro Sócrates. Estavam lá todos. Não valorizaram e deu no que deu. Saúde-seao contrário do PMo líder parlamentar do PS. Em declarações à Rádio RenascençaBrilhante Dias defendeu uma auditoria geral às contratações no MDN. "Há um padrão pouco clarotransversal aos governos"disse. Ainda há no PSfelizmentequem seja sensível á ética e ao combate á corrupção. MONTENEGRO E PEDRO NUNO Luís Montenegro e Pedro Nuno Santosé minha convicçãovão-se confrontar nas próximas legislativas. Serão os candidatos a PMrespetivamente pelo PSD e pelo PS. Já não haverá António Costa. Têm várias coisas em comum: são do mesmo distrito e da mesma geração. E esta semana ambos deram nas vistas. Pedro Nuno Santos regressou ao Parlamento em alta. Recebido e abraçado como uma verdadeira estrela. Quase não precisou de abrir a boca para se distinguir. Há aqui duas originalidades: A primeira originalidade é que parece que o PS tem dois líderes: um está no Governo; outro no Parlamento. Um está a preparar-se para sair; outro a preparar-se para entrar. Um parece passado; o outro respira futuro. A segunda originalidade é que António Costa acabou de ter uma maioria absoluta há apenas ano e meio edo que mais se fala é da sua saída. Sai quando? Em 2024em 2025 ou em 2026? Luís Montenegro celebrou o 1.º aniversário como líder e ensaiou duas mudanças: Primeirouma mudança de discurso. Montenegro passou a ter um discurso menos político e mais centrado na vida das pessoas. Segundouma mudança de atitude. Começou a apresentar propostas alternativas. Desta vez na área da Saúde. No verãoprovavelmente na rentréevai apresentar nova proposta alternativa em matéria fiscal. Tem um caminho difícil pela frente. E as sondagens ainda não são sólidas. Mas o caminho é este: falar para as pessoas e defender causas. AMNISTIA PAPAL Até hoje tivemos seis visitas papais a Portugal. Apenas em três dessas ocasiões foram aprovadas amnistias: Em 1967com a visita de Paulo VIno Governo de Oliveira Salazar; Em 1982com a visita de João Paulo IIno Governo de Pinto Balsemão; Em 1991com a segunda visita de João Paulo IIno Governo de Cavaco Silva. Com a visita do Papa Franciscovai ser aprovada nova amnistia. É um ato de clemência que faz sentido. O testemunho do Papa Francisco está muito ligado à "reinserção social das pessoas em conflito com a lei penal". Acresce que se trata de uma iniciativa equilibrada: É equilibrada porque a amnistia só se aplique a infrações "leves" e mesmo assim com várias condições limitativas: primeiroa contraordenações com coimas até 1000€; depoisa infrações disciplinares e ilícitos disciplinares militares; terceiroa infrações penais até um ano de prisão ou 120 dias de multa. É equilibradaaindaporque consagra um perdão de pena eminentemente simbólico: um perdão de prisão de um ano em todas penas de prisão até 8 anosexcluindo a criminalidade muito grave; e um perdão de penas de multa até 120 dias. Finalmentea parte polémica. A proposta do Governo limita esta amnistia às pessoas até aos 30 anos de idade. No fundoaos jovens. O PSD contrapõe que deve ser para todosporque há dúvidas de constitucionalidadepor violação do princípio da igualdade. Mesmo assimo governo inclina-se para manter a sua ideia. Primeiropor considerar que já há um regime penal para jovens; depoispor considerar que em anteriores amnistias já houve discriminações a favor de jovens; finalmentepor achar que não há um problema constitucional. A JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE A poucas semanas do início da Jornada Mundial da Juventude a grande surpresa é o anúncio de que D. Américo Aguiaro grande responsável por esta organizaçãovai ser cardeal. Uma decisão que prestigia Portugalcomo diz o PM. E uma decisão que premeia uma grande figura da Igrejaque tem sido decisivo na dinamização do projeto da JMJ. De restodaqui a uma semananuma iniciativa cheia de simbolismoD. Américo Aguiar estará na Ucrânia a promover os ideais da JMJ. Uma das últimas curiosidades desta organização é que um grande conjunto de setores profissionais anunciou para os dias da Jornada um conjunto de greves e manifestações (professoresagentes das forças de segurançatrabalhadores da CP e dos serviços de limpezaentre outros). Há que dizer que tudo isto é normallegítimo e democrático. A JMJ não suspende as leisa democraciao direito à greve e à manifestação. De restoeste tipo de comportamentos é também habitual noutros paísesem circunstâncias semelhantes. A questão é outra: ninguém ganha com este tipo de comportamentos. Nem os grevistas e manifestantenem o País. Não ganham os manifestantes e grevistas porque não vão ter qualquer ganho de causa só porque se manifestam em plena JMJ. E também nada ganha o país. Apesar de tudohá sempre o risco de existir algum dano na imagem do país em termos de repercussão externa. Seria mais benéfico para a credibilidade destas organizações terem exatamente a atitude contrária. Assumirem que suspendem as suas "formas de luta" durante a JMJ para não prejudicarem a evento e para não afetarempor pouco que sejaa imagem de Portugal.