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[Republicação] José Semedo Fernandes sobre o julgamento de polícias por agressões, tortura e racismo na Cova da Moura (Entrevista)

[Republicação] José Semedo Fernandes sobre o julgamento de polícias por agressões, tortura e racismo na Cova da Moura (Entrevista)

Fumaça

February 6, 20201h 2m

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Show Notes

No passado dia 21 de janeiro, o país foi confrontado com mais um caso de brutalidade policial. Um vídeo publicado nas redes sociais, entretanto tornado viral, mostra Cláudia Simões, negra, a ser forçada a deitar-se no chão por um agente da PSP, que lhe aplica um golpe de artes marciais durante mais de seis minutos, enquanto se queixa de estar a ser mordido e grita “esta gente não sabe as leis”. A história que Cláudia conta é que entrou num autocarro na Amadora com a sua filha de oito anos e que o condutor não a queria deixar viajar porque se tinha esquecido de trazer o passe da criança. O motorista acabou por chamar a polícia e, no final da noite, depois de detida, Cláudia Simões apareceu e com a cara desfigurada. O motivo, disse a PSP, foi “uma queda”. Cláudia conta outra versão, diz que foi metida num carro da polícia e que, enquanto este andava às voltas, foi espancada. No passado sábado, centenas de pessoas juntaram-se em Lisboa para protestar contra o racismo e a brutalidade policial das forças de segurança portuguesas. Esta semana, tomou posse o novo diretor da PSP, Manuel Magina da Silva, que disse, sobre este caso - e estou a citar - “do que vi do vídeo, não vejo nenhuma infração (...) há uma atuação legal e legítima por parte de um agente da autoridade”.

 

Tudo isto acontece quando se completam cinco anos desde que seis residentes da Cova da Moura foram sequestrados, espancados e torturados na esquadra de Alfragide, a 5 de fevereiro de 2015. Numa decisão sem precedentes em Portugal, oito agentes foram condenados a penas de prisão: um com prisão efetiva, os restantes, pena suspensa. Em novembro de 2018, ainda antes da decisão do tribunal, conversámos com José Semedo Fernandes, um dos advogados das vítimas. Fiquem com a entrevista.

 

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