PLAY PODCASTS
Roberto Pereira: “Gosto que as pessoas cheguem e se riam ali. Que não levem trabalhos para casa, que não percebam só o que se passou ali um dia depois”

Roberto Pereira: “Gosto que as pessoas cheguem e se riam ali. Que não levem trabalhos para casa, que não percebam só o que se passou ali um dia depois”

Humor à Primeira Vista · Gustavo Carvalho

June 16, 20231h 3m

Audio is streamed directly from the publisher (traffic.omny.fm) as published in their RSS feed. Play Podcasts does not host this file. Rights-holders can request removal through the copyright & takedown page.

Show Notes

Cinco atores sobem a palco e apenas nesse momento conhecem o texto que vão representar. Roberto Pereira é o criador e guionista de “Tenho um papel para ti”, uma comédia que estreou no Porto e segue agora para Lisboa. É um espetáculo em que o primeiro ensaio, a estreia e a última atuação acontecem simultaneamente. Tendo já escrito para todos os canais, sente-se mais feliz no teatro, mas fez séries, novelas, filmes e até sketches. Adaptou “Aqui Não Há Quem Viva”, escreveu para Herman José e criou “Ferro Activo”, com Frederico Pombares e Henrique Dias. Também subiu a palco para “O Outro lado da história”, na primeira e até agora única incursão pelo storytelling. Atualmente é o criador e autor da novela “Festa é Festa”, na TVI. Em conversa com Gustavo Carvalho, no podcast Humor À Primeira Vista, fala sobre a oferta de comédia no teatro em Portugal, explica o sucesso de “Festa é Festa” como formato diário de comédia em primetime e leva-nos pela evolução do papel do guionista em Portugal.

See omnystudio.com/listener for privacy information.

Topics

Roberto Pereira "Gosto que as pessoas cheguem e se riam ali. Que não levem trabalhos para casaque não percebam só o que se passou ali um dia depois" “Cámais cedo ou mais tardeo guionista vai estar no mesmo patamar que o produtor e o realizador” "Acho que se começou nos últimos anos a trazer coisas de foraquando cá há quem escreva muito bem teatrosem a necessidade de estarmos constantemente a adaptar textos estrangeiros.” Por: Gustavo Carvalho Cinco atores sobem a palco e apenas nesse momento conhecem o texto que vão representar. Roberto Pereira é o criador e guionista de “Tenho um papel para ti”uma comédia que estreou no Porto e segue agora para Lisboa. É um espetáculo em que o primeiro ensaioa estreia e a última atuação acontecem simultaneamente. Tendo já escrito para todos os canaissente-se mais feliz no teatromas fez sériesnovelasfilmes e até sketches. Adaptou “Aqui Não Há Quem Viva”escreveu para Herman José e criou “Ferro Activo”com Frederico Pombares e Henrique Dias. Também subiu a palco para “O Outro lado da história”na primeira e até agora única incursão pelo storytelling. Atualmente é o criador e autor da novela “Festa é Festa”na TVI. Em conversa com Gustavo Carvalhono podcast Humor À Primeira Vistafala sobre a oferta de comédia no teatro em Portugalexplica o sucesso de “Festa é Festa” como formato diário de comédia em primetime e leva-nos pela evolução do papel do guionista em Portugal. Dentro deste formato do "Tenho um papel para ti"há intenções de fazer uma versão mais dramáticaou um estilo de humor diferente do que normalmente fazes? O humor é o denominador comumquer neste espetáculoquer na minha carreira. Aquilo que mais me faz feliz na verdade é fazer rir as pessoas. Até posso fazer um dramalhãomas com comédia. A melhor coisa que me podem dizer - é o que me têm dito - é que não se riam tanto há não sei quanto tempoque foi a melhor coisa que lhes aconteceu nos últimos dias. Há malta que diz que não tem o hábito do teatro e que vai começar a ter. Malta que os amigos arrastam quase para uma sala de teatro. Houve muitas mensagens boas e que me fazem todo o sentido. As pessoas divertiram-se muito. E o meu género de comédia é para as pessoas rirem ali. Em tudo o que faço há sempre uma mensagemaquele subliminar que há nos textos todos. Mas eu gosto que as pessoas cheguem e se riam ali. Que não levem trabalhos para casacomo se costuma dizer. Que não percebam só o que se passou ali um dia depois. Fala-se muito da ideia de que o humor é também para pensar. Não vais por aí. Queres que seja uma experiência do momentoforte. Exatamentegosto da reação imediata do público e esse é o outro fator pelo qual eu adoro o teatro. Tenho a reação ao meu trabalho no momentocoisa que não acontece nos outros formatos. Na televisão escrevo uma coisa hojevejo daqui a três meses que afinal tinha graça. E uns devem ter achado graçaoutros se calhar não acharam. No teatroali com mil pessoasconsigo dizer que realmente toda a gente gostou disto. Vejo logo o resultado do meu trabalho ali. Como espetadortemos boa comédia no teatro em Portugal? Eu acho que se começou nos últimos anos a trazer coisas de foraquando cá há quem escreva muito bemsem a necessidade de estarmos constantemente a adaptar textos estrangeiros. Quando cá há muita gente que faz teatro tão bem ou melhorpelo menos mais atual. A novela "Festa é Festa"na TVIjá vai na sexta temporada. Quando comparas a escrita de outras novelas com a escrita nestaque é uma criação tuaé assumidamente uma comédiao que é que aconteceu aqui de diferente? O que aconteceu aqui de diferente foi que isto veio provar o género de uma teseque alguém crioude que jamais uma novela de humor funcionaria em Portugal. E vamos olhar um bocadinho para trás. O último grande sucesso diário de humor que houve na nossa televisão em primetime chamava-se "Malucos do Riso"que esteve não sei quantos anos no ara fazer umas audiências brutais. As pessoas viam aquilo. E eu não entendo qual seria a razãoonde é que foi feito o estudoque dizia que naquele horáriouma novela que segue as mesmas regras das outras todasmas que em vez de ter dramalhões importados da América do Sul... porque é que uma novela desse tipo não haveria de funcionar naquele horário? Ainda para mais num período em que tínhamos vindo de uma pandemiaou estávamos a passar uma pandemiaem que as pessoas andavam deprimidas. O que é que nos podia dizer que juntando aqui um conjunto de ingredientesou sejadar uma coisa às pessoas a que elas estão habituadas (uma novela) naquele horáriocom atores cómicoscom uma história cómicacom uma história leveem que pudéssemos tocar nos temas todosmas de uma forma diferente. O que é que aqui poderia ser tão estranho? Porque é que à partida se podia logo prever que não iria funcionar? Mas graças a deus e às pessoas que acreditaram sempre nisto e fizeram tudo para que isto acontecesseprincipalmente a Cristina Ferreiranunca vacilaram e fizeram com que isto realmente acontecesse e fosse para a frente. E o resultado é o que se vê. Estamos há dois anos e tal no ar a ganhar todos os diastirando um dia ou outro. As pessoas passaram a valorizar mais o papel do guionista? Eu acho que sim. Não assim há tanto tempomas de há uns anos para cá já se reconhece. Mas não é em todo o ladonão é no país todo e não são todas as pessoas. Mas acredito que a malta de outra geraçãoa malta mais novajá procura saber de quem são as coisas [...] Eu só criei a única rede social que tenhoo instagramquando percebi que havia uma pessoa que estava a passar a mensagem de que ele é que tinha feito um projeto grande em que eu estava envolvido. Era alguém envolvido no projeto que passava a ideia de que quem tinha escrito o guião era ele. Eu não era tido nem achado ali no meio. E eu criar uma rede social foi para promover o meu próprio trabalho. E aí sim comecei a achar importante este lado de ter uma redeem que chego a bastantes pessoaspara saberem quem é que faz o quêe o que é que eu estou a fazer. Isso sim acho importante e útil. Era uma situação frequente? O argumentista durante muito tempo era um técnico. Com todo o respeito pelos técnicosatenção. Era o técnico de somo de imagem e o de guião. Os artistas eram os outroso guionista era um técnico. Mas hoje em dia eu acho que isso está a mudarjá muitas vezes se começa a pôr cá: "Do mesmo autor de". E ainda bemporque é onde tudo nasce. Se aquilo tiver sucessotu foste a primeira pessoa a criar aquele sucesso. É a génese de tudoé o guião. Mas cada vez mais se está a chegar a essa conclusão. Basta olharmos para os Estados Unidosque cada vez que há uma greve de argumentistas a indústria para. E acho que cáo guionista vai estar no mesmo patamar do que está o produtordo que está o realizador.roberto pereirahumorcomédiagustavo carvalhofesta é festatviferro ativoexpresso