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Mariana Cabral: “Ao mesmo tempo que vou para as profundezas do obscuro, também vejo o quão ridículo isso é. Mas é combustível para o meu trabalho”

Mariana Cabral: “Ao mesmo tempo que vou para as profundezas do obscuro, também vejo o quão ridículo isso é. Mas é combustível para o meu trabalho”

Alta Definição · SIC

October 18, 202558m 6s

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Show Notes

No Alta Definição em podcast, Mariana Cabral, conhecida como Bumba na Fofinha, revela-se com humor e franqueza a Daniel Oliveira. Fala do medo de perder a graça, da síndrome do impostor e da dificuldade em desligar da persona pública criada ao longo de mais de uma década. A humorista confessa ser tímida e introvertida, apesar da imagem extrovertida, e valoriza a liberdade e o direito ao erro. Entre risos e introspeção, Mariana Cabral partilha o lado menos visível da maternidade, como a exaustão, a culpa e a depressão na gravidez, mas também a alegria profunda de ver crescer os filhos. A comediante recorda a infância em família numerosa, o humor partilhado entre irmãos e a liberdade para ser “pateta”. Rejeita o culto da perfeição nas redes e defende um olhar mais verdadeiro sobre a vida. O Alta Definição foi emitido na SIC a 18 de outubro.

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Transcrição completa & arquivo SRT Incorporar transcrição Editar nomes dos participantes Conversar sobre a transcrição Transcrito automaticamente com Podsqueeze Speaker 1 00:00:00 Mas ainda estamos aqui. Mariana Cabral 00:00:05 Para isso. E não está tudo bem. Olá maltaCalma! Como é que é a malta daqui? E a vossa bombinha? O que é que é? Saudadinhas aqui do toucinho? Olá! Espera aí outra vez. Mariana Cabraltambém conhecida como Bumba na Fofinha. Tenho. Não sei se são 38são 39mas acho que é 38. Isto começou no Alta Definição. Apesar de não saber bem quem sou lá destas alminhas não ouço nada. Daniel 00:00:38 Bem vindaMariana. Mariana Cabral 00:00:39 ObrigadaDaniel. Daniel 00:00:40 Ao que parece tu tens muito autocontrolo na tua vidaportanto eu peço que mantenhas a sobriedadeok? Mariana Cabral 00:00:46 Claro que sim. Euno fundo vim aqui para estar com as pessoas da minha casaportanto vim aqui para estar com elas. Eu não estou aqui por tiDaniel. Estou aqui para não estar com eles. Daniel 00:00:53 Mas tu querias muito estar aquinão era? Mariana Cabral 00:00:55 E estou aqui. Nota se. Nota se a nota da minha cara. Nãoeu estou aqui com gosto. Mariana Cabral 00:01:00 Simsimé verdade. Demorou um tempomas eu expliquei te porquê. Tu nunca aceitaste estes argumentos. Minha vida não é muito interessante quando ninguém está a ver. Eu sou uma moça muito medianagosto de canjagosto de jardins e gosto de sossego. Gosto de cães. Quantos mais melhor. Preferência rafeiros lazarentos com aquele pelinho palha de aço. Porque não gosto. Não gosto de comida que quando se toca treme dobradasnão sei quê. Não vou apreciarmas gosto de praticamente tudo o resto que há no mundo. Ora. Daniel 00:01:30 Acontece me muito tu conseguires as coisas que queres muito. Mariana Cabral 00:01:33 Nem sempre sabes. Depende da sede de seja. Há coisas que se forem objectivos de vida e se eu tiver a certeza deles à partida consigo segurar um bocadinho mais um bocadinho impaciente. Mas também desisto com alguma facilidade. Não sou aquelas pessoas istomeu Deuseu quando vou atrás nãojá aconteceu. Desistir já me habituei a perderjá falhei bastanteportanto acho que sou equilibradamas tipoquando quero pelo menos tento. Daniel 00:01:56 E com mais receio de perder o que já conquistaste. Tens mais a perder hoje do que tinhas quando começaste. Mariana Cabral 00:02:00 Eu não preciso conquistar muito maisOu sejaaquilo que eu já tenho já é maravilhoso. Agora tenho um bocado esta sina que é uma sina óptimaque é a de tentar manter este espacinho que conquistei. Que as pessoas continuem a gostar daquilo que eu faço e isso é precioso. Manter isso é o objetivo de uma vidaporque acho que as pessoas vão fartarnão é? Eu não sei se vou ter sempre coisas novas para dizer. Acho que rapidamente me posso tornar aborrecida ou repetitiva. Nem sempre. Se calhar me vou conseguir reinventar. É um bocado as inseguranças primeiro mundistas do meu tipo de trabalhomas eu não preciso de mais. Já está bomjá é muito mais do que aquilo que eu alguma vez esperei. Agora tenho que semear. É tipo como as relações dos velhossabes? Semearmanter a paixãomanter o fogachoter um preliminar de manhã assim umas coisas. Speaker 4 00:02:42 Boas e ouvir o mundo. Daniel 00:02:45 Em que fazes é que está o teu síndrome de mistura. Mariana Cabral 00:02:47 Neste momento está domesticado só porque eu não estou a fazer nada de novo. Eu acho que o síndrome do impostor é muito mais difícil de calar quando está completamente fora de pé. Quando vou fazer uma coisa novaquando não me conheço em determinado formato. Tenho sempre medo que as pessoas me vejam como eu me vejoque é como uma pessoa muito pouco especial. As pessoaspor alguma razãoacham que eu sou especial o suficiente para gastarem o seu tempo e o seu dinheiro para irem ver um espetáculo ou para verem as coisas que eu faço. Eu não farei isso por mim. Eu não me tenho nessa conta. Não sei se perderia este tempo comigo. Portantose calhar é isto. É que percebam que eu não tenho rigorosamente nada de especial e passa a ser uma pessoa que não merece o seu tempo e o seu dinheiro. Daniel 00:03:26 Com receio de perder a graça. Mariana Cabral 00:03:27 Pois simestamos sempre a competir com versões passadasmas é porque as pessoas também gostaram de um projecto que fizeste anos depois. Mariana Cabral 00:03:33 Querem que tu fiques exactamente igual. Às vezes as pessoas até gostam da pessoa que elas eram quando viram aquela tua coisanão é? É uma nostalgia que às vezes tem a ver mais com elas e com o saudosismo de terem sido jovens no momento em que do que propriamente com o teu trabalho. Acho que as pessoas muitas vezes esperam que tu te mantenhas sempre igualou então esperam que tu te reinvente sempre. Cada pessoa vai ter uma opinião paradoxal. E faz parte do nosso trabalho também navegaristo étentamos perceber o que é que nós queremos realmente fazer para mim. Às vezes tenho dificuldade em silenciar isto tudo e perceber tipo nãomas o que é que me apetece? Daniel 00:04:03 Já disseste que se estás sempre à procura dos indícios do fim? Mariana Cabral 00:04:05 É verdadea ansiedade às vezes tem algumas vantagens que é só se preparar para as catástrofes já ensaiasse um pensamento. Há poucas coisas que tu possas dizer Já imaginaste se a tua filha de repente vem ao autocarro? Jájá pensei é horrívelhorrível preparar me pa esse cenário. Mariana Cabral 00:04:21 São pensamentos intrusivosnão é? Não recomendo a ninguém e às vezes a pessoa fica ali e fica a viver essas coisas como se pudesse preparar se para o sofrimento. Enquanto ela está tipo a brincar com legos ao meu lado. Procuro não passar muito tempoaí já passei muito mais e depois prontodepois fui para a terapia. Houve uma altura da minha vida e eu achava que toda a gente ia morrer de Tancos à minha volta e era uma coisa que me consumia e e sei láalguém me dizia tava com dor de cabeça e eu imaginava os carecas a fazerem quimioterapia. Era um salto lógicocompletamente doentio. Prontofui perceber porque é que pensava assim. E agora eu convivo bem com esses pensamentos. Agora eles fazem parte da minha vida e acho que fazem parte da vida de toda a gente. Pensamentos intrusivos. O importante é perceber se eles atrapalham a vida. E eu achopois ao mesmo temposó não sou bastante leve. Daniel 00:05:09 Porque faço questão de o ser. Mariana Cabral 00:05:11 Porque me rio das coisas. Mariana Cabral 00:05:12 É só isso. Ao mesmo tempo que vou para as profundezas do obscurodepois vejo o quão ridículo isso é. Me é combustível para o meu trabalho. O facto de acontecerem 20 cenários paralelos enquanto eu estou aqui a falar contigoisso faz com que eu consiga ver istoque estamos aqui a fazer de outras maneiras. Isso eu agora te desse um biker na boca que não vou fazermas não sei. Há um pensamento no pensamento que se cruza no final do dia. É tudo muito patetamesmo os cenários todos catastróficos. A possibilidade de acontecerem não é nulamas é minúscula. É sempre muito redentor quando damos a volta e olhamos para o ridículo de tudo isso. Daniel 00:05:49 Já reconheces que tens talento? Mariana Cabral 00:05:51 Eu acho que tenho algumas características que me ajudam. Acho que sou uma pessoa afávelnão sei bem porquê. Tenho uma certa energia de labrador. Sabe que não é uma coisa minimamentenem planeadanem ensaiada e sou muito desengonçada. Isso desarma um bocadinho as pessoas em relação a mim. Realmente dei por mim a refletir que não faz sentido nem tenho idade para ter o corpo de uma lula acamada. Mariana Cabral 00:06:15 É tempo de dizer basta. Daniel 00:06:16 Autoestima não é das tuas principais qualidades. Mariana Cabral 00:06:19 E simdepende. Por exemplopara o trabalho não. Maspor exemplocomo mãecumpro me bastante nesse papel e não sou nada insegura. Não sei se foi por ter sido mãe mais velha. No fundoacho que sou uma boa mãe. É uma coisa que não me dá imensas dúvidas existenciais. No trabalho não trabalhonão sei bemlevo me demasiado a sério. Isto já aconteceu porque tive por ali. Como mãe Eu sei o que fazer. Sei que vou falhar em imensas coisassei no que é que sou boasei no que é que sou mámas é um papel em que sou estranhamente segura. Não estava à espera disso e que na verdade é um trabalho muito mais importante que qualquer outro. Portantoachava que nesse é que as perninhas iam tremer. Mas para o acaso pensei olhaolha lá o quê e saber navegar à questão. Estou orgulhosa de mim. Speaker 4 00:06:56 Já li. Daniel 00:06:57 Olhando de foraque Jesus é que tu encontras para o teu sucessopara teres conseguido. Mariana Cabral 00:07:01 Houve uma parte circunstancial. É sorte que foi o facto de eu ter começado a fazer vídeos numa altura em que o YouTube começou a explodir e que as marcas se viraram para o digital para começarem a promoveretc. E eu apanhei esse ponto de viragem importante. Eu lembro me que comecei a fazer parcerias com marcas. Devo ter sido das primeiras pessoas a fazer disso vidaa poder despedir se do trabalho e começar a fazer disso. Há sempre sorte nestas coisas. Não tou a dizer que foi só sortemas foi sorte porque de repente dei por mim e as pessoas querem me pagar para eu ser eu. E lembro me de ser claramente bizarra que eu nem sequer fazia ideia quanto é que havia de cobrar daqui e pumbana fofinha. Hoje vamos falar sobre sobrancelhas. Daniel 00:07:39 Em que momento é que tu não és a bombar fofinha? Em que te obrigas a não ser a imagem que fazem de ti em casa? Mariana Cabral 00:07:44 Em casa não sou nada. Eu acho que sou mais bomba novinha quando estou em ambientes que não são os meus 80% da bombasou eu e a Mariana. Mariana Cabral 00:07:53 Normal de casa também. Mas depois há aqueles últimos 20. Se calhar são aqueles que eu já tive e situações de desconforto social com desconhecidos quando me sinto um bocadinho inadequada e então vou um bocadinho para a macacada. Mas às vezes não me apetece ir para aí e vou por defesapor sobrevivência social. Desenvolvi isso ao longo da vidaa combater uma sensação de inadequação ou piadola muito útil. Isto não é de todo mau. Só que às vezes eu tento estar só caladamas apetecia me não ter que ser absolutamente persona nenhuma e pudesse só estar. Éposso. E eu sinto que tenho que entretermas não tenho. Ninguém me pede isso. Pois éobviamente vai haver pessoas a dizer aheu conheci ao vivo e ela é uma seca. Paciência. Mas é um exercício que eu tenho que fazerde poder estar num sítio calada e está tudo bem. Não tenho que entreter ninguém espera isso de mim. Posso não ser engraçadaquer dizeré um bocado cansativo e às vezesquando não tenho bateria socialàs vezes até penso pánão me apetece irpois as pessoas vão esperar que eu seja a bomba. Mariana Cabral 00:08:49 E nem sempre me apetece ir em personages até sumirem. Calado e sisudo e cabisbaixo em neurose. Talvez o silêncio nalguns momentos da minha vida tenha sido associado a uma certa tensão no casamento dos meus pais. Nem tudo foram rosasmas acabaram por se divorciar e se calhar houve momentos de tensão em que associei o silêncio a uma espécie de perigo e então era importante manter a carroça a andar e os malabares e o entretenimento a acontecer. O único aspecto microscópico da fama que talvez não seja tão bom e eu sentir que às vezes tenho que performar em momentos que não me apetece. E atençãosou eu que sinto e ninguém exige isso de mim. Eu é que sinto essa pressãoessa necessidade de agradar e de tentar ser amada por 100% das pessoas do mundopois sei que não é um pouco cansativo. Eu sou muito mais tímida e muito mais introvertida do que me permito forçar me a ser extrovertidamas na verdade não sou. Tiponão me apetece. Eu não gosto de muita gente. Estar com muita gente drena me um bocado. Mariana Cabral 00:09:44 Preciso depois de recolhimento. Acolhimento. Daniel 00:09:47 Quando começaste a ser conhecido e a fazer os vídeosa atitude dos outros mudou. Daqueles que te conheciam? Mariana Cabral 00:09:51 Não os que me conheciam. Não. Até porque os meus amigos são todos de infância. Os grandes amigos que tenho são pessoas desde os três anos de idade e isso não mudou. Não entraram assim tantas pessoas novas na minha vida para eu de repente ter que me redescobrir como amiga. Não são os mesmos que já me conhecem em todas as minhas facetas. Gosto imenso de conhecer pessoas novas no trabalhomas depois volto sempre para a minha vida recolhida. Não exponho muito a minha vidaninguém se interessa pela minha vidao que é óptimo. Nunca me aconteceu. Ai meu Deusuma revista! Apareci e nunca apareci. Óptimo. Adoro a. Excelente. Não interessa rigorosamente nenhum paparazzi. Nunca ninguém disse assim. O que é que andava a fazer à bomba agora? Será que ela está na praia? Nunca ninguém. Óptimo. Lucas foi o bebé desejadoplaneado e eu estava numa fase da vida tranquila ou óptima. Mariana Cabral 00:10:38 Estava tudo bem e eu engravidei passado uma semana. Estava profundamente deprimida. Gosto de uma boa canjinha. Gosto de jardinsde um dia alimentar a ideia de ir viver para o campo como Alberto Caeiroenvelhecer na contemplação dos prados. Não gosto de pessoas que não se responsabilizam por nadaporque as pessoas não assumem os seus erros e que dizem como é que eu sou? Tenho mau feitio. Nãonão és uma pessoa de merda. Speaker 4 00:11:06 Que até cadeado e capuz carapuça. Daniel 00:11:08 Queres que é um tipo de humor mais feminino? Mariana Cabral 00:11:10 Não digo que seja o tipo de humor que seja feminino. Acho que uma pessoa faz humor com base nas suas vivências. Parte dessas vivênciasentre outras característicashá também o facto de ser mulher e mãeetc. Mas o humor é com base naquilo que eu vivo e em quem eu sou. E uma dessas coisas é ser mulher também. Daniel 00:11:23 Há um despojamento nos teus vídeosa forma como tu te entregas que os tornam mais verdade. Às vezes a gravidez assumires o corpoassumiresdescansares. Mariana Cabral 00:11:30 Eu nem sequer penso nissoMeu Deusque a de coragem vou aparecer assim com a minha cara de manhã. Não tenho. Simplesmente acordofilmeiestou assim. E às vezes sou apanhada de surpresa quando me dizem tipo realmente tu és de uma coragema mulher real de aparecer com a sua carinha de origem e eu penso que o resto é que está meio erradonão é? Daniel 00:11:46 Não exige uma pessoa estar muito bem resolvida consigo mesmo. Mariana Cabral 00:11:49 Isso é que eu não estou nada bem resolvidaDaniel. Não sou nadaNão sou nada. Acho muito triste isso ser um acto. Coragempercebes? Mas não vou ser cínica. É verdade que acontece pouco as pessoas que temos como referência nas redes sociais. Há uma curadoria da aparênciatipo que eu acho uma canseiraa que a maioria de nós não tem tempo nem vontade para estar sempre nos píncaros. Portanto não tou a dizer para aparecerem sempre deslavadas e com o meu ar acabadoporque eu às vezes eu própria penso a sérioolho me ao espelho e penso é isto que vamos dar ao mundo? Mas acho que é bom mostrar as duas coisas. Mariana Cabral 00:12:18 Sim senhoraquando acabámos de acordar E temos que conterportantoum belo fado. E quando estamos no nosso melhor e popozudas e gostosonasessas duas coisas fazem parte da vida. Era bom que elas tivessem ambas palco nas redes sociais. Daniel 00:12:31 Estando a marimbar para o que os outros dizem. Mariana Cabral 00:12:32 Pois não de estar a marimbar o que os outros dizem. Isso é um exercício muito difícil de fazerapesar de na Casa dos Segredos dizerem que nãoninguém se está realmente a marimbar para o que os outros dizem e quem diz é porque quer dar a aparência de se estar a marimbar tambéme por si sótambém importar se com as aparências. E nisso não se preocupaestá a mentir. Acha que é fazer? Apesar disso? É quase uma espécie de mini ativismo. Não me sinto bonita. Estou com olheiras até as mamas. Avanço. Ainda assimgostava muito de ver influencers do mundo a fazerem isso mais vezes. Speaker 5 00:13:01 Como é que a maltinha que é a vossa booms aqui do tamanho de Saturno é preocupante? Estou aqui bastante com as minhas amigas. Mariana Cabral 00:13:11 Gostava que houvesse mais influências vocais a darem as suas opiniões e elaborarem raciocínios. Não estou a dizersou completamente contra aquilo. Cada vez que acontece alguma coisa polémicalogo rapidamente já temos todos que dizer alguma coisa e toda gente tem que se manifestar e é tudo muito rápido. Eu não tenho a menor necessidade fazer isso. São raras as vezes em que eu tenho alguma coisa realmente importante para dizer ou interessanteum ponto de vista diferentemas às vezes é só sinalizar a virtude e só vazio. Se toda a gente fizer isso muito rápido e só porque estão a surfar uma onda. Acho que as vezes é importante pararouvir e perceber se tenho uma perspetiva sobre isto. Ela é construtivanão é? Assimfica cada vez mais difícil navegar isso sendo uma pessoa com dúvidas. Eu sei que as pessoas não têm muitas perguntas. Hoje em dia têm 20.000 respostas para tudo e eu só tenho perguntas. Eu acho que estou naquele ponto de rebuçado da vida que é. Eu sou inteligente o suficiente para ser consciente das minhas limitaçõesque é o pior tipo de burroque é o burro que sabe que é. Mariana Cabral 00:14:03 Portantoeu não acho que tenho ou estudos ou conhecimento para resolver nenhum dos problemas mais complexos do mundomas pelo menos acho que devemos refletir sobre eles. Gostava de ver mais isso nas redes e vejo muita água micelar. Speaker 4 00:14:14 Sabes onde pode? Daniel 00:14:18 A ti tens um grande gosto pelo erro. Radar está permanentemente ativo pelo erro. Mariana Cabral 00:14:24 Eu acho que é uma grande redenção coletiva quando percebemos que já todos chafurdamos no Cocóprincipalmente quando percebemos que muitas vezes quando estamos a errar e chato no momento faz um doi doi grande no egomas depois efetivamente é sempre no erro RKum ponto de viragem qualquernão é? É onde existe uma aprendizagemonde existe no meu trabalho uma redenção para rir. Eu quando conheço alguémtenho sempre este vício de tentar fazer uma leitura de quem é que é esta pessoa quando está em casaquando está sentada a comer coisas crocantes em frente à televisão que aqui inquieta? O que desilusões é que há ali? Vou sempre para esse lado. Esse lado para mim é que é o lado verdadeiramente humanoo outro lado todo da vida. Mariana Cabral 00:14:59 É um bocado de nós a sermos marionetasa fingir que sabemos ser adultos. Agora vou para a casa das pessoas aqui um bocadofingir que temos uma maturidadeque não temos esse lado e que é a redução ao essencial para mimem que não sabemos bem o que é que vimos cá fazer. No fundono fundotoda a gente está mais ou menos assim. Ninguém sabe bem. Estamos todos a dar o nosso melhor. Somos todos um grão de pó na imensidão que é o cosmos. E estamos todos um bocado a fingir que sabemos ser humanos. E então o erro para mim é a cola que nos une a todosas emoções mais mesquinhas que vêm dos erros. A vergonhainvejaa desilusão. Eu acho bonitas por serem tão comezinhasnão é? Tão corriqueiras e acho que não têm o palco que merecem. A comédia faz disso missãonão é? Speaker 4 00:15:36 Choromas é melhor chorar. Daniel 00:15:40 Com que erros mais aprendeste? Mariana Cabral 00:15:42 Os meus erros vêm sempre por omissão. Vivo muito com medo e então há muitas omissões de passos que eu não quis dar. Mariana Cabral 00:15:48 E vou sempre muito a medo. Demoro muito tempo a cozinhar as coisas na minha cabeça porque às vezes acho que tenho que ser perfeita à primeira e claro que não vou ser. Depois faço as coisas e penso se de facto não era tudo isto. Não era preciso esperar tanto tempo. Isto afinal soube tão bemnão era preciso ter ido dar uma volta labiríntica não sei aonde para experimentar isto. Podes experimentar isto só porque é bomporque é divertido. Os meus erros vêm muito por aí. Vem por eu dizer que nãopor medo. Daniel 00:16:13 Quão valiosa para ti é a tua autonomia? Mariana Cabral 00:16:15 Não me chamava autonomiamas a minha liberdade é o meu grande bastião. Tudo o que eu façoo trabalho. Ganhar dinheiro é para ser de alguma maneira livre para gerir o meu tempopara poder ver crescer os meus filhostendo o privilégio de estar mais tempo com eles do que a maioria das mãespode ter liberdade para poder dizer que não há trabalhos que não quero. Isso é o meu grande privilégiomas também é a minha missão. Mariana Cabral 00:16:36 Eu ainda acordo todos dias a pensar como é que é possível eu fazer disto vida e as pessoas darem me essa oportunidade. Daniel 00:16:42 Tens uma estratégia de curto prazo? Mariana Cabral 00:16:44 Eu só tenho estratégias de curto prazo. Consigo pensar tipo tão longe quanto um anomas nunca mais do que isso. Sei mais ou menos o que é que é fazer este ano. Eu não sou muito organizadaportanto eu só consigo pensar tipo até ao final do ano. Vou fazer istovou entregar isto bem. Foco me muito para fazerneste caso o meu espetáculo. Entrego e só quando entrego no último espetáculo é que penso tipo opahprontoagora Next. Eu tenho muitas terras abertas ao mesmo tempoportanto tem que fazer as coisas com calma. Não tenho capacidade para ter 20 projetos em aberto ao mesmo tempo e vejo imensas pessoas que conseguem. Daniel 00:17:17 E tens algum limite de auto ou impões de dar luz às tuas sombras? Sabes o que queres e o que não queres? Mariana Cabral 00:17:24 Acho que sei muito bem. Por acaso sei muito bem o que quero. Mariana Cabral 00:17:27 Tenho muitas vezes medo. Acho que sei muito bem o que é que quero fazero que quero experimentaro que é que quero arriscar. Hoje em dia já sei muito bem em que é que não vou ser felizpor exemplo? Não é que não conseguissemas não ia ser muito feliz a fazer uma manhã de uma rádio. Acho que deve ser super divertido e deve se aprender imenso a trabalhar aí. Mas implica uma disciplinaseres uma máquina produtiva. Estás a competir sempre com as crónicas passadas e tens que produzir todos os dias regradoorganizado e ainda assim seres o ser humano funcional e uma mãe para os seus filhos. Eu não tenho essa capacidade. Tudo o que sejam trabalhos muito rotineiros e muito repetitivos é absolutamente um campo minado para mim. Eu não floresce. Aí eu floresce numa certa. Agora este projecto muito intenso e acabou. Funciono muito bem com a desorganização nesse aspeto. Desorganização temporal. Daniel 00:18:11 Procuras que naquilo que fazestrazer os temas que te inquietam e descascá los? Mariana Cabral 00:18:15 O meu critérioO mesmo também para a comédiaé vir de um sítio de verdade. Mariana Cabral 00:18:20 Há muitos humoristas que conseguem fazer humor sobre bases de copos e isso é incrível. É um talento enorme. Eu preciso partir de um sítio que já mexa comigo de alguma maneira. Os temas têm que me dizer alguma coisatêm que me chateartêm que me incomodarMudar. Tem que me dar vergonha. Vem sempre lá está destes defeitos que eu acho que são um grande material de comédia. O espetáculo que tenho chama se Sombra por causa dissoque é a comédia tão boa que vem das coisas que nós queremos esconder. Não é daquele lado de nós que nós não admitimos ao mundo de sermos invejosos e mesquinhos. E temos raivinhas e todos temos. E é muito engraçado também ver o esforço da humanidade a tentar esconder esse ladotentar por debaixo do tapete. E a verdade é que tanto põe debaixo do tapete que depois ele transborda de formas muito menos saudáveis para a política e etc. Daniel 00:19:04 Quão difícil é estares em paz com as tuas emoções? Mariana Cabral 00:19:06 Eu tenho emoçõestolero muito melhor que outras. Eu não lido bem com a minha raivaou sejaa raiva quando se exprimeno meu caso e de uma forma muito mais descontrolada. Mariana Cabral 00:19:15 E eu não sou daquelas pessoas que se enraivece com facilidade. Eu tenho muitas camadas que vêm antes da raivapara chegar a raiva é por ter ali a carburar e a carburar e então buscá lo de forma muito explosiva. Assusta me um bocado. Não gosto de me conhecer assim. É a maternidade levando nos para extremos de privação de sono e uma pessoa está tão depauperada de tantas maneiras que às vezes não gosto da pessoa que conheço quando essa raiva vem ao de cima e então às vezes é feio e dá vergonha. Isto que eu estou a dizer de eu achar que é descontroladoesse pensamento que eu tenho por si só já é controlo e eu aperceber me de que vou para esse lugar. Como sou uma pessoa temperamental. Já lido muito melhor com os meus altos e baixos. Lá estáàs vezes acordo com a minha versão mais triste e sei que este dia vai ser assim. O meu corpo está me a pedir para me recolher um bocado ou olhar um bocadinho para dentro. Procuro ser um bocadinho mais gentil com esses meus momentos que não era eu era completamente castigadora com esses baixos. Mariana Cabral 00:20:10 Agoraacho que a vida me ensinou que eles são passageiros. O tempo encarrega se. Claro que se não encarregar depoispode ser uma coisa mais grave e é preciso ir ao médico e perceber. Mas na maioria das vezesse eu for gentil com o momento e aceitaracolherdar um bocadinho de auto colinho e etcaquilo acaba por passar. Mas tenho que me permitir ir lá. Nesta gravidez do Lucaso Lucas foi meu bebé desejadoplaneado e eu estava numa fase da vida tranquila ou óptima. Estava tudo bem e eu engravidei passado uma semana. Estava profundamente deprimidahormonalmente completamente do nada arrebatador e paralisante de uma tristeza sem fim. Uma coisa inexplicável. É muito assustador quando a tristeza parece sem fundo e não tem explicação. E naquele casoo início da minha gravidez foi só tristeza. E eu pensava que horror sentir me assimAs pessoas não conseguem ter bebés e eu engravidei num plano que queria. É gravidez rápidotanta gente não consegue e eu finalmente consegui. E agora é isto Tipoque injustoque muita culpa e muita incompreensãomuita introspeção vazia que não estava a conseguir encontrar razões e percebi que aquilo que precisava era render me. Mariana Cabral 00:21:19 Era só tipo oké isso que temosé isto que é aceitar e acolher um bocado. Speaker 6 00:21:24 My best to be. Okay. Mariana Cabral 00:21:27 Eu recebi muita ajuda do meu namorado porque minha outra filha não é Claraque na altura tinha dois anos e era uma criança cheia ainda de carências e precisava da mãe e não teve muita mãe. Nos primeiros meses eu estava não só também muito mal dispostamuito enjoadamuito debilitada fisicamente para vomitar e etc. E estava muito triste sempre. E então o meu namorado foi pai e mãefoi mesmo pai e mãe. Durante esses tempos foi um pronto socorro e ao fazer isso era também cuidar de mimporque eu precisava de saber que aquilo estava a ser cuidado. Também fiz muita terapia e fui medicada. Na altura tive que tive que ser medicada. Tipo chegou a um ponto em que já não era muito funcional e eu precisava de estar funcional. Mas prontofoi o primeiro trimestre da gravidez. Foi mesmo uma coisa completamente extrema. Foi tipo uma espécie de atividade radical de emoções. Mariana Cabral 00:22:19 Foi como se fosse só ginásio de emoções fazer crossfit e morri lá. Tipofiquei completamente vencida. Speaker 4 00:22:26 Eu estou. Mariana Cabral 00:22:27 Depois. Felizmentepouco a poucofui saindo ao de cima. Depois escrevi à sombraescrevi à sombra um bocado. No seguimento dissofoi um espectáculo muito mais obscuro e muita gente comentou issojá que vinha de um sítio muito mais pesado. Eu não estava leve e então acho que isso também foi um bom combustível para criar. Era a minha verdade nessa alturaporque não é agora. Agora estou diferente. Daniel 00:22:48 Mais leve. Mariana Cabral 00:22:49 Estou muito mais leve. Agora não se deve dizer estou de volta a mimporque aquilo também era. Eu também fui eu durante uns tempos. Isto é uma falácia. Às vezes engano me. Digo assim nãotipo agora estou eu Estou normal? Nãoaquilo também foi estar assim. Não pode fazer parte. Não quer dizer que não se procure ajuda e tudo mais. Mas às vezes é preciso só acolher e aceitar um bocadinho. Às vezes é muito pior uma pessoa estar sempre em combate consigo própriacom aquilo que consegue dar naquele momento. Mariana Cabral 00:23:10 Agora é engraçado que vou voltar com esse espetáculomas há uma série de partes que têm de ser vistas porque eu simplesmente já não estou a ir. Já estão obsoletas ou emocionalmente obsoletas aquelas coisas. E como para mim é importante dizer as coisas com o mínimo de verdadeentão tem que rever. Já estou noutro sítiofelizmente estou bem. Já vejo as coisas com uma lente que eu diria que é mais minhaque é temperamental ainda assim. Mas não é só lá ao fundo. Tenho os meus altos e baixos. Normalmente vou muito ao neurosemas vou também à alegria ao apreciar das coisas simples do soldo facto de ir comer uma canja. Daniel 00:23:44 Para esta touruma das principais motivações é dormir fora de casa. Mariana Cabral 00:23:47 Como é óbvioeu não durmo muito não. E estás a parDaniel Neste momento tenho um filho de oito mesestenho muito poucos pauzinhos de bateria e eles são gastos com coisas muito básicas que é mantê lo vivoparecendo que nãoé importante. E agora voltar ao stand up. Mariana Cabral 00:23:59 O objectivo é dormir a noite inteira. Eu gosto muito dos meus filhos e é a melhor coisa do mundo ter filhos. Mas a segunda melhor coisa é passar tempo longe deles. Estás a par ou não? Estou a dizer istomas custa me imenso deixar um bebé de meses na maternidade e isto é uma certa ambiguidade. Mas eu tenho o meu filho Lucas tem oito meses agora ele é um docemas é um colas. Tenho está a ser muito perto no espaço vital e então eu dou lhe muito colo. Gosto muito de dar colomas é um bocadinho sufocante e um bocadinho sufocanteque ele precisa de muita proximidade física e então vai ser bom descobrir um bocado o que é que são os limites do acordo sem ter uma criançaum abcesso acoplado. Exactamente. E estou a precisar de voltar a este tema para voltar a descobrir também quem é que sou mulheradultaprofissional. Estou naquela fase em que tive tanto tempo nas trincheiras da maternidade que tenho que me redescobrir outra vez. Sabespreciso de me sentir outra vez validada noutra coisa que não as fraldas e os biberões. Mariana Cabral 00:24:49 Preciso agora de falar um bocadinho. Daniel 00:24:50 Adultos com mais tempo para a bricolage e para a recuperação de peças. Ou não? Mariana Cabral 00:24:54 Sima bricolage é uma atividade que está sempre recorrente na minha vida e para a qual eu não tenho o menor jeito. Tenho muita iniciativa. Acordo um dia e cerâmica no outro dia. Canalização. Estou sempre a inventar novos hobbies e não levo nenhum para a frente. Todo aquele tipo de challenges. Eu sou o dia um de todos eles. Passo o dia às vezes na loucuravou ter dia sim que acabou. Daniel 00:25:14 Se e recupero as peças. Tentas Bah! Mariana Cabral 00:25:16 NãoDanielque eu faço e vou a uma loja de móveis daqueles velhos de pessoas já falecidasadquiro o móvel e pinto e digo que isso é bricolage. Permito me estragar aquelas bonitas peçasmas gosto imenso porque é uma espécie de trabalho de pinturas e trabalhos manuais para adultos. E é giropois às vezes tenho amigas que vêem aquilo tudo mal pintado e elas ficam nervosíssima e com as pálpebras a tremer porque está pintado para o lado e eu estou confortável ali em cimaque gosto até que se note que está perfeito. Speaker 4 00:25:42 Não sou animal de. Mariana Cabral 00:25:45 Mau gosto ou erro. Gosto de um bom fracasso. Não gosto que me toquem no umbigo. Dá me. E já quase que parti para a violência. No seguimento de um desses toques na Tailândia de uma massagista quecoitadanão sabiapois uma daquelas máscaras que depois endurecem e uma pessoa fica tipo gesso e ela depois não está a tirarfaz um ganchinho lá e eu tenho um instintocoitado de dar um tabefeporque dá mesmocoitada. E depois pedir imensa desculpa. Não gostonão gosto que me toquem lámas no restonos outros sítios está tudo bem. Speaker 4 00:26:15 Eu por acaso esta minha casa. Daniel 00:26:20 Sempre teve esta graça. Mariana Cabral 00:26:21 Quer dizerisso é subjetivonão é essa a afirmação não era de toda mais engraçada. Eu tenho três irmãos e eles tem os três muita graça também. Era sempre um grande circo. De quem é que disputava melhor a atenção dos meus pais? Mas as famílias numerosas são sempre assimque é o mais novo. Admiro o que vem a seguiro a seguir. Mariana Cabral 00:26:38 Admiro a do meio e do meio. Admiro não sei o quê que acontecia. Era nesta cadeia eu ficava só com os restos que e com. Se estes não estiverem disponíveiseles vêm brincar comigo porque eu estou disponívelEstou sempre disponível e carente. Portantoadaptava me muito às brincadeiras deles. Às vezes penso um bocado nisso quando dizem tipo Ahnão tens vergonha nenhumnão tens vergonha do ridículo. Eu nunca na minha casa ouvi isto é bomnão faças isso. Que ridículo! Ai que palhaçadaAi que estupidez! Praticava se muita palhaçada na minha casa e era cultivado e era acolhido aquilo que muitas meninas a sensação de ter que ser ladylike ou ter postura tipo eu não nasci a ouvir issoera uma casa muito livre nesse aspetomuito livre para a macacadano melhor dos sentidos. Mas tive muito que me adaptar às brincadeiras de meus irmãosestá focado na Maria. RapazEles nunca brincavam às minhas coisascomo é evidente. Eu era absolutamente a última pessoa a decidir. Mariana Cabral 00:27:23 Eu jogava as coisas deles e perdia sempre. Nunca ganhei nada. Eles achavam que ganhar deixa a ganhar. Daniel Tu tens irmãos? Speaker 4 00:27:31 Não. Mariana Cabral 00:27:32 Ahentão é isso. Claramente és um filho único. Nota se Por acaso já devia ter dinheiro que eras. Apesar dissoos filhos únicos têm um larTêm aqui qualquer coisa. É muito formadora da experiência de crescer com três irmãos. Daniel 00:27:43 É mais protegida por ser a mais nova. Eram mais cuidadosos contigo ou não. Mariana Cabral 00:27:47 Ou não era protegida pela minha mãe. Ou sejaeu acho que a minha mãe sentia se culpada às vezes por eles não me darem atenção e então tomava o meu partido de forma por vezes injustae eu fazia queixinhas. Aldrabonacomo é evidentedramatiza imenso e a coxear a dizer que me doía o dedo. Sabes fazer assim umas quantas. Daniel 00:28:03 Formasmas já não. Mariana Cabral 00:28:04 Hoje já nãoporque já ninguém vai nessa. Mas na altura ela dava me muitas vezes razãomas os mesmos não tinham cuidado comigo. Havia muita solhamuita tareiamuita fisicalidademas no bom sentido. Mariana Cabral 00:28:14 A porrada de criança não sei explicartipo porque a criança não é porradaporrada magoou às vezes e nós hoje não deixamos espaço para que isso aconteça. Disse a uma mini solha. Ai meu Deusque horror! Não acho que os irmãos no nosso tempo fazia parte andar. Daniel 00:28:26 Soldadas ou não. Mariana Cabral 00:28:27 Nãoeu dava também era tipo uma espécie de impecílioera aquela pessoa que se agarrava aqui ao cachaço de um deles e ficava lá atrás um tempo meio toiromeio romeumas não fazia mossamas davasimplesmente não causava nadanão tinha impacto. Daniel 00:28:42 Que regras é que havia? Mariana Cabral 00:28:43 Não podíamos comer doces. Havia tipo um pacote de bolachas por mêsum para cada umque desaparecia na tarde do dia em que eram adquiridos. Acho que a minha mãe tentava. Não fazíamos uma gestão daquilo a vertipo comem um para depoisnão é? Logo marchava logo tudo. Entãocada vez que íamos a uma festa éramos aquelas crianças selvagens que punham nos bolos. Estás a ver? Os meus pais não eram muito rígidos. Mariana Cabral 00:29:02 Aquilo de alguma maneira funcionava. Nós estávamos muito bem entre os quatro e entre a rivalidade e a estreia nos paisalguma coisa fizeram bem. Nós somos muito unidoscontamos muito uns com os outros. Às vezessó conversando com outras pessoas é que percebo que até é uma raridade. Quer dizernão posso dizer que acho que nunca nos vamos chatearmas acho que dificilmente isto vai acontecer. Daniel 00:29:20 Que métodos é que tu vais aplicar com os teus filhos? Os teus pais estiveram contigo? Mariana Cabral 00:29:24 Era obviamente uma geração que já não dava tanto colo. Quero dar muito esse colo que sinto que não tive por impossibilidadenão porque não quisessem. Mas não dá. Não é que uma família grande não chega para todos e então isto é uma coisa que gosto de fazer diferente e faço diferentede ser muito preocupada com as emoções. Eu percebo que para os nossos paisa nossa geração seja quase ridícula. Tu já as tuas palavrinhas e não sei o quê. O que é que estás a sentir? Eu vejo a maneira como a minha mãe me olhaàs vezes a pensar a sérioestá a cantar uma canção sobre a raiva. Mariana Cabral 00:29:51 Mas claro que o que eu quero incorporar era aquilo que eu estava a dizer que tiveque foi alguma liberdade para ser criançapara ser patetapara fazer estupidezespara errar. Acho sempre que me deram muita liberdade para ter os pântanos todos da minha loucura saudável e que vejo na minha filha em pequenas graças irrefletidas dela. Que ela não tem medo de se expressar e sentir se segura para ser completa. Eu acho que é só isso que pode ser a missão de uma mãe e dar lhes um espaço para os miúdos serem completos. Daniel 00:30:19 A tua filha vê a mãe nesses registos. Também faz questão de ter esse lado mais desbragado em casa. Mariana Cabral 00:30:24 Claro. Dança se muito na minha casacanta se muito alto na minha casa. Infelizmente para os vizinhos há muito pouca contenção. Há muita músicamuita rebaldaria no melhor dos sentidos. Mas depois também vou ouvindo de professores dela e de pessoas que estão com elaque ela é engraçadaque já gosta de ter graça. Ela gosta imenso de fazer rirme preocupa imenso. Mariana Cabral 00:30:43 Honestamentepreocupa me imenso que ela consiga esta profissão que eu não recomendo a ninguém. Ela é para fazer piadasmas prontose for lá será. Estou aqui para apoiar e ela é bonita também. Não vai ter de esforçar muito não vai? O Lucas vai ter que ser interessantecoitadinhoele vai ter. Daniel 00:31:00 Tu brincavas aqui. Mariana Cabral 00:31:01 Eu brincava ou sozinha com as minhas coisasque eram muito poucas. Eu tinha tipo uma Barbie à qual cortei o cabelo. Era a Barbie que era tinha aquele rapazse estás a vertinha um ar miserávelmas só tinha uma. Cortei o cabeloAcabou se. Brincas com ele até ao fim. Quando era sozinhabrincava às minhas coisas mais bonitasfemininasbonecas e não sei o quê. Mas depoisquando queria brincar coletivamentebrincava com os meus irmãos e jogava à bola e às tareias. As melhores memórias que tenho são de férias no Algarvecom os meus irmãos e na praia. São memórias de famíliasempre. Também tenho uma família alargadamuito unida e uma coisa que eu às vezes também me pergunto o que é que eu tenho? Este trabalho E eu tive sempre uma família muito cheerleader. Mariana Cabral 00:31:41 Somos muitosnão é? Uma pessoa dá um passo na minha família e sinto que há sempre tipo 50 pessoas a incentivar. E isso é super importante. Parecendo que nãohá sempre uma caminha de coragem que são estas pessoas todas à minha volta que estão sempre na primeira fila dos meus espetáculos a aplaudir. Isso é sempre incrível. Daniel 00:31:56 Que adolescente que te lembras de ser. Mariana Cabral 00:31:57 Eu fui uma adolescentemuito desaconselhável! Eu só espero que a minha filha não seja a adolescente que eu fui. Porque eu perceboos adolescentes não sabem bem quem são. É tudo muito intenso e eu vejo agora nos meus filhos. Tudo muito intenso e tudo Eu odeioeu amo. E eu era assim também. Amava muito e odiava muito e acho que estava com coisas para resolver e tinha muita raiva. Estes pequenos ódios formaram se em rebeldia. Depois tinha más companhiasera muito insolente. Tive muita necessidade de afirmação. Ser rebelde sime de fazer merda numa outra palavra. E sei que os meus pais penaram um bocado. Daniel 00:32:33 Que merdas te arrependes? Mariana Cabral 00:32:35 Lembro me de fugir de casa para sair à noite. Daniel 00:32:37 Pela janela. Mariana Cabral 00:32:38 Não de fugir pela porta. Ou ela esperava que eles adormecessem. Não fiz isto muitas vezesmas tinha 16 anos. Enfiar me num táxi sozinha é uma coisa que se eu penso alguma vez que a minha filha me vai fazer isso. Daniel 00:32:49 Eles descobriram quando. Mariana Cabral 00:32:51 Uma vez fui apanhadaacho euporque disse adeus de pijama e passadonão sei25 minutos. O meu pai apanha me vestida assima caminho da saída. Devo ter levado um raspanete na alturamas eu também estava numa fase de uma revolta injustificadaporque a vida corria me bem. Daniel 00:33:06 Ninguém me compreendia. Mariana Cabral 00:33:07 Aquela fase simera tudo intensíssimo e que nojo! Era tudo muito. Hã? Foi a idade do armário. Foi muito agudatipoe a dos meus irmãos não volta ao passado. Speaker 4 00:33:17 Ouve bemcomo doeu. Mariana Cabral 00:33:19 Eu acho que hoje em dia também temos um entendimento do que se passa naquela altura que não tínhamos tipo hormonalmente. Mariana Cabral 00:33:24 Aquilo é uma revolução e começámos a desejar rapazes ou raparigas. É super confuso e não havia literacia. Na altura não se falavam sobre o períodosobre o que é que é expectávelsobre o desejosobre tudo. Coisas de agora. A maioria dos nossos pais não estavam virados para ter este tipo de conversas na fase adolescência. Lembro me que houve assim um bocado uma cisão dos pais. Não é como é normal. Não contava com eles para nada. Eles eram os meus inimigosporque eles eram se interpunha entre os meus desejos antes de querer ir sair à noite todos os dias e comprar biquinhos que se vê o rabo. E então lembro me que foi uma altura um bocadinho de luta verbalmente com a minha mãe e deu a querer conquistas que ela não queria. E lembro me de modas bizarras de usar coisas de marcaporque enfimno mundo dos betosaparentemente isso é o barómetro social de aceitaçãotem a ver com isso. E ela é bem isso é que nãonãonão vamos gastar 60 € numa camisa. Mariana Cabral 00:34:11 A minha linda vais com a camisa dos teus irmãos e prontovais herdar a calcinha de bombazina. E aquilo revoltava porque ela não me deixava pertencer como eu achava que tinha que pertencer. Mas isso passou e no fundo também acho que hoje em dia consigo olhar e percebo que estava um bocadinho a chamar a atenção e isso cá precisava de algum cuidadoalgum colo emocional que na altura não tive a oportunidade de ter. Daniel 00:34:32 O jornalismo não tinha muita graça. Mariana Cabral 00:34:34 A página não era minha e nem sei. Foi um mau casting que fiz de mim própria a achar que me ia dar bem no nariz. Eu odeio os factosos factos tem piada nenhumatem piada nenhuma. A imaginação é muito mais divertida. Aprendi coisas boasaprendi a editaraprendi a falar para o microfonetudo coisas que uso hoje em dia. Não vou dizer que o curso não foi útil. Fui. Tive professores muito inspiradores na escolagostei de o fazermas de facto tive que fazer aquilo para perceber. Nãonão é nada disto. Daniel 00:34:56 O que é que fizeste depois disso? Mariana Cabral 00:34:57 Disney Sim. Quer dizernão fui a Disney a procura de uma carreira. Foi a Disney à procura de beber copos e ter uma experiência internacional muito gira. Daniel 00:35:03 Diz que fazer o quê exactamente? Mariana Cabral 00:35:05 Eles iam buscar pessoas de todos os países e juntavam. Nós pagávamos o salário mínimo e nós fazíamos aquele trabalho tipo de gestão dos parques. E sempre falávamos várias línguas que os americanos não falam outros idiomasnão é? E então trabalhei durante os tempos em lojas de Star Wars e trabalhei num parque daquele filme que é o Querido. Encolhi os miúdos simque era um parque giganterelva gigantetudo gigante. Quer dizerem termos cerebrais o meu cérebro morreu um bocadinho láuma coisa muito mecânicade onde o governo olha lá. Mas ao mesmo tempo aquilo era uma experiência surreal. O autocarro para lá iaeu e o Darth Vader e a Mary Poppins iam no mesmo autocarro que eu. Comecei a entrar naquele universo e parecia o mundo real. E no autocarro com a Mary Poppins e com os Power Rangersera uma coisa normal. Mariana Cabral 00:35:42 Era tipo boa tarde. Trabalhei numa coisa de informática que até hoje não entendo bem o que é que se vendia alicreio que switches e shootersmas também foi divertidoque era um ambiente super internacional. Foi aí que criei o meu Na Fofinha. Comecei a escrever um bocado como hobby de escape de criatividade e depois acabei também em publicidade durante uns tempos. Entãofui dar uma volta ao bilhar grande para me aproximar pouco a poucomas nunca neste momento concebi que isto poderia ser a profissãoporque a profissão não existia. Não poderia nunca conceber fazer disto vidaporque não existia viver distodas redes. Eu percebi que tinha que fazer uma das coisas que menos gosto nesta vidaque é comprar bikinis. E eu dei por mim a pensar. Speaker 4 00:36:25 O que. Daniel 00:36:26 Fazer. Speaker 7 00:36:26 Com os biquínis em dia. Daniel 00:36:29 Como é que o teu processo de trabalho. Mariana Cabral 00:36:30 No processo de trabalho para os vídeos escreve alguns tópicos e por ali fora os editenão é? Às vezes estou a gravar e gravo meia hora ininterrupta de verborreia. Mariana Cabral 00:36:38 80% é para o lixo e 20% é o que fica. Se é um tema que me apaixonadeixo me levar bastante e vou falando quando são coisas mais difíceis de navegar ou quando são temas que é importante ter informado. Ou estou a dar dados tipo aí tenho que escrever para não dizer nenhum disparate. Há algum trabalho de investigação precisamente quando são coisas mais movediças. Daniel 00:36:56 E a intensidade que tu colocas na gravação dos vídeos? Estando numa sala vaziasozinha com a câmaracomo é que tu fazes isso para te. Mariana Cabral 00:37:02 Dizer que eu sou intensa? Não é isso. Eu sou intensa E é verdade. Danielnão estou aqui para te contradizer. Obviamente que estou em esteróidesnão é? Eu não sou assim todos os dias das pessoas à minha voltamas eu também não sou assim tão diferente da minha maneira de falar ou discutir. Sou também sou intensa. E então aquilo é como se fosse uma versão minhacom estupefacientes sem os consumircomo é evidente. Mas não é muito diferente de eu. Apaixonada por. Mariana Cabral 00:37:28 Apaixonada por um tema vale muito com as mãos e isso é completamente natural. Mas tiponão estou a fazer flexões antes dos vídeos para isso. Speaker 5 00:37:35 Se não sabes que esse vinho é particularmente herbáceoo embrulha mento e a maturação dá lhe uma acidez naturalmente elevadamuito elevada. Speaker 8 00:37:45 Ninguém quer saber. Rui Miguel Lemos mesmo. Daniel 00:37:48 E que eco tem as reações que tu tens escritas ou pessoalmentequando são positivas ou negativas. Mariana Cabral 00:37:54 Quando são negativasnão me costumam incomodara não ser que caiam perto de inseguranças que eu já tenho. Tenho uma entrevista e estou sempre a interromper. Eu sei que interrompo e as pessoas notam isso. Eu fico vulnerável. Antigamente deitava me mais abaixoagora já não tanto. Até porqueeu percebomuitas vezes têm razão quando são construtivas. Normalmente este tipo de comentários tipo aí que chatasem me interromper ou porque a minha voz é agudaapesar de coisas que são minhaseste tipo de voz irritante é o que temos e o que temos é baixar e baixar o volume ou desligar os elogios. Mariana Cabral 00:38:21 E eu gosto acima de tudo quando percebo que faço realmente uma pequenita diferença num dia mau de alguémrecebo muitas mensagens dessas de olhaestava a ter um dia terrível e isso é mesmo como dor para mim. Perceber que tenho esse efeito nas pessoas com nada de especial. Não é a patetice do dia a dia. Mudar a vida de alguém para mim é inacreditável quando são aquelas tipo ahé genialnão concordo. Giromas não concorda e passa à frente. Também acho que é bom não concordar muito com. Daniel 00:38:45 Isso que não a música que existiu na lista. Para além de bomba no fofinhoai nenhum. Mariana Cabral 00:38:49 É o problema é a expressão era boaera fofinha. Ouvi de um amigo meu e a expressão é tipo inchaouviu? AigiroSou engraçado. Nunca pensei que depois tivesse que ir justificarporque de facto é um nome que parece um filme porno ou não é Um bocadinho. Olha eu agora eu trabalho minha vida e tentar limpar essa conotação. Porcalhota deste nome eu acho bem gosto chama me bumbaeu respondo já ao nome bomba. Mariana Cabral 00:39:10 Já estou treinada como os cãesportanto acho que vou ser bomba até ao fimaté morrer no meu leito de morte. Vou ser bomba na fofinha se estiveres vivo aindaquando eu morrer podes pôr o mesmo no oráculo. Morreu a bomba. Nãofofinhaé claropois choras por um ícone do seu tempo. Meu Deusque artista exemplar! Daniel 00:39:24 Podemos repetir esta entrevista na altura. Mariana Cabral 00:39:26 Por acaso é verdademas respeito só as partes boas. Idealmenteo Ricardo Araújo Pereira já terá morrido nessa altura. Fingers crossed E o Bruno Nogueira também. Fingers Cross? Essa gente toda já terá morrido. Portanto podes dizer que eu fui a melhor do meu tempo. Gosto do Pedro Pascal com muito fervor. No fundoagora até podem tirar os outros todos e deixar só o Pedro Pascalque eu gosto de uma forma que nem sempre é saudável e que não sei se não é ilegal. Não gosto do calor que estou a passar aqui. Sinto tanto os entrefolhos das nalgas a escorregarem uma na outra. Speaker 4 00:39:58 A que te leva. Daniel 00:40:01 Todos os teus verbalizam o orgulho em ti como tu precisas? Speaker 4 00:40:05 Acho que sim. Mariana Cabral 00:40:06 Na minha família há formas de mostrar orgulho de formas diferentes. O meu paipor acasotem uma maneira de elogiar. Parece um insultomas não é sempre assim. Não tem uma forma particular de expressarmas depois sei que eles gostam muito porque depois vão ver as coisas todas são groupiesnão é à sua maneira. Eu sei que a minha mãe ouve tu porque ela depois refila que eu digo palavrões. Tu não precisas disso. Minha mãe tem esta coisa de achar que eu sou uma pessoa que não diz palavrões quando eu só não digo palavrões à frente dela. Cada palavrão é uma chapadinha de mão aberta. É como se estivesse a reflectir mal no CV dela de mãe. Já disseé importante para mim exprimir me de forma desbragada. Não sou contidanem nunca fui só à frente dela. Mas ela fica muito magoada em cima. Não gostanão gosta. Não precisas dizer palavrõesmas ela adora e fica super orgulhosa. Mariana Cabral 00:40:48 Vê as coisas todasestá sempre preocupada porque quer dizereu não escondo que sofro com alguns desafios profissionaisfico desarranjada antes de finalmente uma semana de fazer stand up e ela sabe que eu passo por essas coisas e preocupas com esse espaço e procura ir fazendo pequenos gestostipo como é que estás? Estás bem? Como estás a correr? Mas eu acho que quer dizereles gostam de mim por amorporque eu sou filha e ficam perplexos por haver tanta gente a gostar também. E a minha mãe também está sempre a dizer que quem meus filhos cuida da minha boca adoça. Ela está sempre a dizer isto e eu acho que ela deve sentir isto. Tipocom um grupo enorme de pessoasa minha famíliapois eles vão sempre todos os espetáculosHá sempre um dia em que eles vão todos e eu fico nervosíssima nesse diaporque eles são muitas vezes visados e às vezes estou a ver a cara do meu pai no meio da plateia e eu nem quero olhar. Tenho vergonha de olhar. Mas ele está sempre assimcom um meio sorriso. Mariana Cabral 00:41:33 Quem está. Daniel 00:41:35 Em aprovação. Mariana Cabral 00:41:36 Claroe achotambém é capaz de ser um bocadinho surreal para elescomo é para mim também acho que eles também não pensavam que isto poderia acontecerporque eu também nunca dei sinais de que era isto que um dia ia perseguir. Portantofomos todos apanhados de surpresa. Daniel 00:41:51 Lembra se de alguma conversa que tenha sido importante para ti com os teus pais? Mariana Cabral 00:41:54 O meu pai. Curiosamenteas tiradas que ficamem relação a cometer errosele dizia me sempre podes cometer erros à vontade. Tenta só primeiro que eles não sejam muito grandes que eles. Erros que mudam vidas e tenta não cometer os mesmos. E a minha mãe dizia me uma coisa engraçada que era quando eu tinha vergonha de alguma coisaEla dizia Sempre tive vergonha em fazer coisas mal feitas. No fundoela dizia que não fazia sentido ter vergonha por antecipação. E acho que isso também entrou. Essas duas coisas entraram. Sinto que as pratico e acho que os meus paisambos são pessoas com bastante empatiamuito virados para cuidar dos outrosdas pessoasda família. Mariana Cabral 00:42:30 E esse cuidado acho que passou como prioridade de vida. E um dia acho que vou querer cuidar deles com imenso gosto e vou devolvendo agora com pequenas coisas. Mas eles felizmente estão óptimos e fazem a vidinha deles como querem. Mas é bom poder devolver. Daniel 00:42:43 É o cliché de que se percebem melhor os pais depois de ser mãe corresponde à verdade. Mariana Cabral 00:42:47 Ai sim. Sempre tive admiração pelos meus pais e pela minha mãe em particularporque a minha mãe é talvez da primeira geraçãoas nossas avósmuitas delas não tiveram oportunidade de estudar nem de trabalhar. Por causa da minhaela adorava ter sido advogada a minha avó e viveu com a mágoa de não poder ter sido. E então projetou nas filhas fervorosamente a necessidade de elas estudarem e terem estudos para poderem ter as oportunidades que ela não teve. E entãodigamos que eu acho que a geração das nossas mães foi talvez a primeira geração em peso a trabalhar loucamente e a aspirar a carreiras e ao mesmo tempo a cuidar quase unilateralmente de uma catrefada de filhos a acumularem essas duas funções. Mariana Cabral 00:43:25 E o meu paio meu pai ajudavasem dúvidamas ainda assim a minha mãe era quem tinha a carga mental e a gestão da casa e do dia a dia. Era totalmente dela. E ela trabalhava muito e bem. E de alguma maneira nós éramos cuidados e bem alimentados e vestidos. O que eu acho é que ela só podia andar completamente exausta e se calhar hei de ter levado com estilhaços dessa falta de disponibilidadede afecto e não sei quê. De certeza que sim. Mas no final do dia somos quatro filhos a quem não faltou nada. Tenho uma admiração enorme por ela e pelo fato dela ser. Sempre foi uma pessoa ambiciosa profissionalmente e isso são muito bons exemplos para ter. Speaker 4 00:44:04 Não. Daniel 00:44:06 Ser mãe. Mudou alguma coisa na tua forma de fazer humor? Menos ácidamenos corrosiva? Mariana Cabral 00:44:11 Credo! Fiquei maismais corrosivaporque depois sinto que não ter filhos corrói. O facto de eles nos levarem para sensações extremas de cansaçodiz a expressãodá nos a conhecer defeitos todos que já tínhamosmas que ficam exacerbados. Mariana Cabral 00:44:27 Acho que mudou acima de tudo também enquanto tópiconão é? Tenho coisas para dizer sobre esse assuntoque são muito universais porque consomem muito tempo da nossa vida. E entãocomo é uma vivência tão visceral para o bom e para o mal? A identificação é imediatanão é? E há muitas mães que vãoao meu espetáculoarranjam um babysitter e vão lá para fazerem abraço ao Terapia Comigoque é uma espécie de barco coletivo para a desgraça que é perder a cogniçãoas mamaso pipi. Daniel 00:44:57 Perder o pipi. Mariana Cabral 00:44:58 Portantoo pipi é jovemnão é? Atençãoestás à parte que ele fica um bocadinho desgastado. Pois sim. Daniel 00:45:08 Quem é que tu achas que és aos olhos da Clara e do Lucas? Mariana Cabral 00:45:11 Eu agora adoro. Portantosendo evidentementecomo todos os humoristasbastante egocêntricaeu sou o centro do universo delesque é uma delícia. Eu sou um espectáculoum super herói para a Clara. Tenho força ilimitada porque consigo levantar uma cadeira e ela não. Mariana Cabral 00:45:24 Isto nunca se vai repetir. Este momento da vida dela em que ela me vê com estes olhos. E eu sou extraordinária. Sou o centro do universo dela. Faço tudo bemSou lindérrima aos olhos dela porque sou a mãenão é? Então estou a beber tudo o que posso destes momentospois ela vaievidentementedar me um pontapé no cuprovavelmente daqui a dois ou três anos e nunca mais vai olhar para mim desta forma. Portantoestou a adorar esta altura em que sou o centro do universo deles os doisporque qualquer egocêntrico gosta disso. Daniel 00:45:50 O que é que não fazia ideia que ser mãe fosse terrorista. Mariana Cabral 00:45:53 E assim eu já suspeitavamas não sabia que era tão nhem. Speaker 9 00:45:57 Nhem nhem nhem nhem que a marmitinha que é preciso que ninguém da roupinha das calcinhasda ginástica. Mariana Cabral 00:46:01 Eu sabia que era. Mas como é a parte para a qual eu tenho menos jeitoé tedioso. Há um momento de tédio paralisante quando a pessoa acorda 09h00 e ela está a fazer desenhos. Daniel 00:46:11 09h00 é bem bom. Mariana Cabral 00:46:12 Não por acaso isso logo de manhã queria dizer sete. Nem o sol se levantou. Está ela a fazer desenhos? Ai que lindo! És um génio! Realmente é paralisante e paralisante. O tédio às vezes é muito repetitivo. Parece que a pessoa está presa num diamas depois também tem. Quer dizermomentos de absoluta maravilha daquele cérebro a descobrir uma coisa nova quando parece que desbloqueia qualquer coisa naquele pequeno cérebro. E ela aprende com coisas absolutamente básicas e simplesmente é um privilégio com ela e com o Lucas. Mas falta o Lucasainda meio quilo de carne e parecendo que nãoainda é um bocadinho no lateral. Sou mais eu. Adoro dardar e receberreceberreceber. Eu gosto muito mais da idade da Clara. Sou honestaNão adoro bebésgosto muito do meu nome. Adoro a categoria recém nascidos. Gosto muito mais destas idades em que já há uma conversaem que já há uma troca e ela explica o que se passa naquela pequenina cabeça. Ela dá me momentos de profunda felicidade. Mariana Cabral 00:47:01 Eu sei que estou a ser feliz em tempo real e nunca tinha sentido isso a não ser com ela. E pronto. O Lucas agora também já começa a gostar muito de dizer isto e eles vão ver entrevista mais tarde. Só estou a falar dela. Traumas para a vida. Já estou a ver dinheiro a gastar na terapia e o Lucas também me dá coisas. Mas nãoele ainda é um bebezinhomas também já começa a fazer as suas graçolas. Eu adoro ser mãe deles os doismas a parte de ser mãe que não gosto muitopara as quais não tenho jeitoeu acho que sou uma muito boa mãemas não sou uma cuidadora muito competente às vezes. Tipoeu não sou a melhor mãe para planear refeições e para pensar em festas inesquecíveis. Unicórnios. Não sou muito organizada e não passei a ser que só dizem Ahe a maternidade muda. Nãonão me passou pelo pipi de repente. Ai meu Deus! Uma despensa com gavetas? Não! A minha mente continua igualmente desorganizada e um desafio para mim. Mariana Cabral 00:47:50 Planeei as coisas para a escola e obviamente que o meu namorado participa igualmente. Não sou boa nessa parte. Ela vai pronto para a ginásticaàs vezes sem calçasdaquelas que é suposto. Não consigo às vezes planear as coisas como deve de sermas depois acho que sou muito boa a brincar e sou muito boaa dar colo emocional. Já descobri os meus fortes e os meus fracos na maternidade e é bom poder abraçar uns e aceitar os outros agora. Nem sempre gosto de ser mãe. Daniel 00:48:14 E encontras o humor nos momentos mais exigentesseja nos partos ou noutros momentos mais duros. Mariana Cabral 00:48:18 É constanteé como se fosse uma latência. Por exemploagora no parto do Lucasestava em pleno quarto de hospital a ter contracçõesportanto em profundo e atroz sofrimento e o meu namorado espirrou três vezes e diz assim Ai. Speaker 4 00:48:35 Que massacre. Mariana Cabral 00:48:37 Esta gripe! A palavra massacre que se usam para coisas graves da humanidade. Eu acho que não vou usar o massacre por uma gripe. Portantoo tema era sobre elecoitadinho e o antibiótico era o que faltava em atenção à gripe deste menino quando eu estou aqui toda escancarada. Mariana Cabral 00:48:51 Desculpem lá. É impossível não estar sempre na óptica do observador. Às vezes queria não estar na análiseàs vezes ter um bocadinho da espontaneidade das coisasprincipalmente quando são coisas assim. Romantismo ou ter gestos fora do normal. É muito difícil não pensar. Speaker 4 00:49:07 Que. Mariana Cabral 00:49:08 Digo fazer isto ou aquilo foraprincipalmenteuma namorada. Estou com ela há 15 anos. É difícil ser imprevisível numa relação assim tão longa. Mas também é importante cultivar a surpresa e a espontaneidade. Deve ser muito cansativo namorar com uma pessoa que trabalha em humorporque há sempre este lado de. Daniel 00:49:24 Cá que é ridículo. Mariana Cabral 00:49:26 Sempre. Daniel 00:49:28 Eu sei que gostas tanto de cãesRafeiro. Mariana Cabral 00:49:32 Eu sou uma pessoa de cães. Porquê? Porque eu preciso de um animal que precise de mim. Porque egocêntrica. Os gatospara mim não davam porque não prestam vassalagem ao donocomo os cães. Os cães vivem e somos o centro do universo deles. E os rafeiros têm sempre a agravante entre aspas não terem sido queridos pelo mundo ou de terem levado coitadinhos na tromba. Mariana Cabral 00:49:52 E então vêm sempre com uma carência que me preenche bastante. Aquele rafeiro de cauda encaracoladalazarento com o pêlo palha de aço. Quanto mais feiomais maltratado pela vidamelhorporque também tem muito mais para dar. E somos gratos. Adoro a gratidão destes cães que encontram o seu lugar e de repente é bom teres uma relação com alguém que sente que tem uma dívida de gratidão para a vida. Continua. Adoro! É um tipo de relação que eu adoroNão é tóxicaapenas gosto de fazer um ar pensativo a olhar para o céu para parecer que vou dizer uma coisa inteligente e assertiva. E depois não tenho. Ou não. Speaker 4 00:50:29 Não. Mariana Cabral 00:50:29 Já chega. Ou não precisas de mais. Daniel 00:50:31 Só isso que tens para dar. Mariana Cabral 00:50:34 Vocês já viram este ponto passivo? Agressividade? Se é só istotens para dar. Quer dizercinco anos para vir a alta definição e chego aqui e só isto tenho para dar. Não gosto de me ver na televisão. Não vou ver este programa. Vou estar sentada em posição fetal na casa de banho a chorar com a minha performance. Mariana Cabral 00:50:51 De certeza que foi péssimamas o Daniel vai dizer que está óptimo. Daniel 00:50:56 O que é que te orgulhas mais? Mariana Cabral 00:50:57 Orgulho me deste percurso que fizque embora nem sempre consiga reconhecer o que é que neste percurso foi méritotrabalhosorteconsigo reconhecer que se não tivesse sido eu a fazer as coisasa pegar na câmaraa filmara editara expor mea tentar. Portantoorgulho me de ter tentado e de ter subsistido e ter continuado. Depois de alguns tiros ao lado. Eu queria esta carreira. Podia ter sido por convites de outras pessoasmas na verdade começou apenas e só porque eu me mexi para isso. Tenho orgulho dessa coragem. Talvez haja coragem aí para também desistir de um trabalho estável. E arrisquei um bocadonão é? Não sabia se isto ia funcionar. Pior cenário possível era eu voltar para trabalhar num call center. Como trabalhei tantotenho orgulho desse passo e das coisinhas que fui conquistando até agora e de não ter cometido erros muito grandesos tais que meu pai falava. Mariana Cabral 00:51:49 Acho que me vou mantendo minimamente fiel a minha espinha dorsal. Acho que tenho um posicionamento moral em relação a todas as facetas onde estou e tenho orgulho do facto de ter ido chafurdar nas coisas menos agradáveis da minha pessoa para me tornar melhor. Não sei se sou a melhor pessoa ou não por tentarmas acho que há mérito em tentar e em perceber que há coisas em mim que podem ser um fardo para os outros. O que é que há em mim? Posso trabalhar? Acho que acaba por ser humildade. Há pessoas que passam esta vida toda achando que a culpa de tudo e dos outros é sempre circunstancial. E eu acho que a responsabilidade das coisas é quase sempre minha. Isso tem um lado muito bomque é o de assumir as coisas. Assumo e procuro melhorar. Tento fazer isso por mim e pelas pessoas de quem gosto e pelos meus filhos tambémPorque há um bocado aquela cena de que uma pessoa morre pelos seus filhosmas é preciso viver por eles também e mudar. Mudar por elesdar o exemplo por elesprocurar ser a pessoa que um dia eles passam a admirar e possam ter como exemplo como os meus pais foram para mim. Daniel 00:52:50 Qual foi a melhor coisa que disseram sobre ti? Mariana Cabral 00:52:51 A melhor coisa que disseram sobre mim nem vai parecer grande coisamas na altura foi no momento da minha vida. Não tinha bombanão estava láestava meio perdida na vidasabia o que queria fazer. E houve um amigo meu que é o Gouveia. Eu acho que ele não sabe que teve esta importânciamas eu disse mas assim estava a dizer me o que queres fazermas assim mais assado e eu sempre muito auto absorvida a dizer não sei o que queres fazer e ele disse só tipo olhaeu acho que o que é que tu faças? Vais safar todas aquelas pessoas. Se vais safar podes me dizer que queres ser canalizadora ou bailarina? Vais te safar. Como eu tinha a perceção contrária que achava que nunca encontrara uma vocaçãonunca ia ser realmente boa a nada. Aquilo foi uma espécie de oh! E eu nunca tinha pensado que me poderiam ver assim. Isto é um descanso a pensar Okele não se preocupa por mimpor isso também não devia preocupar muito. Mariana Cabral 00:53:38 Quando eu penso isto de alguém dá um quentinho. Speaker 4 00:53:40 Talvez não seja o que tu queres. Daniel 00:53:43 Alguém te deve um pedido de desculpas. Mariana Cabral 00:53:45 Vou te dizer sou a melhor pessoa para este tipo de coisasporque eu não tenho memória. Como sou uma lerda ao nível da memórianão tenho cognição para guardar rancor. Esqueço me. É uma caraterística ótima. Sou tão distraída e aluada e tão fora C.A. Eu não sei bem. Já passou. Eu reciclo muito rápido. Daniel 00:54:03 Tu pedir desculpa a todas as pessoas a quem queria pedir? Mariana Cabral 00:54:05 Certeza que nãomas não podia porque não estou ciente de que devia e mesmo nas minhas relações com o meu namorado. E ele queixa se. E tem razãoTipo eu não peço desculpa com facilidadesou meia orgulhosa e ele pede logo e eu acho super precoce. Já estamos a discutir e ele pede logo e eu entretanto tenho que me empolgar e não posso. Agora tenho que explanar eu preciso de combatepreciso de ficar um bocadinho azeda não sei o quê. Como eu demoro mais tempo a chegar lá acimanão consigo ir logo para estar bem. Mariana Cabral 00:54:30 Acabou? NãoEu tenho que cozinhartenho que viver alitenho que chafurdar um bocadinho na raiva e depoispassado muito tempo para os parâmetros delePeço desculpamas peço. Acho que peço sempre que é devido e se não peço e me dizem eu faço um bocadinho de análise. Admito sempre que possa estar errada. Portantose devo pedir desculpas a alguém é porque não sei o que devo. Portantodigam me. Daniel 00:54:50 Se fosse garantido uma resposta a uma qualquer pergunta tuao que é que tu querias mesmo saber? Mariana Cabral 00:54:55 Isso é uma boa pergunta ao Daniel. E tem uma coisa marcante e inspiradora para dizer aquilo que todos queremos saber e se vai correr tudo bem. Só que eu também não quero saber se vai correr malestás a perceber? Portantonunca faria essa pergunta. Se calhar vou te dizer todas as perguntas que eu não faria e com essas excluo todas e depois chegas a aquela que eu faria. Queres? Tens quantas horas para ficar aqui? Daniel 00:55:16 Quem gostarias que os teus filhos dissessem que foi a mãe? Mariana Cabral 00:55:18 Eu gostava que os meus filhos me dissessem que eu estive lá sempre que foi importanteque contaram comigo. Mariana Cabral 00:55:25 Eu não preciso ser a mãe amiguinhamas quero ser a mãe com quem eles contam. Que eles nunca hesitem em qualquer que seja os momentosquer sejam momentos de apertode felicidadede partilha. Que eles não hesitem em pegar no telefone para me ligar mesmo quando estiverem Mantiverem longe quando já tiverem alegadamentevidas resolvidas e independentesque eu nunca deixo de ser um espaço seguro para elesde acolhimentode segurançade colo. Eu gostava de poder dar colo sempre eles quiserematé serem velhinhos e até eu me extinguir. Gostava de ser isso. Daniel 00:55:54 Colo O que é que dizem os teus olhos? Mariana Cabral 00:55:58 Eu devia ter ensaiado também. Olhaacho que dizem que que eu preciso de botox. Eventualmente vou precisarque estou muito cansada e muito agastada. E estas linhas aqui já não se disfarçam. Eu sinto. Tenho aqui duas trincheirasportanto estava os meus olhos dissessem socorropreciso de botoxmas não vou pôr porque sou uma mulher real. Dizem que estão gratos pelo que passou e muito curiosos com o que aí vem. Daniel 00:56:22 Obrigado. Mariana Cabral 00:56:23 Obrigada. Daniel 00:56:24 Feito. Mariana Cabral 00:56:26 Gostaste? Foi uma coisa de jeito. Daniel 00:56:28 Foi chatomas qualquer coisa. Você está satisfeito com os resultados? Notas do Programa Neste episódioMariana Cabral (“Bumba na Fofinha”) partilhacom honestidade e emoçãoos desafios da maternidadecarreira e saúde mental: “O erro é a cola qu... Capítulos Introdução e Apresentação (00:00:00) Mariana Cabral se apresentafala sobre sua idade e início no Alta Definição. **Autocontrolo e Personalidade (00:00:38... Títulos Como lidar com a pressão de ser autêntico nas redes sociais? A maior coragem de Mariana Cabral: mostrar suas vulnerabilidades. Entre risos e lágrimas: ... Links & Menções Claro! Seguindo suas instruçõesorganizei as menções com timestamps por tópicosno formato solicitado: Ferramentas e Websites "YouTube": "00:07:01" "... Palavras-chave Bumba na FofinhaMariana CabralYouTubecriadora de conteúdoautocontroloinsegurançassíndrome do impostorrelação com o públicomaternidadeautoestim... Postagem no Blog Bumba na Fofinha: Lições de VidaCarreira e Autenticidade – Um Guia Profundo Inspirado na Conversa com Mariana Cabral A entrevista de Mariana Cabralconhec... Newsletter Newsletter: Conversas Sinceras com Bumba na Fofinha Oláqueridos ouvintes e leitores! É com grande entusiasmo que partilho convosco os momentos mais marc... Linkedin & Facebook 🌼 "A ansiedade tem a vantagem de me preparar para catástrofesmesmo que sejam improváveis." Uma das maiores lições que aprendi com a fama é o equilíbrio en... Tweets 1️⃣ Venha ouvir uma conversa profunda e sincera com Mariana Cabrala Bumba na Fofinhaonde desvendamos os desafios da maternidadea pressão das redes sociais... Citações 'Mariana Cabral''00:02:00''O que eu já tenho já é maravilhoso. Agorao meu objetivo é manter este espacinho que conquisteiporque isso é precioso.' 'Mari... Pontos Principais Carreira de Mariana Cabral no YouTube e criação de conteúdo digital. Autocontrole e inseguranças pessoaisincluindo a síndrome do impostor. Relação com o...