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Hugo van der Ding: “Nada se compara à excitação quando estou a escrever. Não encontrei isso em mais nada”

Hugo van der Ding: “Nada se compara à excitação quando estou a escrever. Não encontrei isso em mais nada”

Humor à Primeira Vista · Gustavo Carvalho

September 22, 20221h 9m

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Show Notes

Hugo van der Ding recusa o rótulo de humorista, mas faz rir. Diz que não sabe cantar, mas fez parte dos “Onda Choc”. Também não sabe desenhar, mas lançou agora “O Lixo na Minha Cabeça”, uma compilação das “melhores e piores” tiras que já fez. Quer dedicar-se ainda mais à escrita e diz já ter romances “prontos”. No podcast Humor À Primeira Vista, revela como conheceu Ana Bola, explica o fascínio por inventar biografias e dá-nos a conhecer a sua visão sobre a série “Family Guy”.

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Hugo Van Der Ding recusa o rótulo de humoristamas faz rir. Diz que não sabe cantarmas fez parte dos “Onda Choc”. Também não sabe desenharmas lançou agora “O Lixo na Minha Cabeça”uma compilação das “melhores e piores” tiras que já fez. Quer dedicar-se ainda mais à escrita e diz já ter romances “prontos”. No podcast Humor À Primeira Vistarevela como conheceu Ana Bolaexplica o fascínio por inventar biografias e dá-nos a conhecer a sua visão sobre a série “Family Guy”.humorcomédiaportugalhugo van der dinggustavo carvalhoilustraçãolivroO Lixo na Minha Cabeçaana bolaInventas várias biografias sobre ti. Não dizer a verdadeporque tem graçajá te colocou em perigo várias vezes na tua vida? Em que situações? Não sei se me meteu em perigo. Essa história das biografias… eu junto-as. Guardo tudo. E só consegui fazer o livro porque tenho os originais todos guardados em muitas caixas. Aqui há direita há uma caixa a dizer “Personagens”. São as personagens que vais desenhando nas redes sociais? Simsão muitas caixas mesmo. São nove mil tiras nestes dez anos. Estão mais ou menos mil no livro. Esta caixa é onde estão os originais das personagens recorrentes. A Juliana Saavedraetc. Mas as biografias começaram como uma irritação - como começa a maior parte das coisas na minha vida. Porque pedem muitas biografias. Tudo a que vás fazer pedem-te uma biografia. Tenho trinta para aí diferentes. Às vezes em coisas oficiais a Direção-Geral das Artesa Câmara Municipal de Lisboa… E envias uma falsa? Simporque convidam: "Ahh gostávamos de o convidar para fazer não sei quê. Não se importa de mandar a sua biografia?" Eu percebo que é para pôr numa folha. Mas não convides uma pessoa para depois perguntar qual é a sua biografia. Escreve tu. Então eu irritado invento uma biografia todos os dias. E há pessoas que acreditam. Ainda agora estive na Feira do Livropor causa do "Lixo na Minha Cabeça"e há senhor muito querido que vem dizer: "Não sabia que tinha uma ligação à América Latina". Tens textos teus de quando eras criança guardados? Tenhocomecei a escrever desde muito criança. Desde que idade? Desde quando se começa a saber escrever. Seteoito anos. E o que é que escrevias? Escrevi coisas muito tristesmuito negras. Não no sentido de comédia negra. Nãoa comédia passou para a escrita há muito pouco tempo. Já nos últimos dez anos. A minha escrita era uma coisa completamente sériatriste. Não era má. Mas não era nada de explorar istoos temas continuam os mesmos... Porque é que achas que isso só aconteceu nos últimos dez anos? Foi com as ilustrações? Simeste humor que eu tenho eu não inventei para fazer desenhossou assim desde criança. Poisnão te imagino a ser uma pessoa diferente há quinze anosno sentido de humor. Sou a mesma pessoanem invento uma personagem. Eu sou exatamente assimnão há construção de personagem nenhuma. Para mim isto era linguagem de todos os dias. Era como eu falo com os meus amigoscomo eu falo na ruacomo eu existo. E a escrita era uma coisa à parte. Eu na minha cabeça ia usar uma vozque é a voz com que se escreve. Porque até tenho uma relação um bocadinho sagrada com a literatura. Portanto não misturava as duas coisasa maneira como eu sou e a maneiro como eu escrevo. As tiras mostraram-me que aquilo também pode ser uma linguagem criativa. E experimentei fazer isso. Os temas são iguaisestou a contar a mesma coisamas posso fazê-lo através do humor. Tive sorte: faço rádio; tenho trabalhado como atorcom o Pedro Penim. É o terceiro espetáculo dele em que entro. Vamos daqui a duas semanas fazer uma turnê em Françaestou super ansioso por fazer isso. Como é que se chama a peça? “Pais e Filhos”esteve no Teatro São Luís. Vamos a ParisToulouseetc. E é incrívelmas nada se compara à excitação que é quando estou a escrever. É incrível. Escrever um livro é como se fosse uma linha de metro. Quando tens a história na cabeçasabes que tens de ir à estação ABC e D e que tens a estação terminal. Em tudo o restoa maior parte das vezesestás a encher palha para o caminho das estações. Às vezes és invadido por uma espécie de vulcão criativo e isso é único. Não encontrei isso em mais nada.humor à primeira vista