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Nininho Vaz Maia: “Chegar ao Verão era a nossa maior alegria porque tínhamos os monitores no bairro e uma porta aberta para criar. Não saíamos do bairro porque não tínhamos como sair para outro sítio. Não tínhamos ninguém; o meu pai estava preso, o pai do meu amigo estava preso, os nossos tios estavam presos. Aquele projeto era nossa saída do bairro”
Season 1 · Episode 25

Nininho Vaz Maia: “Chegar ao Verão era a nossa maior alegria porque tínhamos os monitores no bairro e uma porta aberta para criar. Não saíamos do bairro porque não tínhamos como sair para outro sítio. Não tínhamos ninguém; o meu pai estava preso, o pai do meu amigo estava preso, os nossos tios estavam presos. Aquele projeto era nossa saída do bairro”

Geração 80 · Francisco Pedro Balsemão

July 25, 202439m 47s

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Show Notes

Nasceu em fevereiro de 1988, em Lisboa. Viveu no bairro da Picheleira, antigo bairro da Curraleira - um dos maiores e mais antigos bairros de barracas de Lisboa. Foi aí que os pais se conheceram. A família paterna é cigana, os pais cresceram juntos e viviam “porta com porta”. Estão juntos desde os 11 anos. “Gosto muito da história deles.” É cigano e cresceu no bairro com a comunidade. A vida era complicada, mas a fuga aos “maus caminhos” tornou-se fácil com a ajuda de projetos de integração social como o “Sementes a Crescer”. “Marcou-me para sempre. Sem o acompanhamento daqueles profissionais, o mais provável era sair da escola e andar pelas ruas a fazer porcaria, a roubar”, confessa. Em 2014, tornou-se conhecido com um vídeo publicado nas redes sociais, a cantar e tocar guitarra com uma pulseira eletrónica na perna. Estava em casa em prisão domiciliária. Hoje é um dos artistas mais conhecidos do país e um exemplo para o bairro onde cresceu e para a comunidade cigana. Nininho Vaz Maia é o convidado do Geração 80, conduzido por Francisco Pedro Balsemão.

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Nasceu em fevereiro de 1998em Lisboa. Viveu no bairro da Picheleiraantigo bairro da Curraleira - um dos maiores e mais antigos bairros de barracas de Lisboa. Foi aí que os pais se conheceram. A família paterna é ciganaos pais cresceram juntos e viviam “porta com porta”. Estão juntos desde os 11 anos. “Gosto muito da história deles.” É cigano e cresceu no bairro com a comunidade. A vida era complicadamas a fuga aos “maus caminhos” tornou-se fácil com a ajuda de projetos de integração social como o “Sementes a Crescer”. “Marcou-me para sempre. Sem o acompanhamento daqueles profissionaiso mais provável era sair da escola e andar pelas ruas a fazer porcariaa roubar”confessa. Em 2014tornou-se conhecido com um vídeo publicado nas redes sociaisa cantar e tocar guitarra com uma pulseira eletrónica na perna. Estava em casa em prisão domiciliária. Hoje é um dos artistas mais conhecidos do país e um exemplo para o bairro onde cresceu e para a comunidade cigana. Nininho Vaz Maia é o convidado do Geração 80conduzido por Francisco Pedro Balsemão.Nininho Vaz Maia: “Chegar ao Verão era a nossa maior alegria porque tínhamos os monitores no bairro e uma porta aberta para criar. Não saíamos do bairro porque não tínhamos como sair para outro sítio. Não tínhamos ninguém; o meu pai estava presoo pai do meu amigo estava presoos nossos tios estavam presos. Aquele projeto era nossa saída do bairro”“O meu pai é ciganoa minha mãe não era. Estão juntos desde os 11 anoscresceram juntos. Gosto muito da história deles!” O projetos sociais no bairro onde cresci foram muito importantes. Sem eles o mais provavel era sairmos da escola e andarmos pelas ruas a fazer porcariaa roubar. e isso deixou de acontecer. Ali tinhamos uma porta aberta para criarcozinhavamos… “Quem vive no bairrocresce no bairroviveu coisas em criança que nos marcam para toda a vida - falo de pais presos. E quem vive no bairro passa ali muito tempo e projetos com psicólogoslevavam-nos de feriasfaziamos atividadesdesporto” Os miudos de hoje em diacom 1213 anos estão fechados. As crianças crescem com esta mentalidade. Demoramas estamos a evoluir “A união é uma caracteristica do povo cigano e hoje isso está a perder-se. Mandamos uma mensagem no whatsapp e não falavamos olhos nos olhos. Recebo muitas mensagens de pessoas que gostavam de ter famílias tão unidas como a nossa” “Revejo-me menos no temperamento cigano Continuamos a pensar em coisas do tempo dos nossos bisavósprovavelmente o meu filho ainda vai pagar por isso. Não me revejo na mentalidade que ainda existe hoje em dia em muito povo cigano” “Nós somos criticados mas também criticamos muito. Dizemos que não existe aceitação mas nao nos conseguimos integrar. O povo cigano está demorado a evoluirfaz parte da nossa culturasomos muito fechados” Chegar ao Verão era a nossa maior alegria porque tínhamos os monitores no bairro. Ali tínhamos uma porta aberta para criar… Nao saimos no bairro porque nao tinhamos como sair. O meu pai estava presoo pai do meu amigo estava preso e não tínhamos como ir para outro sítio. Não tínhamos ninguématé os nossos tios estavam presos. Aquele projeto era nossa saída do bairro.