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Albano Jerónimo: “Tomávamos banho uma vez por semana, usávamos sempre a mesma roupa para ir para a escola. Tudo isso potenciou uma grande união entre mim e os meus irmãos. Não tenho complexos em falar disso, até acho importante porque é único; é a minha vida, a minha educação, que eu não escolhi”
Season 2 · Episode 16

Albano Jerónimo: “Tomávamos banho uma vez por semana, usávamos sempre a mesma roupa para ir para a escola. Tudo isso potenciou uma grande união entre mim e os meus irmãos. Não tenho complexos em falar disso, até acho importante porque é único; é a minha vida, a minha educação, que eu não escolhi”

Geração 70 · Bernardo Ferrão

July 24, 202457m 2s

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Show Notes

Nasceu em junho de 1979, em Lisboa. Cresceu em Alhandra, uma zona piscatória com escadas para o Tejo. Tomou muitas vezes banho com os filhos dos peixeiros. Em criança chamavam-lhe “Albaninho" e passava os dias a brincar no quintal de uma senhora a quem chamava “carinhosamente” de avó. A mãe trabalhava na TAP e o pai tinha um talho. Tem dois irmãos mais velhos e a infância “dura” uniu-os para sempre. A relação com o pai nunca foi a melhor. “O meu pai ensinou-me o que não devo fazer. Os ensinamentos que me deu foram muito úteis. A minha mãe deu-me amor”. Entrou no teatro muito cedo, mas a mãe queria que o filho arranjasse uma profissão “segura”. Começou a trabalhar aos 15 anos “para levar dinheiro para casa”. Albano Jerónimo é o último convidado da 2ª temporada do Geração 70. É um dos atores mais reconhecidos a nível nacional, tem um percurso internacional muito elogiado, com uma carreira de sucesso que passa pela televisão, teatro e cinema. Nesta conversa com Bernardo Ferrão, admite que nunca teve padrinhos para ser “validado” no teatro e mostra-se preocupado com aquilo que considera ser a notória “escassez” de cultura no país. Aproveita também para desmistificar alguns mitos em relação aos atores de televisão.

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Nasceu em junho de 1979em Lisboa. Cresceu em Alhandrauma zona piscatória com escadas para o Tejo. Tomou muitas vezes banho com os filhos dos peixeiros. Em criança chamavam-lhe “Albaninho" e passava os dias a brincar no quintal de uma senhora a quem chamava “carinhosamente” de avó. A mãe trabalhava na TAP e o pai tinha um talho. Tem dois irmãos mais velhos e a infância “dura” uniu-os para sempre. A relação com o pai nunca foi a melhor. “O meu pai ensinou-me o que não devo fazer. Os ensinamentos que me deu foram muito úteis. A minha mãe deu-me amor”. Entrou no teatro muito cedomas a mãe queria que o filho arranjasse uma profissão “segura”. Começou a trabalhar aos 15 anos “para levar dinheiro para casa”. Albano Jerónimo é o último convidado da 2ª temporada do Geração 70. É um dos atores mais reconhecidos a nível nacionaltem um percurso internacional muito elogiadocom uma carreira de sucesso que passa pela televisãoteatro e cinema. Nesta conversa com Bernardo Ferrãoadmite que nunca teve padrinhos para ser “validado” no teatro e mostra-se preocupado com aquilo que considera ser a notória “escassez” de cultura no país. Aproveita também para desmistificar alguns mitos em relação aos atores de televisão.Albano Jerónimo: “Tomávamos banho uma vez por semanausávamos sempre a mesma roupa para ir para a escola. Tudo isso potenciou uma grande união entre mim e os meus irmãos. Não tenho complexos em falar dissoaté acho importante porque é único; é a minha vidaa minha educaçãoque eu não escolhi”“Nos tomávamos banho uma vez por semana. Usávamos sempre a mesma roupa para ir para a escola. Tudo isto potenciou uma grande união entre mim e os meus irmãos. Não tenho complexos em falar disto. Até acho de certa forma importante porque é único. É a minha vidaque eu não escolhi” “Nos meios pequenosde onde eu vimsente-se que a vergonha é mais visível. As pessoas não se separam porque socialmente é uma vergonha. Estão endividadas porque vivem à sombra de ideais que elas criam de como é que seria ter uma vida perfeita. Há iliteracia financeiradesinformação. É por isso que a cultura é útil!” “Preocupa-me algumas questões do paíscomo artista e como pai. Pensar num futuro é complicadopara mim não há futurosomos todos merdamas como pai eu não posso boicotar o futuro das minhas filhas” “O estrangeiro é mal tratado? Sem dúvida! Vivo num país onde na AR se tem um vocabulário que para mim é inapropriado .Ser político é algo nobre e deveria ser um exemplo para toda uma sociedade. Há legitimação do discurso numa casa de que devia ser o exemplo de bom comportamento e excelência“ “Vivemos em tempos onde as imagens de horror de tragédia são divertimento ou conteúdos nas redes sociais. Há um afastamento brutal; A empatia está cansada e nós podíamos trabalhar mais nisso” “50 anos depois do 25 de Abrilsinto que o indivíduo fica sempre à margem de uma lei que se sobrepõe e carece de braço maior que fale para as pessoas. Os sucessivos Governos não se identificam com as pessoas” “Eu tenho sorte em ter trabalho e sou muito gratomas eu não paro de trabalhar. Ser ator em Portugal é muito complicado e desgastante. Como não sou propriamente ricotrabalho para viver. Para fazer acontecer espetáculosna minha companhia de Teatrotenho de pôr dinheiro. Em Espanha qualquer colega faz uma novela e fica 8 meses sem trabalhar” “Fazer uma novela é um desgaste enorme. Entramos todos os dias pela casa dos portugueses. O horário de trabalho é duro e não há muito tempo para gravar. Mas as pessoas acham que há um facilitismo associado à ideia de ser ator de televisão e vão gostar de saber que não é assim.”