PLAY PODCASTS
Ricardo Quaresma: “Nunca ninguém me tratou mal, mas sentia que as pessoas olhavam para mim de maneira diferente. Quando diziam: ‘ó cigano, passa a bola’, sentia que não era com carinho, mas com maldade. As palavras importam”
Season 2 · Episode 23

Ricardo Quaresma: “Nunca ninguém me tratou mal, mas sentia que as pessoas olhavam para mim de maneira diferente. Quando diziam: ‘ó cigano, passa a bola’, sentia que não era com carinho, mas com maldade. As palavras importam”

Geração 80 · Francisco Pedro Balsemão

August 7, 20251h 1m

Audio is streamed directly from the publisher (traffic.omny.fm) as published in their RSS feed. Play Podcasts does not host this file. Rights-holders can request removal through the copyright & takedown page.

Show Notes

Nasceu em setembro de 1983, em Lisboa. A mãe é africana e o pai de etnia cigana. Viveu no Casal Ventoso com os pais e o irmão mais velho até ir para o Sporting. O dia-a-dia dividia-se entre a escola e a rua, onde passava grande parte do tempo a jogar à bola. O pai esteve ausente quase dois anos, a mãe trabalhava de manhã à noite e durante esse período o irmão mais velho foi pai que metia o mais novo “reguila” no lugar. Começou a jogar futebol no clube do bairro e foi lá que o Sporting o foi buscar com apenas oito anos. Cresceu na Academia e aos 17 já jogava na equipa principal. Partilhava balneário com João Pinto, Jardel ou Paulo Bento e foi com eles que aprendeu tudo sobre o futebol. Deixou Alvalade para ir para o FC Barcelona, mas as coisas não correram bem. Não regressou ao Sporting, foi para o Porto e hoje sabe que foi “a melhor escolha”, mas na altura ficou “magoado”. "Deve quase tudo ao futebol” e ganhou quase tudo a jogar futebol. Para a memória de todos os portugueses fica o ano de 2016 onde ao lado de Cristiano Ronaldo ganhou o Euro. Ricardo Quaresma é o convidado do último episódio da 2ª temporada do Geração 80, conduzido por Francisco Pedro Balsemão.

See omnystudio.com/listener for privacy information.

Topics

futebolculturaeducaçãoSICExpressoSIC NotíciasGeração 80sportingFC PortoBarcelonaNasceu em setembro de 1983em Lisboa. A mãe é africana e o pai de etnia cigana. Viveu no Casal Ventoso com os pais e o irmão mais velho até ir para o Sporting. O dia-a-dia dividia-se entre a escola e a ruaonde passava grande parte do tempo a jogar à bola. O pai esteve ausente quase dois anosa mãe trabalhava de manhã à noite e durante esse período o irmão mais velho foi pai que metia o mais novo “reguila” no lugar. Começou a jogar futebol no clube do bairro e foi lá que o Sporting o foi buscar com apenas oito anos. Cresceu na Academia e aos 17 já jogava na equipa principal. Partilhava balneário com João PintoJardel ou Paulo Bento e foi com eles que aprendeu tudo sobre o futebol. Deixou Alvalade para ir para o FC Barcelonamas as coisas não correram bem.  Não regressou ao Sporting e hoje sabe que foi “a melhor escolha”mas na altura ficou “magoado”. "Deve quase tudo ao futebol” e ganhou quase tudo a jogar futebol. Para a memória de todos os portugueses fica o ano de 2016 onde ao lado de Cristiano Ronaldo ganhou o Euro. Ricardo Quaresma é o convidado do último episódio da 2ª temporada do Geração 80conduzido por Francisco Pedro Balsemão.“Um dia cheguei a casa e disse vou trocar o futebol pelo hóquei e a minha mãe disse: 'tu és maluco'”  “Talento ninguém te o dáou nasce contigo ou não nasce. Nenhum treinador ou empresário te dá talento. Ainda bem que tive treinadores rígidos comigo porque o futebol não é só tocar na bola” “Nunca ninguém me tratou malmas sentia que as pessoas olhavam para mim de maneira diferente. Quando diziam: ‘ó ciganopassa a bola’sentia que isso não era com carinhoera com maldade. As palavras importam” “A minha mãe entrava às 4 da manhã na Praça da Ribeiratrabalhava a limpar casas. Só a via à noite. Tinha três trabalhos e eu e o meu irmão estavamos sempre juntos a jogar a bola na rua" “Os meus amigos de infância ou estão mortosou estão agarrados à drogaou saíram do país. Tenho pouca ligação a quem foi criado comigoseguimos caminhos diferentes. Podia-me ter acontecido o mesmo” TRIBUNA “No futebol tens de ser politicamente correto e dizer o que as pessoas gostam de ouvir. Eu sempre disse o que penso. Não é mau feitio” “Nunca joguei muito bem contra o Sporting. Não era porque eu não queriamas as coisas não me corriam assim muito bem. Não sei se ficava ali um bocado tímidomas como eu cresci ali ficava com aquele sentimento de vou respeitar o clube. O Vítor Baía tinha a mania de dizer na brincadeira 'ahvamos jogar com um jogador a menos contra o Sporting'” “Foram buscar o meu irmão ao clube do bairro onde jogávamos e enquanto o meu irmão se despachava no balneáriodepois do jogoo olheiro viu-me a jogar e quis levar-nos aos dois para o Sporting"  “Os jogadores franceses no túnel diziam que saíam dali só com a vitória. Olhámos para eles e pensámos “estamos feitos”soubemos sofrer e quando o Éder fez o golo sofremos ainda mais. Foram os piores minutos dentro do campoo relógio parecia que não andava.” “Fernando Santos tinha um cuidado diferente com tudo o que fazia com os jogadores. Houve selecionadores que não e nunca percebi o porquê do meu caminho na Seleção ter sempre altos e baixos. A pessoa mais importante para mim na seleção foi o Fernando Santos. Não fui a um Mundial quando jogava no FC Porto e nem percebi bem porquê” “Fernando Santos ganhou o que ganhou porque tinha a equipa na mão. Ele acordava mal dispostopodíamos ficar chateados com o feitio delemas ganhámos o Europeu graças à união dele” “Uma vez perguntei ao Fernando Santos o que tinha de fazer mais para jogar a titular nesta equipa e ele foi sincero comigo. É aquele treinador com as suas superstições: se tu entras aos 60 minutos e corre bemvais ter sempre de entrar nessa altura. Ele achava que eu era o anjo da guarda dele ou da equipa” “Tudo o que se passava no Porto ficava lá dentro. No Sporting e no Benfica toda a gente sabia o que é que se passava. Tens uma cidade uma cidade a viver para o clubetoda a gente sabe os teus passosnão te podes esticar”