
Camisinha saiu de moda? O preço da queda do uso - e o mito do “mais prazer”
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Show Notes
Por mais que muita gente trate o preservativo como algo ultrapassado, a camisinha segue sendo o único método capaz de prevenir, ao mesmo tempo, a gravidez e as Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Ainda assim, o uso vem despencando e os números confirmam o alerta. Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2023, o Brasil registrou mais de 113 casos de sífilis adquirida a cada 100 mil habitantes e 10 casos de sífilis congênita por mil nascidos vivos, índice cerca de vinte vezes acima do limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde. O avanço também preocupa entre os jovens, com o crescimento de casos de HIV e HPV.
Onde está o problema? Acredite, não é na falta de insumos, mas na escassez de informação e diálogo. A camisinha passou a ser vista como símbolo de desconfiança. Em relações estáveis, muitos casais abandonam o preservativo apostando em uma fidelidade automática, algo que, na prática, ninguém consegue garantir. Soma-se a isso o preconceito, a vergonha de comprar ou carregar camisinha.
Há ainda a ideia de que “sexo é melhor sem camisinha” ou de que o preservativo “corta o clima” - sim, isso ainda acontece e, na verdade, tem ganhado força, especialmente com a falsa percepção de que métodos como a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) e a PEP (Pós-Exposição) substituiriam o uso do preservativo. Não substituem. Eles reduzem o risco de infecção pelo HIV, mas não protegem contra outras ISTs. E, muitas vezes, o desconforto está ligado à escolha errada do produto. Hoje existem camisinhas masculinas e femininas, mais finas, com texturas, sabores, lubrificação, efeitos retardantes; opções pensadas para diferentes contextos e preferências. Saber usar corretamente, trocar o preservativo entre práticas e respeitar a validade e o material faz toda a diferença.
Até que ponto o prazer justifica o risco? Dentro do casamento, vale negociar o uso ou a retirada do preservativo? Por que ainda existe tanto tabu em falar sobre sexo seguro? E, talvez a pergunta mais importante de todas: quando foi a última vez que você se testou?